Meu brinquedo
Eu
Era meu brinquedo:
Nas enxurradas
Nas tanajuras
Nas barrocas
Nas areias -
Que desciam da serra e ficavam -
Nos arcos-íris
Nos pirilampos
Nas bolas de meia
Nos babas
Nas bolas de gude
Nos piões
Nas borboletas amarelas:
Matérias-primas de meus castelos
Que desvaneciam tão rápido quanto meus sonhos
Em Conquista.
Eu era o que restava de alegria,
Imitando os pássaros,
Curumim de mim mesmo e
De minhas circunstâncias.
Eu,
Meu brinquedo.
Reminiscências de Vitória da Conquista, minha cidade natal. O frio conquistense jamais apagou o calor de minha alma nas lembranças de minha infância de carências várias, de lutas, mas forjadas em sonhos coloridos.
Como gostei! A palavra brinquedo povoou esta minha segunda-feira, e a reencontro aqui, assim, viva.
Aglacy · Aracaju, SE 30/9/2008 00:33trabalho grande de um reconhecimento perene intrínseco na alma humana no passar dos anos, gravado e em latente compulsão
Ecila Yleus · Recife, PE 30/9/2008 07:44
Que coisa mais linda... eu vivi isso, Poeta
e boi-de-bucha
e carrinho de rolimã
e estilingue
e banho de rio...
uma delícia ser brinquedo de si mesmo.
imaginação com asas vorazes por horizontes novos
um grande beijo, Poeta. Me alegrou o dia.
Noelio,
sua mensagem me lembra o poema de Pessoa, tão bem musicado por Tom Jobim. Os rios de tua terra sempre serão os mais fluentes, os mais bonitos, assim com as ruas de minha cidade serão sempre as mais bonitas, quando por elas eu andava coemendo acarajé. Obrigado por sua mensagem. Um grande abraço!
O Rio Da Minha Aldeia
Tom Jobim / Fernando Pessoa
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o tejo não mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Aglacy,
que bom ler a sua mensagem! Bom saber que este poema suscitou sentires agradáveis.
Grande abraço.
Ecila,
são essas sensações que nos fazem caminhar com segurança na vida. Tornam-nos pessoa. Obrigado pela mensagem. Abraços.
Ivy de pequeno e grande nome bonito!
De bela cidade,
De belas árvores,
De pessoas bonitas,
e boi-de-bucha
e carrinho de rolimã
e estilingue
e banho de rio...
Um beijo e fico feliz por ter melhorado ainda mais o seu dia, que cetamente será maravilhoso, Ivy.
Eu era meu Briquedo com certeza é: eu sou meu brinquedo. parabéns grande pensador, inlectual e poeta.
Coluna do Domingos · Aurora, CE 30/9/2008 11:21Grande Domingos, grato, meu caro! Abraços.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 30/9/2008 11:35
"...cantar,cantar e cantar..a beleza de ser um eterno aprendiz '...e reinvertar tudo, inclusive a si mesmo,quando o que nos rodeio é tão
áspero(nos falta tudo)....mas sempre há o rio,a borboleta amarela tão bela e o estilingue que nós mesmos fazemos com a vontade de brincar...que nunca devemos deixar morrer...
Ainda que nos falte tudo, temos a imaginação e o espírito alado que desvendam caminhos!
Lindo poema!
BeijoBlue
Um lindo poema!
Uma deliciosa lembrança.
Parabéns! Abraços.
Concordo com Aglacy: A palavra brinquedo povoou meu dia. Parabéns,. amigo Juscelino.
Poeta Devany · São Paulo, SP 1/10/2008 13:52
Curumim de mim mesmo, tb sou...
lindas imagens de reminiscências...
abs
estou com ivy Menon! Lembrei da minha infância a beira dos rios, lagos, brincando de finca de bola de guede, correndo no lombo de cavalos sem sela. A vida é feita de pequenos momentos!
raphaelreys · Montes Claros, MG 2/10/2008 08:09
Magnifico Poeta!
Me senti uma menininha...e como eu fui feliz!
Meu carinho pra ti!
beijo no seu coração lindo
de Poeta!
Juscelino, amigo
Belas lembranças da sua infância. Fez-me lembrar das minhas. Mesmo com nossos bolsos vazios, a nossa imaginação fértil de crianças sempre inventava momentos de felicidades. Crescemos, viramos adultos, nossos bolsos já não estão tão vazios, mas jamais conseguiremos recuperar o encanto de uma época que o tempo escondeu nas noites dos anos...nunca, felizmente, nos nossos corações.
Viajei no espaço com esse teu belo poema.
Abraços fraternos
Noélio
Tudo o que me vem e fala da infância, do regresso a um tempo que não volta mais... me emociona e cativa.
Que delícia de texto.
Que "brincadeira" saudável me proporcionastes...
Grata pelo convite. Quero mais...
(nem preciso dizer que queria votar mais...)
abraços
De fato Juscelino
A gente era auto-suficiente
e voávamos com nossas asas imaginárias
que hoje nem lembramos mais.
Belo poema de brinquedo.
um abraço
Corrigindo,
Amigo ,
Brinquedos que fizeram de vc um grande homem , aplausos ao excelente poeta que és. Abraço...
Poetas:
Devany, Domingos, Raiblue, Ecila e Ivy, muito obrigado e um abraço.
Raphael,
realmente, a vida é feita de pequenos momentos. Eles nos realizam como pessoa. Um abraço.
Celina,
com a sua delicadeza você sempre é uma menina. Um bj e obrigado, querida.
Querido Noélio,
sua mensagem viajou para meu coração e o considero um amigo. Grande abraço e paz.
Fátima, alegro-me por ter revivido em você momentos agradáveis. Obrigado pela linda mensagem. Um beijo.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 2/10/2008 12:11Edimo, sua mensagem já é um poema. Obrigado, meu caro. Abraços.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 2/10/2008 12:12
Delen,
grato pela consideração e respeito. Você é gente fina. Um abraço.
Orisvaldo, obrigado pelo voto. Um abraço.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 2/10/2008 12:15
"Ah! Curumim
Tu não sai de mim
Nada tão mais doeu
Do que a sua ida
Tão doída, tão doída
De tuas asas partidas
Tem pena d'eu...
Ah! Curumim..."
Cíntia,
você é pura poesia, mulher!
Um beijo.
Um poema maravilhoso e esse sentido do brinquedo é profundo. Uma outra visão... adorei.
Bj
Que belas reminiscências. Nada como os sonhos para forrarem as faltas do dia-dia.
Sucesso.
Votado.
E o poeta Juscelino se fez menino.
Com a inspiração que já aprendi conhecer.
Por que, ao me deparar com a sua poesia-brinquedo, lembrei-me de Vinícius?
"Sete em cores, de repente / O arco-íris se desata/ Na água límpida e contente / Do ribeirinho da mata."
Que os deuses do verso e prosa te conservem, poeta.
Eloy sempre gentil e fraterno.
Um grande abraço e obrigado pela gentileza de sempre.
Juscelino,
lindo poema
Éramos brinquedos de nós mesmos
Saudades da infância, do esconde-esconde,
da cobra cega, do anel e do rio.
bjssss.
Doroni,
não precisávamos de robôs!... bj
Verdade... não precisávamos de robôs! Precisávamos de peão, bolinha de gude, taco de madeira, bolas de pano... e vai e vai e vai...
Abração!!!
Obrigado Agassi e Paulla por suas presenças e votos. Abraços.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 3/10/2008 11:27
É verdade, Juscelino.
Somos curimins de nós e das nossas circunstâncias.
Gostei muito.
Beijos e votos,
Regina
Obrigado, Victor. Seja sempre bem-vindo. Abraços.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 4/10/2008 23:21
Sem dúvida todos nós fomos, somos e sempre seremos este brinquedo. Mas há uma grande diferença: Quando crianças, somos brinquedos de nós mesmos, movidos pelas emoções de cada descoberta. Porém,como adultos e idosos somos brinquedos de um sistemafalido, perseguidor, indiferente... Não vou prosseguir pois cada um saberá discernir sobre o que me refiro. Eu gostaria de ser criança outra vez; ser este brinquedo que ainda vive em mim. Quero retornar às peladas, pega-pega, esconde-esconde, polícia e ladrão, bolinha de gude... sim, meus amigos overmanos, eu quero...todos nós queremos.
grande abraço Juscelino
tarokid
Obrigado, Stella. Sinto-me honrado em vir meu poema trabalhado em seu mural de fotos. Grande abraço e obrigado pela gentileza e afeto.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 23/11/2008 17:06
Oi meu amigo Jusça....que saudades daqueles tempos, de andar descalço,tomar banho de chuva,se divertir com tão pouco....éramos felizes e não sabíamos...belo texto,parabéns amigo e feliz dia das crianças.bjcas.Maressa Marins
Maressa Marins · Brodowski, SP 11/10/2010 16:46Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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