Pela fenda aberta
No asfalto da avenida principal,
De uma metrópole sem alma
Ruidosamente infernal,
Surgiam folhas
De um grão de milho
Vindo não sei de onde,
De destino incerto,
Crescimento vigoroso,
Talvez, findo nas rodas impacientes,
De um veículo qualquer
Ou sob a pá do operário insensível.
Antes de virar alimento,
Antes de madurar seus grãos
Antes de matar a fome,
Quem sabe do operário que tapa buracos
Ou do agricultor muito pobre,
Que faz de um buraco de rua
Seu latifúndio.
Aquelas folhas surgidas
Como duendes encantados
De uma fenda sem vida,
Passam despercebidas,
Mas trazem com vigor
O encanto selvagem perdido
Nas metrópoles sem alma.
Pede que se permita
Um sonho maior,
Que seu feitiço progrida,
Que suas espigas amarelas misteriosas...
Um dia, ainda,
Tragam para os que passam irrequietos,
Apressados, tristes...
Motivo para sorrir,
Como para chorar
Ou quem sabe para odiar
O encanto amarelo intruso.
"O encanto selvagem perdido
Nas metrópoles sem alma".
É o cotidiano despercebido, amigo.
Valeu! Bom final de semana.
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