ESTÓRIAS FANTÁSTICAS - Caminhos do Pensamento
( O descanso de Andaro)
Entregue a pensamentos soltos e incompletos Andaro sentiu, de repente, todo o cansaço da caminhada.
Fora como se somente naquele instante, trazida não se sabe de onde, chegasse a ele como uma carta que é entregue, toda a fadiga que um corpo de andarilho aguarda. Tudo, então se manifestou a partir daquele momento: o peso da mochila, a cabeça a latejar pelo sol forte e precoce da manhã, os pés, doridos e inchados.
Saído, assim como de um sonho, ele surpreendeu-se de estar onde estava e do quão cansado se achava. Olhando ao longo do caminho empoeirado e estreito, cercado por largos e longínquos pastos apercebeu-se numa estradinha do interior, e em regozijo, gostou do que viu.
Precipitou-se, então, com um gesto de quem aprova o que recebe, a sentar-se à sombra daquela árvore marginal; o que procurou fazer rapidamente como que não querendo deixá-la distanciar-se, pois fora a primeira guarida que avistara desde o início de seu caminhar; e sendo a estrada, até certa distância reta e plana concluiu, fatigado que seria a única antes de quilômetros.
Livrando-se do peso ora incômodo da carga, aspirou fundo o ar acre-doce, quente e denso do calor matinal. Massageando os pés, já descalços sentou-se e permitiu-se um espreguiçar copioso. Enxugou do rosto um suor quente e salgado e cuspiu longe uma saliva grossa, não antes de revirá-la na boca e brincar com ela entre os dentes.
Acendeu um cigarro. Uma fumaça densa e branca evolava por entre seus dedos... O céu abria-se mais e mais, clareando o azul aveludado que se estendia como um tapete celestial e eterno até o horizonte. Nuvens brancas desfilavam por este tapete, como em procissão, em busca dum impossível encontro com o verde das matas distantes e inalcançáveis. Paisagem tangível somente aos pássaros; tão livres e rápidos acrobatas que são do espaço nu, evoluindo no campo de visão do homem, e sumindo no instante de seu pestanejar.
Tudo isto convidava sua alma a passeios quiméricos. Irreais para um corpo que inconsciente, porém relutantemente, a aprisionava em seus limites físicos. E nessa relutância seu olhar, sem pudor, desviava-se de qualquer ponto no qual, distraído se fixasse temendo na entrega total da concentração, achar-se fraco e desligar-se da constante vigilância a que um corpo exato se condiciona. Pois, se em algum instante de descuido sua alma alçasse vôo, como seria? Ele ali, distante, só; embriagado pelo fumo e o cansaço, vendo sua alma vagar livre pelos pastos celestiais, os quais lhe sugeririam um infinito desconhecido e inalcançável para um corpo de homem. E se este corpo quedasse sem sua alma para lhe dar vida e ânimo, quão definitivo seria?
Antevia-se, Andaro, estático e inerte a observar sua alma despedindo-se para nunca mais, e seu corpo com o tempo enraizar-se-ia àquele lugar, qual a uma parasita, entrelaçando-se àquela árvore, único ponto de referência e apoio que se lhe restara. Subiria por seu tronco e galhos, na vã expectativa de alcançar o céu, numa infrutífera busca de sua alma fugitiva, que por apenas um segundo de descuido já se aventurara pelo infinito azul do céu...
Estes quadros – pois estes pensamentos precipitavam-se em quadros – Estes quadros Alternavam-se em seqüências rápidas e precisas, quais slides. E o tomavam e o retomavam repetidamente. Então, agitando a cabeça como um boxeador que, negando as leis da lógica, reage ao incontestável nocaute, Andaro calçou seus tênis, recolheu sua mochila, agora mais leve, e novamente aspirou fundo aquele ar acre-doce, prosseguindo seu caminhar em busca de sonhos tão utópicos, que ele mesmo duvidava encontrar.
Portoquaker,
gostei pra caramba, viu?
Eu recomendo.
Valeu Simpatia!
Fico envaidecido com sua visita e comentário.
Se você, além disso, gostou e recomenda aí Já passo a ter uma pontina de orgulho.
Brigadão e grande abraço!
Robert,
Realmente uma estória fantástica, parabéns por tão belo trabalho+foto!
Um aBRAÇO, Marluce
Marluce minha bela!
Obrigado pela atenção e carinho.
Um forte Abraço!
Pataquá, vou correndo votar antes de espirar a ultima hora,
le gal, nao tinha visto antes. andre
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!