O primeiro programa, na verdade nem foi um programa. Depois de uma noitada, ela findou num quarto de motel com um desconhecido e quando acordou tinha duzentos paus ao lado da cama (o tal do sexo casual). Não teve tempo nem de fumar um cigarro nem muito menos perguntar “se foi bom pra você”...
A segunda vez já foi de caso pensado. Ela percebeu ali uma maneira fácil, fácil de pagar a faculdade. Afinal, com vinte e três aninhos e um corpo que era um verdadeiro convite até mesmo pra outras mulheres, ela sabia que ia longe. E foi. Em pouco tempo já trocava o dia pela noite. Mal comparecia às aulas e os semestres foram acumulando. E faculdade particular, já viu né? Qualquer coisinha tem que pagar. Fazer matrícula, segunda chamada de prova perdida, enfim. Acumulou fudeu!
O sonho de ser promotora tava indo por água abaixo. Que pena! Desde adolescente falava em ser promotora. Agora era puta. Mas até que tava se dando bem. Quando chegava a alta estação, a cidade se enchia de gringo e ela se esbaldava. Roupa de grife, táxi pra lá e pra cá, champanhe no gelo, noitadas e noitadas em motéis e boates da moda. Um luxo só!
Tudo isso tinha um preço. Por que você sabe que nesse ramo de puta e derivados, o grande barato mesmo é a idade. E quanto menos, melhor. Passou ali dos 25, tchau! Agora com 27, ela estaria a um ano da formatura. Isso se, veja bem, isso se ela tivesse continuado na faculdade. Mas não. Pelo contrário, os últimos quatro anos foi só Sodoma e Gomorra. Nada mais.
As amigas dela, tão lá. Tão estudando pro exame da OAB. E ela (?). Ela ta lá. Na rua. 28 anos fazendo sexo por um pouco de qualquer coisa. A semana passada ela tava fazendo teste de HIV.
PS 1.
PS 2.
É a mesma coisa em qualquer lugar do mundo, vem fácil, vai fácil. Onde estudo tem muitas, aliás muitas mesmo.
Higor Assis · São Paulo, SP 24/8/2007 15:38
É o corpo fenece...os sonhos verdadeiros pesadelos...A estória de muitas, ou de muitos...Parabens Filipe
abçs
Voltei para reler e votar neste texto social, atualidade triste, mas realidade.
abçs.
O texto tem um quê de alerta, necessário. Gostei. E gostei, também, Filipe, da referência, positiva, à colaboração da overmana Iva Kareninna, no PS 2
José Telmo · Belo Horizonte, MG 26/8/2007 09:40
Filipe.
Excelente texto, que conta as duras verdades da vida, das ruas, das noites.
Abraços
Noélio
Obrigado pelas duas leituras José. O PS 2 conta um pouco da história de Marinalva; uma prostituta que fez da sua vida, da sua história, um exemplo de luta e altruísmo. Quem ainda não teve a oportunidade de conhecer a história de Marinalva, que o faça pelo menos como forma de homenagem; ela que faleceu há poucos meses, em decorrência de AVC.
Quem puder, só clicar: MARINALVA: VIDA E OBRA
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 27/8/2007 09:03
É a realidade de muitas alunas de faculdades particulares. Existem outros meios de se ganhar a vida, com muita batalha, mas o sexo pago é mais fácil. O dinheiro vem fácil, vai fácil...mas será que é só dinheiro? Deve haver outros fatores !
Votado...como sempre votadísimo.
Elizete
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