A crueldade fez hora extra
Na pele negra
Mas pele não desbota
A golpe de chibata
Ainda que você não note
Eu trago marcas de chicote
Nas minhas costas.
O surdo que você escuta a noite
É couro do meu corpo gemendo de dor
Das pancadas do senhor/ do sofrimento
Fazemos samba de amor/ e lamento.
Somos o bagaço da cana
Que nós mesmos plantamos e colhemos
A garapa foi servida a todos.
E nós, o bagaço adubamos esta terra.
Servimos o café.
Servimos o algodão
Servimos as estradas/ A construção civil.
A mineração.
Servimos o leite de nossas mães
A força de nossas mãos.
E hoje na pizza da civilização
Somos o entregador.
A senzala hoje tem quarto e sala.
É na favela/ ás vezes é de cimento
Tem até televisão/
Onde galãs brancos do lucro
Escraviza, sua atenção e seu tempo.
Os pelourinhos atuais
São os distritos policiais.
Onde o filho chora e a mãe não vê
Porque esta lavando os degraus
Das escadas do sistema social
muito bom, mestre sebastião. veja se você gosta da minha poesia
"brasis" . não sei se você chegou a ler, mas trata justamente dessas desigualdades.foi publicada , há algum tempo já.
abraço,
Caro Firmiano,
Esta bela poesia soa como um lamento...E tinha que ser assim.Vivemos alguns milhões de anos e chegamos na aurora do homem. Nossas origens são primitivas, então esperar o que de seres que até ontém eram simples mamíferos que vagavam pelas estepes africanas...
Meu caro Firmiano,
Tinha que ser assim... Caso contrário vc não levantaria a voz e com certeza nos teriamos chegado às estrelas...Mas não seriam os humanos, aqueles sobreviventes de 4.5 bilhões de anos cujos últimos parentes foram macacos...
Caro Firmiano. Tinha que ser assim.
Não esqueça, aurora do homem!
saudações pantaneiras.
Pois é, meu caro Arlindo.
Tinha que ser assim e assim ta feito.
Só que:Todos nós sabemos que o barco da civilização esta a deriva,
e sempre é preciso tentar uma correção de rota. ( Assim como você e o amigo Castilho) em defesa da natureza e deste santuário
que é o Pantanal, eu tento pactuar com a minha raça na luta por
um reparo das injustiças sofridas.
Quem briga por idéias acaba tornando a vida menos inútil.
O leme ou o timão sempre esteve na mão das mesmas pessoas,
e nessa diáspora tanto negra como judáica você imagina quantas cabeças com inteligência e talento não foram cortadas?
Na verdade, eu nem acho que tinha que ser assim.
Dizer que tinha que ser assim é como se agora eu sentasse e dissece" Tem que ser assim". Então, vou gastar ãgua a vontade
deixar secar rios, derrubar matas, em nome de um pseúdo progresso, que já sabemos não é bem assim.
Caro Firmiano,
Justíssimo.Ser assim não significa ficar calado ante as injustiças.Tão pouco ficar sentado. Significa que a trágica e fantástica evolução vai se ocupar de deixar somente pedras ou aqueles que serão pedras - pessoas como vc.um poeta forjada nestas mesmas fornalhas.Saudações
Ô, meu rimão Arlindo!!
Tô aqui, imaginando o seguinte:
Você é o tipo de cara da alta cultura que vem aqui humildemente
fazer seus comentários sobrê meus poemas mal feitos. E eu deveria
simplesmente agradecer. Mas sou animal inquieto.
Penso que nessa fornalha onde somos forjados há muito material
menos resistente que derrete e escorre por outros caminhos e sulcos indo assim ocupar espaços menos decentes.
Muitos se perdem.
Se eu, por sorte ou qualquer outra coisa resisti sem desintegrar
totalmente. Tenho no mínimo o dever de lutar e defender ainda que modestamente os que resistiram menos. Minha vóz é muito
pouco, minha poesia é nada, mas é no mínimo o sinal do meu descontentamento que continua.
Obrigado.
Abraços.
E a partir de agora te considero no rol dos meus confrades.
compadre
Aqui no pantanal a gente tem compadre - comemos coscorão com café preto juntos. Tuas palavras são cuidadosas,matreiras e cheias de enfeites, coisa de poeta...Tem coisas de verdades e outras elocubrações.(Não me considero da alta cultura, apenas um curioso com tino de artista).
Vou lhe confessar algo; ha muito que tenho visto teus poemas e escritos - votei em alguns outros não.Em teus comentários, que sempre li, encontei algo de notável... Senti a presença de uma criatura atemporal,curiosa e que aprendia muito rápido.E no passar deste pequeno tempo, vi uma "evolução" no que vc escrevia. Hoje gosto de tudo,principalmente dos teus comentários, simples,verdadeiros e profundamente poéticos.
compadre Firmiano,aqui no pantanal é assim... Quase tudo,inclusive o entulho, vira poesia.
Um dia destes comeremos coscorão com café e falaremos de céus,matos,estrelas,grilos e outras coisas sem importancias divinas...
Abraços
Quanta nobreza, mestre Firmino, ao falar dessa realidade tão triste que teima em não padecer!
Muito, muito bom!
Poesia forte, honesta, direta... algo entre o soco e o afago firme da mão calejada. Poesia de sabedoria simples. Um lamento sim, mas um lamento sem lamúria.
Adorei!
Abraços do Verde.
Bela poesia! E um bom casamento com a foto. "Bom apetite" caiu muito bem numa alusão a quem está sendo devorado pelo sistema. Também como capuz é uma referência à marginalidade: roubos assaltos, etc. Muito legal e criativo quando vc diz: "O surdo que você escuta a noite/É couro do meu corpo gemendo de dor". Firmiano, firme em sua poesia de denúncia e de forte cunho social.
Abraços, mano!
Poisé,
Meu caro Carlos ETC, te vejo também com um amigo que me prestigia com comentários bondosos.
Obrigado.
Daniel Verde,
Não madure nunca.
Você JJ, me envaidesse cada vez que aparece.
Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 23/1/2007 21:57
Sebastião, depois de tudo que já comentaram, só me resta dizer. Parabéns pela luta. Continue. Quem espera sempre alcança.
Jotaoliveiraa · Brasília, DF 23/1/2007 22:59
Apesar de me ver no espelho como um branquelo, não me sinto assim..
Sinto-me com as cores de minha família - índios, paraguaios e negros.
Uma pequena parte desse Brasil colonial. Vejo refletido no cotidiano da sociedade esse negrume de rancor: cotas raciais, ocupações de terras indígenas, sem falar no sub-emprego que grassa a classe mais pobre. Penso que o Brasil sobrevive a todos esses males, e também ao grau de marginalidade que permeia a política, porque somos a pele dura de cicatrizes que a tudo absorve. Se um dia o povo escutar o poeta, escutar o lamento, o choro das senzalas, certamente verão cerrando fileiras, Sebastião, Arlindo e demais homens de bom coração.
É som de preto, de favelado, é som de um país que não quer calar!
De seu irmão de sempre, de sangue e de poesia.....
Deus sabe!
Como eu queria votar nas eleições como acabei de votar em você!!!
Meu irmão,
Com você, com Felipe Simpatia, com Arlindo Fernandes, com J.J.
Lenddro, com artista de um modo geral, eu me junto em qualquer
situação. Mesmo porque a arte é todas as cores em comunhão.
O artista quando defende uma idéia, um ponto de vista, ele só
esta sendo leal a sua opinião, ao seu ideal.
Ja as pessoas de um modo geral (anossa sociedade como um todo).
Que educada de modo hedonista, capitalista, quando defende ou luta por algo, geralmente este algo é sí próprio, é para levar vantagens ou lucro em determinada situações
Continuação:
Por isso é que: Creio na arte,porque dificilmente o artista vai contra príncipios humunistas,por isso estamos eu você e tantos outros aqui, as vezes errando as vezes acertando, mas defendendo
causas e sonhos ,que, quando não são pactuados por todos,
pelo menos lhe deixam a liberdade de gritar.
Abraços
Obrigado.
Diga mais! Tião! Diga mais!
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 28/1/2007 09:37
D. mais
Porque é nós
E se não for nós/ ai é pior
Porque nós, é pio que nois ainda
E então não? Pois num é disso que nóis veve, mermão?
É isso: Nóis sofre mas nóis goza também.
Aí, Sebastião, vim e vi!
Cara, gostei muito de seu poema. E também de muitas das coisas postadas pelos seus leitores. Fico feliz de termos nos batido com poemas: "o que a poesia une, o homem separa".
Você consegue extrapolar o pragmatismo da militância (que, altamente necessária, se faz presente).
Também vislumbrei um lamento, porém tenso, nada dócil, entreguista, caricato, caridoso ou escapulista como são muitos poemas da negritude na linha de Castro Alves e Jorge de Lima.
Fico feliz por saber que encontrei mais um parceiro novo nesta linha poética sem a vaselina da submissão. Sem a dobra aos modelos Hegemônicos - "deles".
Ando pensando muito na necessidade de ampliarmos esses trânsitos, contatos e escambos. Há uma geração anterior bacana na poesia de negritude, mas sangue novo pode trazer traçados novos. Pode não, traz!
Algumas das imagens e mesmo versos do seu poema são muito próximos de traços meus. Impressionante. Acho que te plagiei antes de te conhecer.
Mas prefiro pensar que estamos numa mesma vibração.
Repare uma coisa:
"Somos o bagaço da cana
Que nós mesmos plantamos e colhemos
A garapa foi servida a todos.
E nós, o bagaço adubamos esta terra."
“Somos os estalos dos talos ceifados sem tréguas em nome da opulência
os mordidos nos dentes da verdade corporal
os mascados nos cilindros da mentira colonial
os moídos nos ossos até se contorcerem as fibras do bagaço”
Este trecho pertence ao meu poemas "Muleke de engenho", também de MInha Gramática da Ira, que em breve estará socando os racistas e entreguistas na rua.
Irmão: uma felicidade te ler!
Tamo junto!"
One Love!!
Com Respeito
Castro Alves de pé te aplaude, através das considerações de todos nós. Acho que fica bem resumido meu entendimento.
Saudações Cordiais.
Rapaz, que coisa linda que você escreveu, poeta, Sebastião. Eu adorei mesmo. Meus sinceros aplausos.
Carlos Magno.
Grande Mestre Tião!
Que faz samba de amor e lamento...
Se der samba quero ter o prazer de ouvir...
Grande abraço e parabéns por seres quem tu és!
Abçs.
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