Eu, em meio a tantas coisas que se transformam à minha volta, sou mais alguém tentando se adaptar a essas transformações. Mas não posso (e não quero) ser apenas mais uma pessoa dentre as seis bilhões que existem. Preciso me situar, conhecer a cada dia um pouco mais sobre mim mesma, para compreender o que me torna única e qual o meu papel, já que existem cada vez mais opções, deixando as escolhas mais difíceis ao longo do tempo.
Até me conhecer tem sido complicado. Os sentimentos, conceitos, ideais, que naturalmente pertencem a cada um, aos poucos foram englobados pelo coletivo, graças aos meios de comunicação de massa. É a globalização. A omissão do “meu” em detrimento do “nosso”. Sei responder com certa facilidade sobre os problemas da África, a crise mundial e a insegurança das pessoas com o aumento da violência. Mas quando as perguntas são mais individuais, como quem sou eu, o que é felicidade para mim e por que esta é minha opinião, as respostas não surgem com a mesma simplicidade e estas são as mais complexas, porém não deveriam ser. É irônico, pois a pessoa que mais me conhece sou eu mesma!
Gosto de imaginar como outras pessoas, em décadas e séculos passados, faziam determinadas coisas sem ao menos sonhar que aquilo poderia ser muito mais prático. É incrível mesmo, tanto que é difícil pensar como seria eu viver naquela época e, por isso, sou grata por ter nascido na era da tecnologia. Era tudo tão complicado, demorado... Escrever, por exemplo. Sem a caneta, imagino que levaria muito mais tempo para redigir este texto. Mas também penso que outras coisas eram mais fáceis, como sentar na calçada com os vizinhos no final da tarde. Com tanta violência, abrir a porta de casa hoje tornou-se um risco. E quem são meus vizinhos?
Nas próximas décadas, virão muito mais novidades. Entretanto, com elas surgirão também mais problemas, mais opções e escolhas ainda mais difíceis. Saberei tanto sobre o mundo e tão pouco sobre mim...
Uma reflexão sobre o homem em detrimento de seu tempo...
Sonia, fazer a diferença nesse mundo é uma questao mto pessoal.
Tudo se transforma, evolui e cabe-nos adequar e assimilar esse mundao de novidades.
Experimente cumprimentar todos com um leve sorriso...isso muda todo um contexto e ameniza nosso medo. Topas ?
bjsssssssssssss;)
Ali em cima, onde a Claudinha escreveu "Sonia" leia-se: Silvia. É que a Cláudia é distraída... Também, né, todo poeta é distraido, vive no ar, vive Ao Vento, fabricando poemas...
Mas vamos ao que importa agora: "Eu, sujeito de minha época, também "não posso (e não quero) ser apenas mais uma pessoa dentre as seis bilhões que existem. Preciso me situar..." como bem diz a Silvia Souza.
A Silvia nos dá um panorama de como são as relações atualmente: “Com tanta violência, abrir a porta de casa hoje tornou-se um risco”. Somos prisioneiros do medo.
“ E quem são meus vizinhos?” Esta pergunta é cruel. Quem são meus vizinhos? Tornando evidente o isolamento entre as pessoas, o abismo que há entre Eu e o Outro.
Porém há outro tipo de isolamento pior: “Saberei tanto sobre o mundo e tão pouco sobre mim...” Estou distante de mim, este o grande abismo. Enfim, acaba que não somos: “Eu, sujeito de minha época” e sim: “Eu, objeto desta época”
Putz ! perdão ! preciso trocar as lentes....ou lembrar de dar
mais zoom à tela......
Silvia.......Silvia...poetisa....ler-te me fez mtoooo bem.
bjsssss;)
Maravilhosa descrição poetica sobre o "EU"
Inspirador.
Parabéns!
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