Você Acredita em Duendes?
Só, Soliloquiando vez por outra, antigas lembranças desprovidas de propósitos e sentidos, o homem caminhava. Um andarilho desprovido também de sentido, propósito, objetivo... Num caminhar, por caminhar.
Há quanto tempo? Não sabia. O tempo era irrelevante, gostava de andar assim, debatendo consigo mesmo, criando situações polêmicas. Ora concluindo-as, ora desistindo de nelas pensar. Porém o que mais gostava mesmo, era de estar em silêncio. Admirar o corpo silencioso que aquelas paragens possuíam, um corpo que o envolvia com poder tamanho, comparável apenas ao calor daquele sol que o acompanhava sem pedir e sem dar satisfações. E ele entregue absorto, surpreendia-se em si, somente com os espaçados solilóquios.
Em um destes ímpetos de sentido, apercebeu-se numa úmida e fria estrada. A penumbra daquele lugar era tão intensa que quebrava até mesmo o silêncio que o encorpara, antes quando exposto àquele sol matinal. Sol de verão nordestino.
Era uma estradinha marginada por enormes árvores de aspectos centenários, belas e viçosas, que entrelaçavam, suas raízes saltadas, formando grotescas varizes no solo e despojando de vaidade aquela que poderia ser uma tranqüila e plana estrada de terra batida. No topo destas árvores ramos, galhos e folhas, tocavam-se; como se estivessem dando as mãos numa imensa corrente de irmandade floral. Em eterna fotossíntese formando um longo e úmido túnel, verde, fresco, aromático, que separava o homem de seu já antigo companheiro, que ele, agora tentava ver em insistentes olhadelas através das frestas naturais do teto de folhas que, porém, o obrigavam a resignar-se cego, pois aqueles raios poderosos do sol rasgavam-lhe a visão ora adaptada a penumbra do túnel.
Continuou a caminhar já não podendo, como antes, entregar-se a seus pensamentos. Alguma coisa, além das varizes na terra dificultava seu andar. Exigia-lhe total atenção. Inquietava-o.
O que seria?
Procurou, atentou a detalhes observando melhor o movimento da mata, dos insetos, do vento... Nada!
De repente atinou! Era o silêncio, claro! O silêncio já não era mais o mesmo de outrora, ou melhor, já não mais havia silêncio ao derredor. Algum ruído, algum som violava aquele corpo silencioso e aconchegante. Porém não se ouvia ruído algum, tampouco algum som se ouvia. Era como se ele estivesse ouvindo um som que somente existiria noutro tempo, noutra parte, noutro espaço... Aliás, eram dois sons semelhantes, porém de tempos distintos; sons idênticos, mas ouvidos em diferentes dimensões. Como numa sinfônica, num coral, num eco.
Um início de desespero apoderou-se daquele homem. Como poderia ele estar ouvindo um som que ainda não existia? Um som que, ao menos naquele momento, não era óbvio, nem concreto, tampouco racional. Mas tal desespero abandonou-o abruptamente. Uma luz tão forte invadiu-lhe os olhos, que, segundos após a claridade, ele foi arremessado a uma escuridão ainda mais intensa que a penumbra assimilada anteriormente. Uma escuridão efêmera, que ao se dissipar, jogava novamente o homem àquele mar de luz compacto e dorido.
Aos poucos com a visão já se habituando ao novo estado de coisas, o homem pode se acalmar, pois a explicação para aquele, até então imaginário, ruído encontrava-se à sua frente.
Era um riacho! Em outras palavras, o som vinha das águas dum riacho. Um riacho que ele não podia ver, mas que sabia e sentia, estava próximo. Assim, por hora, satisfeito com a identificação daquele som, voltou sua atenção aos arredores do lugar. Lembrou-se que ha pouco saíra de um longo e escuro túnel; olhou para trás, mas não o pode divisar. Podia ver somente uma cortina negra, como se estivesse defronte a um palco, antes do início do espetáculo, com aquela cortina isolando-o, separando
Robert,
Maravilhoso!
Não consegui ler o texto completo, que pena!
Um aBRAÇO, Marluce
Não sou o dono de nada necessitar, até por não sê-lo. Vivo liberto e preso a esta liberdade, pois faço parte dela.
Beleza de texto. abraço
ROBERT! QUANTA IMAGINAÇÃO!EU ACREDITO...
BOM TEXTO, MAIS UM TEU...
VOTADO.
BJBJ
Lindo texto! Magia e natureza formam um belo par.
Um abraço mineiro.
Um amigo meu foi num desses lugares onde todo mundo diz ver duendes, Extras terrestres, etc. Ele me disse que não viu nada de estranho, apenas muitos jovens fumando maconha, cheirando cola e tomando ácido.
Bem, em relação ao encontro fantástico com o anão-duende-de-jardim, penso que deve ter sido uma viagem de ácido, parecida com aquela de "Alice no País das Maravilhas".
Abs!
É a primeira vez que leio algo de vc. Desculpa perguntar mas, não faltou o fechamento? O texto foi cortado? Tava tão bom, pena. Gostaria de ler completo.
Mas, votei pelo que li.
bjo
Texto maravilhoso, com belas e imagens e muito lirismo!
Meu último conto publicado aqui no overmundo também é na categoria fantástico, quando puder dê uma lida ;-)
http://www.overmundo.com.br/banco/igarape-conto
Flores pra você @>--
Se acredito em duentes??? Acho que estou acreditando!
Parabéns pelo texto.
Abraços.
Roberto, vi que vc escreveu "estória" e não "história". Vc me deixou em dúvida se essa diferença ainda existe. Inclusive no dicionário esta palavra não existe (também não lembro se existia antes) mas, lembro que fomos informados (não faz muito tempo) que essa diferença de "estória" (irreal-ficção) e "história" ( narração de fatos reais) não pegou. Gostaria que um professor de português se posicionasse sobre essa dúvida (que é quase certeza pra mim), que só existe HISTÓRIA.
Um beijo
Belo texto, Roberto. Gostei muito.
Um abraço.
"Volte sempre que quiser, em sonhos, em músicas, em poesia..."
Que lindo, Robert! Muito bom.
Votado!
Abçs.
muito bem escrito!!
prendeu-me a atenção!!
abraços, Robert.
Acredito em fadas, duendes, gnomos, fadas...Todos os seres das florestas...
BJS
CRIS
Robert, me vi na floresta encantada e habitada por fadas, duendes com direito a poço do desejo...mágico!
Parabéns.
O texto está legal. De prima mesmo!
Valeu.
Benny.
Se eu acredito em Duendes?!
Claro...
Vivo batendo palmas.
Votado, pelo texto e pela crença.
beijo
Acredito sim e só faltou um final para que tivesse a certeza que eles existem.
Excelente!
Olá Marluce!
Para ler o texto completo você precisa fazer o download.
Tenta lá...
Bjs.
Valeu J. Alves!
Que bom que gostou.
Abração!
Oi Cíntia!
Obrigado pelo carinho.
Bjs.
Ô Mineira!
Grande abraço, cheio de magia!
Olá Paulo!
O grande barato é quando nossa imaginação viaja sem “muletas”, não é mesmo!?
Abração!
Oi Ilze!
Talvez você e a Marluce não tenham feito o tal do download.
Tenta lá também...
Quanto à estória ou história, fui ao dicionário Aurélio, e lá consta o seguinte:
"Substantivo feminino.
1.V. história. [Recomenda-se apenas a grafia história, tanto no sentido de ciência histórica, quanto no de narrativa de ficção, conto popular, e demais acepções]
Acho que por uma questão de conservadorismo é que, equivocadamente, escrevi “estória”. Obrigado pela dica e doravante me policiarei...
Bjs.
Oi Adriana!
Muitas flores para você também. Que bom que gostou, com certeza também vou dar uma olhada no teu texto.
Bjs.
Valeu V@ander!
Abração!
Grande Nivaldo!
Muito grato pelo carinho.
Abçs.
Oi Nydia!
Brigadão e “volte sempre que quiser, em sonhos, em músicas, em poesia..."
Abçs.
Valeu Marcos!
Obrigado pela atenção e carinho.
Abçs.
Oi Cris!
Linda presença!
Bjs.
Oi Brigitte!
Mágica a sua presença!
Bjs.
Valeu Benny!
Muito grato por você estar por aqui.
Abçs.
Olá Dora!
Sempre bem-vinda!
Bjs.
Oi Ligia!
Você fez o download???
Bjs.
Robert, que maravilha!
As tantas referências aos arcanos que nos fizeram e mantêm; o surrealismo impressionante do anão eternamente preso e seu constante mijar, e ainda assim, livre para se desfazer no elemento vital; e, absoluta, a prisão dentro da liberdade, imagem inimaginável que você ousou imaginar e traduziu em palavras, etc., etc. Mil coisas há nesta história, mil.
Guardei entre os meus textos preferidos.
Obrigada.
beijos
Robert,
Sim, eu acredito em Duende.
Nunca ví um, mas já me transformei em um quando tomei um chá de cogumelo nas planícies da Chapada dos Guimarães.
Os lugares por onde andei chapado na Chapada tem muito do texto que você escreveu.
Você conhece mais alguém que já tomou?
Adorei este teu conto meu amigo Robert, Fantástico mesmo. Meus sinceros aplausos.
Carlos Magno.
OLá Robert, só agora chegando até aqui, mas vim!
Obrigada por me chamar.
Fantástico mesmo o teu texto. Pena que não consegui ver o fim, acho que presiarei fazer download. Vou fazer sim.
Pois é, conheço pessoas que afirma term vistos esses seres pequeninos e encantaados. Eu nem sei se acredito ou não. O mundo é tão complexo, tão MUNDO, tantas coisas podem e cabem neste Universo! Gostaria de vê-los, de estar em sintonia com eles, pois devem ser muito sutis, portanto, para ve-los devemos ser sutis.
Quem sabe um dia os veei? Quando e se isso acontecer, virei correndo pra te contar.
Grande abraço!
Robert,... não sei se acredito não, mas sei que adorei ler seu texto. Maravilhoso! Obrigada pelo convite e me convide sempre viu. Meu voto e um abraço.
Rita Costa · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2007 15:53
Oi Saramar!
Que bom você ter gostado. Sendo você uma poeta que tem toda a minha admiração só me traz alegria e orgulho o fato deste meu texto estar entre os teus favoritos.
Beijos.
Olá Marcos!
Que bom que meu texto te remeteu a bons e felizes momentos que você já viveu...
Há tempos atrás, na minha fase de “maluco beleza” quando fui à Águas Claras (Iacanga-SP), ouvi falar e presenciei muitas destas viagens lisérgicas... Na época tive vontade de experimentar, porém sempre fui meio “bundão” pra estas experiências... Em fim... Não conheço ninguém, além do Alceu Valença, ao qual só ouvi falar, que tenha tomado este tal chá.
Abçs.
Carlos Magno!
Muito grato por sua presença.
Grande abraço!
Oi Branca!
Fez-me muito feliz tua presença e comentários.
Abçs.
Rita!
Que bom ter gostado.
Beijos!
Robert, amigo.
O que seria da vida, se não existisse a fantasia. por isso as crianças são quase sempre felizes. Belo texto.
Abraços
Noélio
Valeu Noelio!
É isso aí. E viva a fantasia.
Abçs.
Fantástico Robert,
você passou nesse seu conto uma narrativa fotográfica e envolvente, tão sedutora como as belíssimas fotos das deslumbrantes paisagens que você retrata.
Parabéns e um abração!!!
Valeu Marcio!
Grande abraço pra toda a baixada...
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