Um perigo constante na violação iminente.
Um crime na gaveta.
Segredos guardados a sete chaves.
Experiências passadas, ingratas,
Condenáveis, elogiáveis, incompreensíveis.
Eis um diário,
Como um criminoso presente,
Irmão de sofrimentos,
Irmão em alegrias insuperáveis,
Amante de constante despudor,
Guarda confidências,
Guarda rancores,
Guarda o tempo.
Um perigo constante na violação iminente.
Um crime na gaveta.
Talvez um dia,
Sua leitura,
Trouxesse compreensão à minha história simples.
Pode ser que enxugasse lágrimas em meu velório,
Quem sabe não traria revolta a quem entendesse
Meus garranchos inescrupulosos.
Por que deixar minha história?
Por que deixar vivo segredo
Do morto sem glória?
Por que deixar companheiro tão perigoso,
Sobreviver, após minha morte?
Hoje acabei com minha história,
Fósforos baratos,
Em fogo comum, quente,
Impiedoso em chamas claras, azuladas...
Em contato com minha história branca, amarela, negra...
Em seu ígneo fim.
Hoje sou outro cidadão!
Matei companheiro perigoso,
De sinceridade imaculada,
Sem um gesto de reação.
Crime perfeito!
Não existe mais o corpo,
Desconhecido em vida,
Como secreto confidente,
Não restaram nem suas amorfas cinzas.
Frederido,
é verdade,
o diario apesar de funcionar como confidente e amigo secreto,
é também um inimigo poderoso e perigoso.
bjs
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