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De toda janela
Um ser me olha.
Em qualquer
Rua a chuva me molha.
Se é dia,
O sol me queima.
Quando chega a noite,
A lua vigia
Os meus passos
Trôpegos em busca
Do dia.
De qualquer esquina
Descubro
Uma reta.
Uma mulher ereta
Na porta aberta
Procura por sexo
Para o corpo vazio;
Me chama de lado,
Diz coisas sem nexo,
Quer é dinheiro,
Seu amor confesso.
E eu vou embora
Porque sei que há
Nessa mesma hora
Em qualquer lugar
Um cafetão de olho
No que vai ganhar.
Mas eu vou dizer
Que não há quem não tenha
Um olho que vela
De longe, na brenha,
Que espera o dia
Da sua morte
Pra correr no cartório
E se tiver sorte
Levar os seus bens
Sabendo que a partir dessa hora
Será ele o otário
Pois já há outros que miram
O seu inventário.
jjLeandro
tags: Araguaína TO poesia jjleandro poema poeta vigilia eterna-vigilia
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