sou como um estranho, um estrangeiro, um externo do que acontece
sou alheio, que é de fora, sem ligação, que vive a margem do que perece
sou impróprio, não sou dali, nem daqui, nem de qualquer outro lugar
sou censurável, limitável, indivíduo estranho, sem família
avisto as coisas e não as vejo
sinto o cheiro, mas não toco
escuto, mas é a mudez que se faz presente em resposta
não participo; não sou ninguém, afinal
mudo de pele: é tempo de mudanças!
me descasco, me desfaço, me desmonto
me refaço, me produzo, me reconstruo e não minto
ainda é estranho o tempo estranho que existiu, mesmo que por pouco, às margens do dia-a-dia
mas, mais estranho ainda, é perceber que o que é estranho são os outros que, de forma muito intensa, formam o que é você.
Putz! Que texto fantástico...Votadíssimo. Abração!!!
Dayvson Fabiano "Imorrível" · Recife, PE 30/1/2009 15:08Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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