Todos meus passos me encaminham
Para o beco sem saída que construí.
Não vejo luz no fim do túnel
Nem um caminho de pedrinhas amarelas
Não há cogumelos nem lagartas
E eu não nasci pra ser cigarra.
Não quero uma rosa vermelha
Muito menos vinda de meu pai.
Minha fada madrinha deve ter morrido
E ontem à noite transei com o lobo mau.
Minha maçã não foi envenenada
E nem tenho um príncipe inglês.
Meus amigos não são peixes
Nem sei nadar.
Meu amado jamais será amigo de macacos
Muito menos um soldado.
Meu cabelo não chega
Nem a metade de minha pena.
Não tenho cachos dourados
Nem me perdi na floresta com meu irmão.
Meus clássicos estão ultrapassados
E minha filha de estórias de ninar
Não quer chegar nem perto.
Foi-se o tempo da varinha de condão!
Teu trabalho é muito sério, Ana !
Ao se sentir tão alheia e avessa a essas estórias, insisto em que veja como mais da metade do que rola com a gente hoje, depois que ganhamos a denominação de adultos, diz respeito a fábulas, contos, historietas, os psicólogos vivem buscando padrões ( complexo de Peter Pan, Cinderela ), pois assim, pelo imaginário é extremamente mais fácil se fazer algum tipo de comparação do que se utilizarmos estereótipos de carne e osso.
quem nos contou essas histórias todas, certamente não imaginava que elas ficariam tão enraizadas em nossos subconscientes como ficaram... exceto em você, que aproveita a oportunidade para se livrar de qualquer tipo de influência desses tipos de personalidades tão fortes que são pos personagens das fábulas...
acho que o texto está ótimo, alcança plenamente os seus objetivos, a total incredulidade de todas essas coisas dos contos e fábulas infantis !
Só que te invejo por conseguir viver longe da influência de todos eles, pois eles, por mais que eu não queira, vivem esbarrando em mim, às vezes me vejo espelhado neles e isso me ajuda a não ficar louco, pois encontro alguém, embora hipotético que têm os mesmos sintomas que eu e isso garante a minha sanidade por mais um período renovável, como um cartão de Zona Azul, hehehehehe
Um beijo, Ana e se ver um Coelho Branco carregando um enorme relógio, ignore-o !
Alcanu
o que é concreto em sua poesia? tudo. é simples e direta. Acho que atrás da ábula da escrita, há o que vemos de verdade. ou à frente ou por trás dos nossos olhos. A memória. gostei e votei
The Wall · Belo Horizonte, MG 9/7/2008 19:49Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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