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Eu, Montes Claros e o Hipnotismo

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victorvapf · Belo Horizonte, MG
17/9/2010 · 2 · 2
 

Eu, Montes Claros e o Hipnotismo...


Acho que peguei o trem para Montes Claros, mais ou menos às 9 horas da noite...
Central do Brasil ou Rede Mineira não sabe, só sei que o trem partiu apitando, fazendo-me lembrar de minha viagem até Zelinda, pequena Estação localizada dentro da Fazenda do mesmo nome, na qual passara minhas férias de janeiro...
À noite, de dentro do trem, sem passar por cidades, parece que estamos isolados, furando a escuridão...
Mas a sensação é muito boa, além de trazer boas lembranças, aquele cheiro de vapor que passa pelas janelas faz com que a gente se sinta realmente muito bem.
Depois de um passeio pelos vagões, qual fiscal, conferindo não sabe o que, volto e resolvo me deitar ao som gostoso do matraquear das rodas nos trilhos semi abertos.
Montes Claros aparece pela manhã, ao acordar, não a cidade, mas os montes que lhe emprestaram o nome... Um claro azul muito bem pintado pela natureza, quadro belo já banhado pelo sol...
Meu irmão já me esperava na Estação e de lá até a sua “república”, pois trabalhava no Banco do Brasil e com outros colegas “fundaram” a mesma, numa localização, que eu diria um tanto estranha: Em plena Zona Boêmia, ali em frente à geradora da Cemig e vizinha da “casa da Roxa”...
A casa tinha três quartos e o da frente eu ficaria com meu irmão, no quarto do meio com um fiscal da "Creai"(Carteira Agrícola) e no último um funcionário do Banco da Lavoura...
Cheguei com o café na mesa, pois eles tinham uma empregada que resolvia a parte doméstica, quer dizer, não iria ter problema com refeições, tudo sairia nos horários certos, pois meu estômago era exigente com relação a horários...
O primeiro dia é sempre o melhor, pois tudo é novidade e a exploração do ambiente foi devidamente executada por mim, depois que todos saíram para o trabalho...
Primeiro descobri livros sobre hipnotismo, Kal Wiessmann, mestre no ofício que eu tive oportunidade de vê-lo no Teatro Francisco Nunes em Belo Horizonte.
Não sei se devido ao show dado por ele naquele teatro, tendo me impressionado bastante, me interessei imediatamente pelos livros sobre o assunto.
De barriguinha cheia, pelo belo almôço oferecido naquele dia, me deitei folheando o livro que ensinava as técnicas de como hipnotizar, com um mínimo de experiência...
Fiquei curioso, pois achava que a pessoa para hipnotizar, deveria ter algum curso, ter um dom, ou mesmo um amplo estudo...Qual nada, desmistificava no livro tudo de complicado que poderia haver entre o hipnotizador e o hipnotizado...
Dizia em letras garafais: Ninguém hipnotiza e sim a pessoa é que se hipnotiza...
Mas como? Eu vi. Eu assiti o Professor, fazer uma platéia ficar com as mãos presas na cabeça... É bem verdade, que uma dúzia somente, os outros não... AH! Aí que está o “X” da questão… Alguns ficaram com as mãos presas... E diz no livro: Que tem pessoas suscetíveis ou não...
Quer dizer que é verdade: Somente estas pessoas foram hipnotizadas, ou, se deixaram hipnotizar...Conclusão: Qualquer um pode hipnotizar, depende de se achar quem é suscetível ao fenômeno...

Dias se passaram e tocando no assunto com meu irmão, me disse que no Clube de Montes Claros, numa reunião, ele hipnotizara uma pessoa, apelidada de “menininha” e que depois de ler o livro, se intitulou como “mestre” em hipnose...
Disse-me também que a tal “menininha” era a coisa mais fácil de aplicar a arte, pois era susceptível ao extremo... Bastava mandar fechar os olhos, que já estava dormindo...
Onde ela mora? Perguntei afobado, aonde?
Mora perto da pracinha e eu tenho por sinal um livro pra devolver pra ela...
Deixa que eu devolva, falei com determinação... Basta me dar o endereço dela...
De endereço na mão montado em sua bicicleta azul, me dirigi para sua residência...

No alpendre mesmo de sua casa, me apresentei e depois de lhe entregar o livro que emprestara, resolvi, levar a conversa pra uns assuntos mais particulares, pois a moça tinha tudo: Nova, bonita e muito susceptível... E eu estava ali, pronto pra aplicar a técnica que há poucos dias aprendera na “república”.

O papo estava tão animado e descontraído que eu arrisquei dizer que eu hipnotizava também, e que tinha aprendido com meu irmão.

Você me deixa hipnotizá-la?
Ora, pode! Seu irmão já me hipnotizou, vamos ver se você consegue também...

Exultante, iniciei minha primeira seção:

Feche os olhos, concentre-se numa pequena estrela lá no céu: À medida que eu for falando, você vai sentir uma vontade irresistível de dormir...

Repetia várias vezes, completei dizendo: Você já esta dormindo...

Daí por diante, vendo que ela estava dormindo, repeti todas as facetas que um bom hipnotizador usa...
Fiz voltar à idade de seis anos e a levei até 80 anos, ela tendo as reações esperadas, comprovando perfeitamente que não é o hipnotizador que hipnotiza e sim a pessoa que se deixa hipnotizar...



Sobre a obra

Foi a primeira e última esperiência, pois é preciso uma platéia para separar quem se hipnotiza ou não...

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Autoria
victorvapf
Ficha técnica
Todos tem esta técnica, poucos tem coragem de executá-la
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alcanu
 

Fascinante esse lance de hipnotizar...
eu adoro nos trens ficar passando de um vagão pro outro, por dentro !
Você desperta minhas criancices, Vitão...
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 16/9/2010 02:58
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victorvapf
 

alcanu, obrigado pela presença,

este, faz parte dos meus registros da memoria que eu vou colocando no papel para os que interessarem conhecer...

abraços

victorvapf · Belo Horizonte, MG 16/9/2010 07:59
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