FAROESTE QUASE CABOCLO

Painel Coletivo / Autores Desconhecidos
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LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP
20/11/2007 · 93 · 7
 



FAROESTE QUASE CABOCLO - LEMBRANDO RENATO RUSSO

( Lailton Araújo )


Nas regiões rurais brasileiras o bem caminha lado a lado com o mal e nessa “ladainha”, aparecem nos cartórios de registro civil - pessoas de vários “credos” - que deixam nas folhas dos livros centenários, nomes como “João de Santo Cristo”. É a referência da fé católica: herança dos colonizadores.


Um cidadão qualquer - também chamado de “João de Santo Cristo” - registrado como cidadão brasileiro num município do interior baiano... Cresceu. No percurso dos atalhos da vida, mudou o caminho de uma educação conservadora e tão comum nas pequenas cidades do Brasil! O estopim: a morte do pai “Seu Santo Cristo”, assassinado por um capanga qualquer. O ódio latente na personalidade do “caboclo” manifestou-se de forma incomum.


Eram três da tarde e os pássaros bebiam nas cacimbas. “Seu Santo Cristo” (pai de João) voltava do “Sítio dos Mulungais” após trabalhar em uma tarefa (serviço de empreitada na roça) do “Finado Zé Machado”. O galope do cavalo em que vinha montado, tinha o cansaço do verão nordestino e deixava o som compassado, com ritmo próprio e melodia fúnebre - própria do repertório da “Banda R-45”, retreta da redondeza e especializada nos enterros de personagens dos conflitos rurais. Ouviu-se o barulho de um tiro! Ruído forte e seco. Um corpo suado e sujo de barro caiu. “Seu Santo Cristo” havia trabalhado em uma olaria. Ele sangrava o sangue dos justos, sem terra e coberto de terra... João Cabral de Melo Neto ficou sabendo da estória. Ou era história? Sei lá... No Sertão as cenas de crime são apagadas. Com o tempo viram peças teatrais, com trilhas sonoras e financiadas pelo próprio governo que não investiga o culpado do crime. A cena do tiro mortal lembrava uma aquarela renascentista de “Leonardo da Vinci”.


Nos pesadelos de “João de Santo Cristo” vêm imagens da tragédia do passado. Um quadro colorido e cheio de santidades aparece nos sonhos. São bloqueios contra os atuais instintos de vingança e falsas justificativas para suas delinqüências na cidade grande. A violência não justifica a violência!


Outros “Joãos” com ou sem “Cristos” e desprovidos de santidade - com um grau de dramatização tipo “terror da cercania” (Cercanias de Canudos?) - aparecem em cópias literárias na forma de crítica, letra e música em 2007. O mundo globalizado virou pasteurizado. Sem saber como classificar em faixas etárias “Lampião Rei do Cangaço” - disfarçado em “Faroeste Caboclo” - o grande Renato Russo protesta... Colocar um texto social (complexo) como ficção, soa como falta de sensibilidade literária. A violência já é um fato. A censura é a conseqüência! O autor vira aprendiz...

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informações

Autoria
Lailton Araújo
Ficha técnica
Inspiração: Faroeste Caboclo (Renato Russo)

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Cintia Thome
 

Lailton...a violência não justifica violência...texto bacana, boa colaboração para o Overmundo , aqueles que apreciam um bom trabalho e texto sem precisar se empoleirar em outros, sem usar veladamente inocentes, para querer ser importante num mundo tão já sem precisão, não é "mermo"?

Cintia Thome · São Paulo, SP 18/11/2007 10:27
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brigitte
 

Lailton,amigo
texto denso. Cabe aqui a reflexão apresentada no texto. Violência a troco de quê ? Execuções, assaltos, assédio moral e sexual, pobreza e etc., tudo isso reflete a desestruturação da sociedade, para a qual só vale a liquidez ($ ).Quem tem $ tem reconhecimento e valor. Um tempo difícil esse nosso.
Até mais.

brigitte · Goiânia, GO 18/11/2007 20:55
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Cintia Thome
 

Volto aqui para votar neste excelente trabalgo e colaboração...lailton, volte teus olhos e forças a estes textos maravilhosos...deixa as águas rolarem...Perfeito texto. abçs.

Cintia Thome · São Paulo, SP 20/11/2007 01:56
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azuirfilho
 

PObreza, Miséria, desigualdade, crime organizado e violéncia náo punida exemplarmente.
Contra o .....FAROESTE QUASE CABOCLO....
que, mata brutalmente a nossa Juventude mais carente de tudo e até mesmo a medida em que se envolve nas drogas, também carente de amor.
Sempre todos unidos por um Mundo Melhor.
vamos aspirar e sonhar sempre.
Um Mundo Melhor é possível e há de ser no final.
Parabéns pelo Trabalho tão tendo a ver com o mundo em que vivemos.
Voto no merecimento do Trabalho.
Abração

azuirfilho · Campinas, SP 20/11/2007 09:32
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PIERROFXZ
 

Spero poder ler +, d sua forma d expressar...
At +, 1 abrço.

PIERROFXZ · Lages, SC 21/11/2007 01:40
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Lili_Beth*
 

Querido Lailton:

Texto belíssimo!

Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 21/11/2007 12:58
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LAILTON ARAÚJO
 


RUMOS CULTURAIS... FALTAM BÚSSOLAS

( Lailton Araújo )


Os navegantes do “Oceano Atlântico” tentam descobrir o segredo das tempestades, calmarias, ondas, marés e águas navegáveis, neste lado continental. Talvez não conheçam a geografia destes mares. A nação da análise é Brasil ou Brazil?


Estando em qualquer porto seguro, as naus dos descendentes lusitanos, franceses, ingleses e holandeses, caminham na escrita em 2007. São textos, poemas, letras e rascunhos. As criações literárias são livres! Não podem ser vinculadas aos interesses comerciais dos anunciantes nacionais ou internacionais. Muito menos: multinacionais. Sem quaisquer dúvidas: esse pedaço de chão (cagado e cuspido) pode precisar de uma revolução meio “dente por dente (x) nota por nota (x) letra por letra”. Por aqui existem poetas, compositores, letristas, músicos, fotógrafos e outros aprendizes sérios. É a maioria! A outra parte - pode ou não - está usando o lema: "tenho que me arrumá, senão, perco meu barquinho!” Desculpem a sinceridade! O mar já não é de marinheiro de primeira viagem! Quem não lembra do refrão: “Marinheiro, marinheiro (Marinheiro só)... Quem te ensinou a nadar... Ou foi o tombo do navio... Ou foi o balanço do mar...” (Bi Ribeiro/João Barone).


Muitas obras culturais - da antiga “Terra de Santa Cruz” - são originais. Aquelas tão comuns, massificadas, com a assinatura da mediocridade - ajudam ou não - no nascimento natural de uma concepção artística duvidosa, não crítica, que não recebeu crítica, e que jamais receberá crítica. Quem navega em tal mar poderá se afogar na monotonia; sonolento; em mar calmo. A viagem literária - às vezes - é previsível ou imprevisível. Depende da condução do capitão e marujos da embarcação. Como escrever sem colocar palavras ovais e frases triangulares? Aqui é América do Sul. O Caribe fica lá em cima! Se existem léguas ou milhas marítimas é uma questão de história? Qual é a praia ou litoral? Eles são de fora... “Eu não sou daqui (Marinheiro só)... Eu não tenho amor (Marinheiro só)... Eu sou da Bahia (Marinheiro só)... De São Salvador (Marinheiro só)...” (Adaptação de Caetano Veloso).


Entende-se que o objetivo é a meta necessária. O subjetivo lembra a arte. Chocar um ovo pode ser arte? Depende da ave! Ave César! Ave de rapina! Ave-da-avenida! Ave Maria! Quebram-se as formas! Rompem-se os conceitos e preconceitos! Talvez, aconteçam mudanças! As formações culturais das elites brasileiras soam como afronta ao simples, verdadeiro e genuíno. Será que os povos do Brasil sabem o que é cultura? Monteiro Lobato e Amacio Mazzaropi fazem falta!


Onde estão os artistas independentes? Será que não se afogaram nos patrocínios estatais do país? As MTV's diárias concorrem com as linguagens das TV’s digitais abertas! E haja amor, chavões, carrões e algumas bundas com silicone! É cultura “cult”, curtida, malhada, de melodias fáceis, harmonias baratas e letras esculachadas. Os brasileiros e brasileiras sentem tesão por bumba! É normal! São formas de mídia, comunicação, música, literatura e sacanagem - sobrevivendo - no mercado do MP4! As gravadoras tornaram-se gravadores caseiros e que computam prejuízos. Os novos direitos autorais dos que criam, já não são garantidos. A internet mutilou a criação do autor? “É a vida, é bonita e é bonita...” (Gonzaguinha).

Abraços.

Lailton Araújo


LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 30/11/2007 22:36
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