EXAGERADO MARANHÃO
De onde eu vim,
Carolina —
não dos Estados Unidos
mas
do Maranhão, perto de Filadélfia,
não dos Estados Unidos mas do Tocantins,
bem ao sul, não do Brasil,
do Maranhão — tudo
é grande.
É grande a miséria do povo
e seus anos de servidão a senhores
que
não o honram.
É grande a palmeira adulta — o babaçu.
Perdem-se de vistas os domínios
quase feudais
dos grandes senhores de terras e seus
rebanhos
pascentes: gado bovino e gente sem dentes
sempre
com a cerviz abaixada.
É grande o rio que corre livre,
só ele
é livre do jugo de cinco séculos.
É grande a fé que incute a resignação
num destino
único que alia miséria e preces.
São grandes as ruas de minha cidade,
suas praças
e os homens pétreos que as habitam.
Estranhamente
também é
grande
a alegria do povo nos folguedos
e a certeza dos senhores
quase feudais
em seu mando
eterno: Luís XVI invejar-lhes-ia as belas Marias Antonietas
e seus pescoços de porcelana
que há cinco séculos
só conhecem beijos e colares.
De onde eu vim tudo é grande:
até a poesia e o inconformismo de seu poeta.
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