Varando o céu noturno,
À costa as costas dei
E às areias que ficavam
Inocentes, cálidas, ringentes,
Nem meu olhar de adeus eu dei...
O Norte tem outro céu
E não conheço essa Lua,
Gelada, frígida, invertida.
E já não quero ser eu...
Que parto de mim, assim.
Do povo da minha terra,
Que grita calado e cala
Reinando por quatro dias
Escravo aviltado, o resto,
Só mágoas nas malas levo.
Estrela Polar guiai-me
Já não tenho tanta vida...
Dá-me a luz de teu silêncio
Na bruma dos teus ares
E neve no meu telhado...
Nas praças as macieiras,
Carregadas de vermelho
Tão belas, não tentam evas
Castelos que são escolas
E escolas que são castelos...
Eu vejo as quatro estações
Marcadas e separadas
Que os anos vão estendendo
Lentos e sem surpresas
Pelas janelas fechadas.
Ó Norte quase imutável,
Domado e civilizado
Onde o tempo passa igual
O tanto que já me deste
Nem lembras e te repetes...
Seria muito o desejar
Do meu vizinho um abraço
Num cão que passa o afago
(Cujo dono eu não conheço)
E que me gela a alma no olhar...
Onde estão vossas jaqueiras?
Por que tão tristes os negros?
Que nem sabem o que é sambar...
E comem de um pão tão triste
Farto, abundante e sem sal...
Vai, pede emprestado ao Brasil
Não haverá aqui corações,
Sem medo de junto estar
De ser rei e de mendigar?
Pois não dá tudo no mesmo?
Vou voltar à minha terra
Que é povo, não é país
Daqui não levo saudades
E volto para onde tenho
Em cada esquina um irmão.
Apraz-me ler estes bem-trabalhados versos, oh! poeta!
Sabê-lo parceiro de cantos e sonhos, me enche de zelo,
senão de ânimo.
Perfeito.
Abraços do amigo,
Benny Franklin
Puxa, Benny, logo o meu ídolo... Ná! Isto são somente rabiscos sentimentais onde cometo um atentado contra a poesia... rsrs
De qualquer jeito, mesmo sem o menor mérito, muito obrigado!
Baduh
Que prossiga tecendo fios de ouro poético.
Assim, quem sabe, em breve tempo, estarei no Rio sendo autografado por poeta preocupado em fazer da poesia, a metralha contra os maus feitos desumanos.
Salve, Poeta Baduh!
a) Benny Franklin
Muito obrigado, Benny, é muita gentileza de um Poeta Maior para com um aprendiz... Um forte abraço do amigo, leitor e fã,
Baduh
Sei bem que te disse e repito
aqui há o fraterno abraço
há o rodar da baiana
e o coração no compasso
o norte é gelado por isso:
lá há deuses que não dançam
Agradecido, aplaudo tua sensibilidade Baduh.
Meu Mestre Adroaldo.
Sinto que fizeste esses versos de improviso, de bate-pronto! E são muito bonitos! Deuses que não dançam... pior: deuses que não sabem sambar... Não há brasileiro-brasileiríssimo, como sou, que aguente...
Lindos versos! Muito obrigado pelo tão gentil comentário!
Baduh
Baduh, o poema mostra tão perfeitamente a saudade, a mistura da "terra" com a realidade gélida, de "janelas fechadas" de lá.
Tocou-me muito a intensidade do que contou, nestes versos angustiados.
beijos
P.S. Como assim, nõa vale a viagem? Valeu muito, muito.
Aos meus amigos overmundanos (rsrs...):
Sendo este, realmente, um poema de descarrego, a minha alma quis expelílo, já há tanto, que quando o fiz, num repente, postei-o de imediato, sem nehuma espécie de polimento, o que agora faço.
São leves modificações, já que ainda está em edição (e onde a preocupação com a métrica deu lugar, de vez, ao coração...)
Desculpem lá as mudanças!
Beijos brasileiros,
Baduh
Baduh, que poemaço! Forte e terno desde a primeira linha de primeira.
Volto, voto e releio.
Muito obrigado, Poeta Franck!
São versinhos de uma amador (um amador da Poesia, dos Poetas).
A Poesia, muitas vezes, pode ser um bálsamo também para quem a faz - num sentido de desabafo, descarrego mesmo rsrs..)
Abração do amigo,
Baduh
Ficou bonito, você verteu bem em palavras os sentimentos de quem se vê afastado de seu povo e inserido num contexto completamente estranho. Você pincelou com beleza um tema angustiante.
Gostei de vários trechos, mas destaco esse aqui, que me impressionou mais:
"Do povo da minha terra,
Que grita calado e cala
Reinando por quatro dias
Escravo aviltado, o resto,
Só mágoas nas malas levo."
Grande abraço!
Muito obrigado, querido Marcato.
Nem é preciso dizer que precisei me afastar para saber o quanto amo este povo...
Um abração do,
Baduh
Baduh, poeta-amigo,... grande poesia! Imagino que deva ser a sua 'canção do exílio'. Adorei esses versos, que traduzem com muita nitidez a saudade comum a quem vive fora de seu país. O lirismo é reinante em todo o texto. Destaco, porém, os versos abaixo:
"Eu vejo as quatro estações / Marcadas e separadas / Que os anos vão estendendo / Lentos e sem surpresas / Pelas janelas fechadas."
Eu jamais saí do Brasil, mas do muito que ouvi de tantos amigos que moraram (ou que ainda moram) fora do Brasil, todos são unânimes em afirmar que 'calor humano' igual ao nosso não há, e isso compensa quase todas as mazelas do país.
Parabéns,... se tivesse que resumir seu texto em apenas uma palavra, eu diria que está 'emocionante' (sem que isso signifique reduzi-lo).
Grande abraço, Poeta!
Meu amigo e Poeta-Grande, Lobodomar.
As tuas palavras são de enternecer, desvanecer o meu coração.
Pois sinto que sentiste a emoção que desejei passar.
Muito, muito obrigado mesmo, querido amigo!
Abraços,
Baduh
É Baduh...
Ficar no chão que não é teu
Um ar que não é teu
Do inglês ao francês
Sem o portugues
Na Niagara Falls
de águas gélidas
Que não cantam
Uivam...
E o teu grito é mais alto e mais quente:
"I dont stay here! I want to go back to..."
Poemaço!
Baduh, o que falar de alguém maior?
abraço forte...
Cintia..
... to Bahia!! rsrs
Escrevi essas linhas após ter visto o filme "Ó, pai, ó", uma ode de amor ao Brasil, uma visão de nosso país, a partir de Salvador, que me deixou emocionado até às lágrimas. Recomendo, para quem ainda não viu. Esse filme retrata uma cidade, que entre brigas, desentendimentos e misérias, está repleta de amor e de calor humano. Impossível a um brasileiro, viver longe de seu país. Morre.
Muitos beijos e muito obrigado por tão carinhoso comentário.
Baduh
Baduh, o mais bonito ficou belíssimo.
E li perfeitamente o seu coração cansado de gelos e névoas.
Vim votar e encontro ainda mais beleza.
beijos
Queridíssima amiga Saramar.
Muito obrigado! Vindo de uma poeta imensa, com és tu, desvanece a alma!
Um beijo do,
Baduh
Amador, Baduh, e, aluno atento também, sou eu.
abço.
Obrigadíssimo Poeta!
Baduh
Vo(l)tei. Para que, o meu humilde voto, erga este poema, ao cimo do Over.
Assim seja.
Abçs. Benny.
Muito obrigado, Poeta!
É apenas um lamento do exílio... Graças a Deus, voltei!
Valeu!
Baduh
Linda foto, lindos versos...As vezes nos exilamos de nós mesmos, não é verdade...É o pior dos exílios...O vazio...A saudade...
BJS
CRIS
Fechada a votação!Publique-se essa beleza!!
Salve. Baduh!
Que lindeza de versos e fortes sentimentos.
Sou muito como voce. Meu apego é poderoso às coisas de minha terra, os sons, os gostos e os poetas do samba, das ruas e frestas.
Salve, Baduh!
Menino que volta encharcado de lágrimas e confetes. Passista de primeiros versos confessados , grande mestre aclamado!
Salve, Baduh!!
Lindas palavras...lindos...
Estrangeiro! Sei bem a dor de ser... Você descreveu com perfeição o sentimento de viver longe da terra em que se nasce... andar por calçadas que não nos conheceram crianças... Tenho um poema que fala sobre o exílio... O seu... "Exílio"... muito forte e carregado de sentimentos verdadeiros! Junto com a foto das baianas... então, um primor! Parabéns! Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 1/10/2007 19:42
Baduh.
Teus versos são raízes de um talento que rápido virou uma grande floração no overmundo.
Excelente, parceiro.
Noélio
muito bom , Baduh.
confesso que ainda não havia lido nada teu até agora.
Parabéns!!!
abraços,
Cris: É uma honra receber teu comentário e teu voto. Gratíssimo!
Rangel: Obrigadíssimo. Doeu muito mesmo, rapaz! Quando cheguei, depois de 5 anos sem vir, chovia e fazia calor... Estava uma bagunça o trânsito. Muitos buzinavam e xingavam... E eu chorava de alegria...
Nydia, querida e linda Poeta: Só não rasguei meu passaporte e citzen card canadenses, porque custei demais a obtê-los. Quando me perguntam, de lá, se um dia voltarei... respondo: sinceramente, desculpem, mas, nem para visitar!
Noélio: Obrigado, querido amigo. É muita bondade sua!
Marcos André: Agradeço, de coração. Muito obrigado amigo!
Baduh
Votado!
Porta Bandeira!
Bjus
Parabens, este tem que ficar bem na frente!Victorvapfvotado!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 2/10/2007 06:21
Muito obrigado, Cintia, belíssima Poeta!
Victor, valeu, meu irmão, muito obrigado mesmo!
Baduh
Mas estou eu resvalando aqui (as coisas estão apertadas pro meu lado!) e eis que avisto meu caro Baduh, com uma poesia. Todo mundo já falou muito e disseram a mais pura verdade. Gostei demais! Já é uma das minhas favoritas!
"Seria muito o desejar
Do meu vizinho um abraço
Num cão que passa o afago
(Cujo dono eu não conheço)
E que me gela a alma no olhar...".
Mandou bem demais...
Abraço!
Salve Baduh!
Querido amigo Cícero.
Vindo de alguém como é você, de quem sou fã, é um elogio de deixar a gente tonto... Muito obrigado, Artista!
Baduh
O jeito foi ir embora pra Passárgada... mas que bom que você voltou Baduh. As outras terras, para muitos, são tão solitárias como os mais altos píncaros. O Brasil. Ah, o Brasil!!! Vamos fazê-lo feliz Baduh...
Um abraço do teu amigo.
Muitíssimo obrigado ao meu "padrinho" no Over, Filipe! Aquele que primeiro me acolheu com palavras de amizade e de incentivo!
Amanhã, de manhãzinha, estarei sobrevoando Natal, no rumo de Fortaleza, onde tenho trabalhos bravos, por uma semana. Não fosse o tempo tão escasso, faria uma parada na Terra do Sol, para juntos tomarmos uma cervejinha. Ficará para a próxima, se Deus quiser!
Grande abraço, meu grande amigo talentosíssimo!
Baduh
Fala Baduh!!
Mais um irmão de esquina te saúda. O Brasil, ah o Brasil...
Com admiração
Mansur
Que beleza de versos lindos cheios de menságens positivas, amiga Baduh. A foto das baianas também está uma graça. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.
Voltei para votar.
Carlos Magno.
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