Cansei do descaso
Mesmice que criei
Vi vidas ambulantes passarem
Olhei para o lado
Chorei por você
Bêbado feliz, por um triz
Pagando rodada de bebidas
Bares e risadas, um infeliz
E o menino na calçada
A buzina do apressado
Nas voltas e idas decaídas
O buzinaço do jogo ganho
Os cartolas rindo do outro lado
A pasta do executivo
Esnobe motivo
A faca transparente
Matando um pedaço
Do doce, um bocado
Não olharam pro meu lado
Faróis pedintes
Esperança vermelha
Quem sabe...a seguinte
Por acaso me viu?
uma luz, luz neon
Confesso que vivi
Condenada e malfeita
À espreita, um pecado
Um laço na cintura
No pescoço, no talo da flor
Sufocada pela ferradura
Sem aquele abraço
Na pele, o tempo
Aquele roubo, uma ladroagem
Dor imensa e densa imagem
Marginal, eu à margem
Alegria sonhada, grande gargalhada
Brincando de casinha
E comidinhas e bonequinhas
E uma vida hortelã
Perfeita com sexo
União e amor, família sã
Talvez um caso por acaso
Por descaso...
Cansei de brincar de viver
De amar por amar
Armar barraco
Um pedaço do circo
A lágrima no palhaço
As luzes no chão, caso encerrado
E sangue ensopado círculo
No lenço que era a paz
Apenas um aceno
Uma bandeira branca
Perdida
Cíntia Thomé
Livro Olhos de Folha Minha de minha autoria Livraria Saraiva
Ai Cíntia, esses seus versos "bateram" fundo aqui...
Doído de tantas realidades sintetizadas, de tanto desafeto que paira sobre nós, dentro, fora, sobre, entre todos...
Deu para engolir em seco:
"Um laço na cintura
No pescoço, no talo da flor
Sufocada pela ferradura
Sem aquele abraço"
sem palavras, sem afeto, sem abraço...
Que seu grito de alerta/desabafo possa tocas corações...
Parabéns
Com abraço apertado
Oie meu anjo!!
Que belo texto.
Amei minha flor.
Imagina se eu passaria por aqui sem te ver, sem te ler e sem agradecer à Deus pela sua poesia?
Obrigada, amada Cintia, por vc nos permitir saber desse seu maravilhoso talento.
Um bjão
Oi, Flor.
Teus poemas são ânimo de Vida.
Bjs.
Benny.
Cíntia, foi bom passar por aqui.
A vida é realmente difícil, cheia de desilusões e você consegue mostrar isso em seu poema.
Beijos.
Flashes do cotidiano na grande cidade e seus signos marcantes. A solidão, o burburinho e as contradições. Nos faróis luzes de permissividade e negaça - a ordem é um passa-não-passa. Nos neons a cafonice das letras de vidro a sugerirem luzes de sonhos (idos), Aladins e mágicas de laboratórios. Na cabeça, do Hesse o "Jogo das contas de vidro" - síntese desse ocidente obtuso e vazio - oco como o olho do Siroco. Naquela pasta do executivo tão cheia de contratos, canetas, calculadoras, agenda, cartões, talões de sheiks, cordões de marionetes, ipod ? um prosaico frasco do Vitto-rio, for men, neuroluxe, Paris, (consciente de que fede) - enfim o kit-sobrevivência na selva dos bugios penteados. rs. E você a querida poeta observa transeuntes, pedintes, ambulantes, flanelinhas do reino Camelot redivivo e suas ruas cheias vazias de camelôs no buzzz-in-aço que comemora o zero-a-zero que (des)classificou o dreams-team porque afinal é preciso haver algo que se comemore com "chopps" existencial nas távolas redondas.
Bandeira branca amor, não posso mais, pela saudade que me invade eu peço paz. Saudade mal de amor de amor, saudade dor que dói demais . Vem meu amor, bandeira branca eu peço paz .
A faca transparente
Matando um pedaço
Do doce, um bocado
Parabéns, Cintia.
vo(l)to.
bjs.
Marco.
Cíntia,Bom dia.
Meu nome é Ygor,filho da clara.minha mãe está impossibilitada de comparecer,me intimou a cumprir sua agenda que pelo que vejo é constante.
Muitos nomes,muitas cartinhas que chegam sem contar que fui obrigado a deletar mais de 6.000 e-mails que chegaram em seu outlook.Dei minha palavra a ela de que viria ler e votar.
Espero poder fazer tudo o que prometi,mas se eu demorar é pura falta de tempo.
Abraços.
Cansaços dos descasos da vida vivida, de brincar de viver... de amar por amar...
Cíntia, uma linda poesia e sem meias-palavras.
Beijos.
E o menino na calçada
A buzina do apressado
Nas voltas e idas decaídas
O buzinaço do jogo ganho
Os cartolas rindo do outro lado
A pasta do executivo
Esnobe motivo
Cintia, poetamiga: seu poema é um alerta, desses que a gente nunca esquece. E como esquecer uma criança pedinte pelas calçadas? Parabens, minha irmã das letras. Bjos.
Que olhar fantástico,Cíntia,sobre o novo-sempre- o-mesmo-cotidiano!
Alguns elementos da modernidade,mas a dor...a solidão...as angústias..a indiferença...a falta de amor....os sonhos roubados...o grito amordaçado...são os mesmos....Apenas a tua poeisa faz a grande diferença e clama por todos nós!!
Estamos todos cansados de viver nessa ciranda de pedra!
Mudar é preciso..e seus versos proclamam isso!
Vamos todos de mãos dadas!
Parabéns,minha querida poeta!
Beijinhos azuis infinitos...
Raiblue
p.s.gostei muito da imagem!Muito simbólica!
A tua poesia é magestosa e envolvente amiga Cintia. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.
Estou eu cá a apreciar, a contemplar, a me fartar e muito a aprender! Sabes o quanto aprecio e admiro teu trabalho...
beijos e beijos
votos e bjos e abços,
Precisamos de mais afetividade no mundo e seus versos são muito pertinentes.
Oi Cintia, o poema traz um olhar certeiro sobre as arriscadas tentativas dos humanos em serem felizes. Muitos nem conseguem se dar conta de que é ou não pssivel dizer basta, mas cada um a seu tempo e jeito vai levando a vida. O cotidiano é cruel aos olhares sensiveis de um poeta. O poeta quer sempre por a palavra certa na ação certa. Você consegue com seu olhar de lince perceber e acertar pontos que pelo menos dentro da gente se tornam arestas aparadas.
Parabéns pelo poema consiso, porém amplo de significados.
Palavras usadas em açoes certas que trazem alento ao coração do poeta.
Beijos
Estou abrindo a votação.
Aqui, votando, Cíntia.
dando os parabéns
beijo.
Amigos queridos.
Chegando do hospital e sem poder escrever muito.Deixo para todos meu carinho e votos.
Sereia, sabedoria é pra quem tem. Certo dia li um texto que falava do poder que tem as palavras. Concordo com isso cada vez que te leio. Bjo................................
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 21/6/2008 13:44
Tanto desarranjo, no mundo, nalma única, em qualquer vida, todas pobres, neste poema, todas tristes.
Um retrato do que somos? Aquilo que nos tornamos, bestas de nós mesmos a construir solidão?
beijos
Cintia querida,
Desculpas por tantas ausências.
Mas estava fora e tudo é mais difícil.
Chego a tempo de ler esta bela pérola.
Deixo meus beijos e votos.
Carinhosamente,
Regina
E a gente se pergunta, até quando? É facto...
Certeiro.
bjs.
Cintia, falar de suas poesias é meio complicado porque vc sempre acerta no ponto que nos incomoda, já sei, coisa de poetisa, jornalista e de DEUSA que consegue ver mais que os humanos. VC NÃO EXISTE!!!
Parabéns pela beleza de expressão no poema. Ainda bem que vc existe por aqui!!!!
Bjos querida.
Cintia,
Leio, aqui, mais um poema com a marca forte do teu estro.
E vejo-te na dialética “eu x orbe”, na linha daquele pensamento drummondiano: “tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”, ressumbrando a tua indignação e o teu inconformismo com o taedium vitae: os desequilíbrios e descalabros que conspurcam os nossos dias e dilaceram as nossas expectações.
No dizer de T. S. Eliot, a mente do(a) poeta funciona como um receptáculo, um meio, um catalisador. Sim, isto é facto. Assim escandes teu 'eu-poético'. E é assim que sentimos - de fato - a estesia deste poema.
Meus votos (com prazer)!
meu voto e meu beijo!
Cherry Blossom · Dracena, SP 22/6/2008 00:32
Orquídea!
Rubênio têm razão: dialética Eu x Orbe.
Excelente, como sempre.
Bjs.
Gostei. Você mostra a dureza da vida, tantos poroblemas... Arrepia.
Beijos.
Cintia, estou atrasada mas trouxe meu voto para seu " Facto" que espelha uma realidade gritante dos desenganos e amarguras que a propria vida nos prega, tão longe de proporcionar a paz almejada. Bjsssss e meu carinho
Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 22/6/2008 19:15
Lindooo texto anjinho lindo...
Rsrsss vc escreveu uma poesia
que me fez lembrar de bons tempos.
Bjs e votei,boa noite!
Essa imagem grita, urra
não sussura mais
Diz antes o que os versos
já me disseram em tua
página fria de paz,
sangue na pedra branca
Acabo de ler você Adroaldo ...e aí vem uma triste noticia pra todos nós brasileiros
Ruth Cardoso, a Dama Primeríssima do Brasil se foi e a bandeira branca se ergue...Grande mulher, grande antropóloga, socióloga...grande...
Lamentável...lamentável...não acredito...
Lamento, de um modo outro,
Confrangido pelo passamento
Condo-o-me contigo, Cíntia,
embora na diferença, amigo.
Um beijo. Um forte abraço.
Estive com ela no ano de 95 na chacara de minha tia, já doente, em Araraquara...
Uma discontraída tarde e comecei a admirar , só isso, sem partidos, sem politica...
Compreensível: justo e humano. Como és.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 24/6/2008 23:03bonito, cinthia. estou aqui, tentando voltar! :c)
André Gonçalves · Teresina, PI 25/6/2008 12:22
Pois é, Cintia, cansamos mesmo diante dos descasos...
Cansei do descaso
Mesmice que criei
Vi vidas ambulantes passarem
Olhei para o lado
Chorei por você (...)
Mas ainda bem que há acenos de PAZ!
beijão
Cíntia Thomé, em primeiro desejo agradecer seus comentários ao meu texto, em segundo, quero lhe dizer do meu contentamento em poder ler seus versos, onde vejo o trabalho das palavras numa poesia moderna, atual, muito significante, meus parabéns, dei meu voto, e me avise quando entrar ao Banco.
Desejava um contato em meu e-mail com sua pessoa, pois acredito estar diante de uma grande escritora, e tenho um convite a lhe fazer,atenciosamente,
Efigênia Coutinho
avspe@avspe.eti.br ( meu e-mail)
gosto do seus comentários,e suas poesias tem um algo a mais que me fascina,um forte abraço.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 1/7/2008 21:16
Facto, ou crônica do dia a dia. Fantástico.
abraço
andre.
Cá estou! Gostei!
Parabéns.Voto certo com um beijinho doce, Sílvia.
obrigado pelo elogio, é de grande valia e gosto de ler o que escreve é de grande esplendor.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 6/7/2008 11:03Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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