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Ela chegou a casa com as mãos ocupadas de sacolas e embrulhos. Havia passado a tarde inteira no tumultuado centro da cidade, de loja em loja, no ziguezaguear frenético das pessoas, escolhendo presentes. Comprara até mesmo um ursinho de pelúcia com gorro de Papai Noel que vinha dentro de uma caneca natalina. Estava feliz. Conseguira fazer excelentes aquisições por preços bem módicos. Não que precisasse pechinchar. Era só força do hábito. Estava exausta também, mas cantarolava a última música - tão bonita! - que ouvira numa loja de CDs. Trouxe o CD pra casa, naturalmente. Era de um cantor latino. Se fosse numa outra ocasião, não compraria esse estilo de música pra ouvir. Mas era Natal!
A sua casa estava toda enfeitada. Até bem mais do que nos outros anos. Caprichou no pinheirinho artificial e nas peças pequeninas espalhadas sobre os móveis. O presépio foi montado caprichosamente num aparador antigo. A mesa para a ceia recebera uma linda toalha branca com estrelas douradas salpicadas e o arranjo central era composto de quatro velas brancas e bicos de papagaio de tecido engomado. Potes de vidro com castanhas, amêndoas e frutas cristalizadas enfeitavam uma prateleira. Queria a casa bonita, iluminada e, mais tarde, cheirosa, com a preparação dos pratos natalinos: o odor do peru no forno sempre foi a lembrança olfativa que mais a emocionava. Trazia o sabor de outras épocas... Era Natal! Chegou até a janela e olhou para o céu daquele fim de tarde quentíssimo... Para ficar perfeito mesmo, queria que uma chuva ininterrupta caísse e não cessasse por toda a madrugada.
( não acabou... façadownload do texto completo!)
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