Na véspera do embarque, ele estava lá novamente em busca de uma confirmação. A moça, quando o viu subir os degraus da loja, correu lá dentro e empurrou outra em seu lugar: rechonchuda, semblante fechado como o mau tempo que não permite a decolagem. Seu Zé pensou logo: “Minha viagem foi para o espaço”. Mas corrigiu logo a impropriedade: “Meu plano de vôo caiu por terra”. A moça, com o cenho fechado de quem não vê céu de brigadeiro pela frente, falou direto sem escalas: “Seu Zé, os vôos foram cancelados. Não há como o senhor ir a Recife antes do Ano Novo. “As conexões, novamente?”, disse com a voz perdendo altura. Ela foi clara, agora como o céu de brigadeiro: “Não! Os constantes atrasos e os acúmulos nas listas de espera. Agora só depois do Ano Novo”. Seu Zé pôs as mãos na cabeça, meditou um segundo, e disse: “Pois fique sabendo que vou ao Procon”. A moça sorriu zombeteira: “Saiba o senhor que as filas de espera lá estão maiores que aqui”. Não havia jeito, ele pensou. Ela procurou negociar e colocá-lo em outro vôo: “Temos uma outra opção de vôo, para o senhor não deixar de viajar”, arriscou. “Jura?”, ele se encheu de esperanças. “Sim!”, ela abriu um sorriso enquanto acrescentava: “veja aqui as conexões”. Ele se aproximou para conferir: Palmas-Brasília-Curitiba-Assunção-Buenos Aires-Lima-Bogotá-Dacar-Tel Aviv-Bagdá. “Mas isso é para o Iraque”, ele se assustou. Mas é uma viagem aérea, como o senhor deseja, a única disponível no momento. E como o itinerário é mais que o dobro do seu só podemos ofertá-la de ida pelo preço de sua passagem. É verdade que, a rigor, o senhor ficaria nos devendo algumas centenas de milhas. Mas para satisfazer sempre nossos clientes, isso fica como um presente ao senhor”. “E nesse caso como ficaria a minha volta?”, especulou. “Por sua conta”, ela foi clara. Mas não se escusou de um conselho: “Não queira sair pela rota terrestre Bagdá-Damasco. É a mais arriscada”. “Por quê?” “É a mais usada pelos insurretos e os contrabandistas de armas. Há muitos enfrentamentos e mortes”. “Obrigado pelo aviso, mas dispenso a viagem. Tome aqui minha passagem, mande a sua avó em meu lugar”, disse zangado seu Zé, dando as costas imediatamente à agente de viagem. Ela, meio sem reação, recolheu o carnê e pensou: “Mas minha avó já morreu”.
rapaz, ri bastante. excelente conto.parabéns.
abs.
QUAQUAQUAQUÁ!!
Ducacete!!
Adorei a tirada final!
Você devia enviar isso para a dita "imprensa de papel" pra ver se eles têm coragem de publicar. Seria sensacional.
hehehehehe ... nossa ri muittuuuu ... seu texto é muito humorado . abrçs leandro
JuNiN · Ribeirão Preto, SP 22/12/2006 22:59
mano, concordo, hilário. Realmente, como disse o Fábio, será que a mídia impressa publicaria. Aqui na net pelo menos impera a democracia. E a gente pode se divertir
Ulisses Holanda · Araguaína, TO 23/12/2006 00:49Também ri muito...sempre lhe disse que sua veia humorística é forte
Lucciv · Araguaína, TO 23/12/2006 00:54Ah, é...estava falando hoje com o meu irmão sobre essa questão dos vôos...acho que quem quer ir mesmo deve optar por ônibus!
apple · Juiz de Fora, MG 24/12/2006 21:57É isso aí, pcl: divertir-se é fundamental!
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 29/12/2006 13:01Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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