O filhote de camaleão pensou que me enganaria, estático como ficou no meio do capim à beira do lago para não ser notado. Mas ele é quem estava enganado.
Vai ver que ainda não sabe que traduzo a fala dos bichos. Pois ouvi bem quando sua mãe (esta estava mesmo bem entocada; não a vi) gritou de algum canto:
- Estátua!!!
Claro que o flagrei parado ali, ofegante, de olho posto em mim, como se pensasse: "nem me viu!"
Tomei chegada para fazer uma foto de melhor qualidade. Mas o danado não permitiu aproximação. Deu uma arrancada fela (pronuncia-se féla) e tibungou no lago.
Depois do sonoro mergulho, ouvi risadas de uns pássaros e uma voz de bicho que não identifiquei:
- Nossa, que moleque assustado!
Não fiz a foto do mergulho (tomei foi um susto quando da reação dele) para mostrar como prova a vocês. Já disse que aqui eu invento e até aumento. Mas não escondo nada.
Até!
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EM TEMPO: "féla" é termo regional; no contexto desta "prosa besta" quer dizer brusca, corajosa, inesperada, federal, ou o que você preferir que ilustre bem o que você entendeu.
O quê?! Doido... eu?!!!
Ôpa, Leandro. Quanto tempo. Imagino que tenha ao menos gargalhado (espero que sim) no espaço vazio entre o aqui e seus abcs. Vou lá no seu aqui. Abraço, conterrâneo.
Antonio Rezende · Palmas, TO 22/11/2007 09:49
Ahhh, que bom saber que vc tb conversa com eles!!! Não estou só!!!!!!!
Adoro bichos. Tenho gatos e os pego conversando em perfeito gatês...me meto na conversa e tudo!!!
Adorei a esperteza do pequeno camaleão!!! São momentos únicos, doces, que me pego a querer registrar de alguma forma, nem que seja somente na minha mente! Ih, rimou!
Viva a natureza e as coisas... hum, e tb as coisas da natureza!!!
Um cheiro!
Bicho é o bicho, bicho!
KKKKK
E eu é que sou o palhaço!
Falo sério, Antonio.
Gostei de sua verve engraçada.
De fato, dei boas risadas.
Admirei a pose auscultiva do filhote e o oportunismo do seu flagrante...imagina quando o bicho crescer: as passarelas da moda o esperam! Que vá à cidade, como o primo dele.
Ele se camufla bem no meio do verde capim. Só ainda não engoli completamente essa de ele "tibungar" no lago. Mas como vc viu, pode contar, como contado está, eu acredito.
Afinal, você inventa e até aumenta, mas não esconde nada....rsrsr
abcs
pois não é que tibungou mesmo. uma reação que eu não esperava. nunca tinha visto camaleão nadador.
agora mesmo estava pensando que devia ter viajado mais. sei lá, quem sabe o filhote era adotivo.
hã... os pais?!
ora. claro. só podia mesmo ser jacarés. rsrs
engraçado, leandro, como essa interação aqui faz brotar idéias. um camaleão aqui, estimulando o aparecimento de outro lá... agora... adoção por jacarés. rs
quantas possibilidades!
rsssssssssssss...
Ele o enganou direitinho, hein???
Gosto demais desses seus papos "animais".
beijos.
Que grande loroteiro você é, rapaz1 E dos bons! Adorei sua lorota camaleônica.
Grande abraço.
Folheei aqui meu surrado Houaiss tentando achar o tal "fela" que você tascou no texto adjetivando a arrancada do bicho e despertando a minha curiosidade, Rezende. Nem thum! Ou seja, não tem.
Já o tibum (que traduz barulho de queda de corpo na água e alguns escrevem tchibum, ou tchibuuum, para dar idéia de mergulho danado de bom), que origina o tibungar que você também usou em sua crônica gostosa de ler, esse sim, tem. Prefiro, claro, o que se escreve sem o ch metido a estrangeiro, assim bem do jeito que você fez.
Agora mesmo é que invoco com você, porque até então (salvo engano) ainda não havia encontrado alguém novo nas letras tocantinenses que desse preferência aos termos regionais. Não tenho certeza em que poema de Manoel de Barros li certa vez o termo, mas já o conhecia.
Minha memória teima sempre comigo. Não estou certa de que lembrava do sentido. Agora remocei.
Se o olhar cansado e já gasto não me traiu, agora neste momento em que ainda estamos na EDIÇÃO, não há no texto nenhuma correção a fazer. É o que acho.
Quer saber? Você é que é fela, moço. Gostei muito desta sua prosa animal.
Muito bom!!!
Também falo com bichos e plantas... e coisas.
abrçs.
Enganou mesmo, Saramar. Depois de tibungar, deve ter metido a cara pra fora dágua em algum lugar. Curiei muito, mas não o vi mais.
Pois é Joana, lorotar é um dos meus lenitivos. O chato é que não me dá camisa, nem sapato. Quem dera!
Vitória... eu... fela? Imagina. Você é que é. Viu só que comentário danado de porreta. Imagino que lorotas você não criaria.
Falar com coisa, plantas e bichos é mesmo uma maravilha, Nydia. Fale de suas experiências pra gente. bj
Uau! Adorei texto e imagem!
Bela prosa com esse bicho tão lindo!
Parabéns. E obrigada por nos contar.
Abrçs
Valeu, Joana.
Branca... tem mais no LOROTA BOA
Até!
Aqui, Rezende, conta-me vovó Marinalva, tinha um jogo parecido com o dos camaleônicos aí no retratinho lindo.
- Estátua, dizia gritado uma das brincantes.
E sai-se dali tão somente com um reservado
- Mandrake! (que era aquela pessoa chegada às magias e muuuito amiga do Lotar, espicha a vovó, mostrando uma das revistinhas em quadrinhos dela, que chamavam, vejam só: -
gibi! e trocavam nas matinês aos domingos, às vezes faltando página, ou por duas, quando eram das mais antigas)
Desculpe a conversa comprida, mas quando vovó viu essa foto aqui e a do Leandro lá, não parou mais de falar que isso aí do overmundo não tava "no gibi". Por isso eu vim aqui desse tamanho.
Beijins de camaleãozin.
Salve, Juliana.
Esta loroa de fato não está no gibi. Só foi publicada aqui no OverM e no blog. Brevemente estará em livro, que provavelmente chegará às mãos de sua avó como presente seu e meu.
Agora, deixa eu te dizer. Bem que eu desconfiei de um pássaro preto (estava de frake e cartola) trepado numa árvore alta. Imagina só. Depois de gritar algo que não entendi, ao me ver naquela busca mal sucedida depois que o camaleãozinho caiu na água, caiu na gargalhado, ficando frouxo de rir.
Bem que desconfiava. Não estava certo quando tentei traduzir o grito dele. Agora estou convencido de que a sonoridade tinha tudo a ver com mandrake.
Pronto. Desencuquei agora. Maravilha você ter vindo. Venha muito mais vezes de forma comprida assim. Seu comentário é de uma gostosura sem adjetivos em termos de prosa.
Ah. Como você leva muito jeito para contar fazendo rir, sugiro que nos mostre mais destas conversas com a sua vovó. Tenho certeza. Elas não estão no gibi.
Bela idéia, comparsito (se tem comparsa, deve de haver, senão crio eu, ou creio que haja).
Vou tentar, e fazer vovó cair na tentação de contar-nos mais. Qui lo sa...
é maluco sim, doidinho de pedra!
a adorei tudo, a foto e o escrito!
e esse camaleão está com uma cara de velhinho pra ser menino ein! rsrs
Isso, Juliaura. Tente-a para que nos conte mais.
Doido... eu?! Que é isso, C.fishing?!
Hehehe. O camaleão não era dos muitos novos mesmo, mas um jovem camaleão. Velhinho ele não era. Os velhos são muito teimosos e costumam "empancar", como se diz por aqui. Estes (os velhos) são teimosos e perigosos. Costumam dar lapadas em desavisados. Com os grandões eu não me meto. Nem ouse, viu?!
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