Foi na estação que eu o vi. Num primeiro momento ninguém o notaria. Quase imperceptível em palavras, mas sua presença enchia de luz a avenida. Sentado na calçada, todos o viam, ninguém o enxergava. Ele sozinho, num cobertor rasgado, cumprimentava a todos que passavam. Sujo, fedido, feio, quem se importaria? Mas havia algo nele que me intrigava. Sorria sempre e ria o tempo todo. Passava-se alguma criança, ele sorria mais ainda. “Louco”, muitos pensavam. No entanto, essa loucura me fascinou. Passei a observá-lo com certo prazer. Quando o via sorrindo, cumprimentando, rindo com os cachorros, algo em mim crescia. Como se fosse uma vontade maior de aproveitar a vida, de enxergá-la por seu lado bom. Mas quem era esse sujeito? Será que ele morava ali, naquela calçada? Foi então que um dia eu tomei coragem. Enquanto esperava o coletivo, resolvi atravessar a rua e trocar umas palavrinhas com ele. Cheguei e me assentei um pouco longe do cobertor, sentindo certo receio em me aproximar demais daquele canto imundo. Isso não seria necessário. Quando me virei ele me olhou, diretamente nos olhos. Aquele olhar foi tão profundo que fiquei sem fôlego. Naquele momento senti todas as marcas, feridas e mágoas daquele homem. Assim ele sorriu e começou a rir. Nisso se foi e não voltou. Nunca mais vi o sujeito do outro lado da rua. O sujeito que sem me dizer uma palavra, me ensinou a viver, a amar, a ser amado.
Alcy,
Essa é de tirar o fôlego!
Deus dá seu recado nesses momentos, que se faz divino se ouvirmos!
Marluce
Obrigado Marluce. O negócio é ouvir e sentir o que o Pai quer nos dizer. Grande abraço!
Alcy Filho · Jataí, GO 15/4/2007 07:24
parabéns, alcy.
belo conto!!
abraços,
Deus se faz presente em nossas vidas das mais diferentes maneiras. Será que estamos preparados para notar Sua presença?
Lindo conto!
Beijos...
Grande Alcy!
Emocionante conto. Gostei muito! Abçs.
Que belo gesto Alcir! Este teu conto é muito emocionante e repleto de amor pelo ser humano. E o seu texto está muito bem elaborado. Eu gostei muito.
Carlos Magno.
Quem é ele conterrâneo? algum dos nossos belos loucos de Jataí?
Abraços!
Robert: Muito obrigado! Grande abraço!
Carlos: Nossa, fico grato por ter gostado. Sempre me deparo pensando se eu conseguirei passar toda a emoção que sinto ao criar algo. É realmente gratificante saber que alcancei o objetivo :)
Abraços!
Roberta: Infelizmente não. Esse conto foi, na verdade, uma singela homenagem a aos belos "loucos" jataienses que sorriem e gostam de nos ver felizes. Já recebi o "olhar" citado no texto, não da forma que descrevi, mas foi de grande importância na minha vida.
Grande abraço, conterrânea!
"Bom demais da conta", como dizem aqui em Goiás. Eta belezura.
Tacilda Aquino · Goiânia, GO 16/4/2007 20:28Ô trem bom ter seu incentivo, Tacilda! Obrigado e abraços!
Alcy Filho · Jataí, GO 18/4/2007 12:53Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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