Fim do mundo

Montagem s/imagens Wander Motta
1
W@nder · Rio de Janeiro, RJ
29/5/2009 · 24 · 24
 

Antes do fim do mundo
Meu jardim ficou mudo
Murcharam-se as onze-horas*
As folhas cessaram de balançar
E o segundo Sol chegou
— Imenso!
:
Fogo e mar
Precipitando-se
Numa insólita amizade...
Ondas em silêncio
Arrastando
Invadindo
Destruindo
Engolindo cidades
— Calamidade!
:
S.O.S.
O morro virou ilha
Solenemente conquistada
Pelo doutor engravatado
O gato estressado fugiu arrepiado
[coitado]
O papagaio voou pro telhado
[encharcado]
— O Segundo sol chegou!!!
:
Não vou me afobar
Se meu telefone tocar
Sento à mesa
Tomo uma cerveja
Não quero mais explicação
Nem consternação
Quem quiser que se deprima
Pego uma onda até a esquina
Do nada
Por dois sóis
Atravessada
Curto meu derradeiro
Segundo a só
Brindo sem dó
Nem piedade
O fim da (des)humanidade
Olho na cara do povo
E pergunto:
— "O que há de novo?"

Sobre a obra

Brindo sem dó
Nem piedade
O fim da (des)humanidade
Olho na cara do povo
E pergunto:
— "O que há de novo?"

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informações

Autoria
Wander Motta

"(...) Não se afobe, não, que nada é pra já (...)", Chico Buarque
Ficha técnica
(*) Onze-horas é uma planta originária do Brasil que floresce da primavera ao verão e produz belas e coloridas flores. Por ser um planta cujas folhas apresentam características suculentas, deve ser cultivada sob sol pleno, mas, com certeza, não resistirá ao segundo sol
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Branca Pires
 

Wander, que visão apocalíptica!
E o segundo Sol chegou
— Imenso!
Me remetestes imediatamente para a música do Nando reis:

O Segundo Sol
Nando Reis
Composição: Nando Reis

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar
As órbitas dos planetas
Derrubando com
O assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa...(2x)

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação...

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar
As órbitas dos planetas
Derrubando com
O assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa...(2x)

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia
Sem explicação...

Explicação, não tem
Não tem Explicação..(2x)

Explicação, não tem
Sem Explicação!...

Explicação, não tem
Explicação!
Não tem, não tem!


Branca Pires · Aracaju, SE 27/5/2009 19:27
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Daniele Boechat
 

Wander, boa construção. Visão realmente apocalíptica e interessante. Muito legal! Bjs.

Daniele Boechat · Rio de Janeiro, RJ 27/5/2009 21:29
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Raiblue
 

O fim do mundo poeticamente pintado....

Só se extinguindo essa ' (des)humanidade'...poderemos quiçá
reconstruir a humanidade...se ainda restar algum vestígio de
humano..o que anda bem difícil...


"Não quero mais explicação
Nem consternação
Quem quiser que se deprima
Pego um onda até a esquina
Do nada
Por dois sóis
Atravessada
Curto meu derradeiro
Segundo a só"

....é para onde estamos caminhando mesmo...pra uma total solidão...

Gostei muito,W@nder!!!!
Seus poemas têm um ritmo maravilhoso!!!

Parabéns,querido!
Ahh... e eu brindarei contigo!rs

Bluebeijokas
Blue

Raiblue · Salvador, BA 27/5/2009 21:54
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Raiblue
 

Adorei a fotografia!
Bluebeijokasssss

Raiblue · Salvador, BA 27/5/2009 21:55
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azuirfilho
 

W@nder · Rio de Janeiro (RJ) ·
Fim do mundo

\Muito bacana esta visáo apocaliptica.
Uma incitacáo a reflexáo.
As concepcóes e os valores.
E o Questionamento ao povo.

Só o Povo dá legitmidade a imensidáo de tudo.
Por isso que as autoridades se dizem falar e fazer em nome, e para o bem do Povo.
Muito Bacana.
Parabéns.
Abracáo Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 27/5/2009 21:57
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Lili_Beth*
 

Querido Wander:
S.O.S
Segundos a só
Na madrugada febril
Onde nada é de ninguém
Onde ninguém é de nada
...
Chega seu belo texto
apostando que não é pra já.
Mas cuide bem do agora
Que o já não demora
E o que será que se fez?
E quem será que (des)fez?
Quem há de ser?
"Antes do fim do mundo
Meu jardim ficou mudo
Murcharam-se as onze-horas*
As folhas cessaram de balançar
E o segundo
Sol chegou
— Imenso!"
Parabéns pela bela construção
numa percepção (futurista) de como seria
o que um dia foi ... Se foi ... Foi só ...
(Des)humanidade
Com certeza a dança da chuva chegará
pra inundar, às onze horas ...
Eternizada ... Brindará contigo a sós
Com sóis e sem S.O.S
Bem antes que o depois chegue
Com esse brilhantismo
Sois sol

Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 28/5/2009 01:44
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Lili_Beth*
 

Opssssssssssssssssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!

A imagem é um poema concreto...
Perfeita!
Fim ... Início

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 28/5/2009 01:50
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Lili_Beth*
 

C A P T U R A
.
.
.
R U P T U R A

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 28/5/2009 01:53
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Brida
 

Que não nos percamos nessa "esquina do nada", querido! Beijo.

Brida · Salvador, BA 29/5/2009 18:12
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Doroni Hilgenberg
 

V@nder
Ah! essa flor "Onze horas"...
conheço-a, miudinha, delicada e linda, sempre a desabrochar
com o sol da manhã que a contempla as onze horas.
Assim é a nossa v ida, uma flor frágil e preciosa exposta a todo o perigo, mas mesmo assim não podemos deixar de viver, pois o medo que tolhe nossos movimentos nos faz refém de nós mesmo.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 29/5/2009 18:52
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graça grauna
 

Nada de novo e tudo de novo sob o sol...rsrs...brindemos às órbitas dos planetas. Bjos

graça grauna · Recife, PE 29/5/2009 19:04
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Gustavo Adonias
 

Wander, meu caro

Realistas os seus versos. O fim do mundo já começou. Calamidades soam os alarmes. Algo há muito está errado. O homem é o arauto da sua própria destruição. Para que S.O.S, se ninguém mais ouve ninguém ? Melhor esperar o segundo derradeiro brindando ao novo sol, que na verdade, não nos traz nada de novo...

Parabéns !

Abraço.

Gustavo Adonias · Salvador, BA 29/5/2009 20:43
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Patipetista
 

Adorei !!!
Aqui, no muro de casa, minha Lulu tem flores onze horas lilás e também brancas. Gerânios rosa também !
Tornam nosso muro lindo...[:)]

Patipetista · Taboão da Serra, SP 29/5/2009 20:49
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Greta Marcon
 

Seria bom sentar e assistir o fim da [des]humanidade, ver um novo sol
nascer, trazendo esperanças de um mundo melhor e mais justo.
Votado
Beijos

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 29/5/2009 22:19
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sheila duarte
 

E quando o outro sol chegar nada mais nos terá restado fazer, então surfemos no caos e brindemos a nossa capacitade de nos matarmos, tantas vezes e muito mais que as estrelas do ceú!!! Gostei muito querido W@ander!!!Bjões.

sheila duarte · São Paulo, SP 29/5/2009 22:49
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menina_flor
 

Olá Wander poeta...
Você pincelou o 'fim do mundo' com cores e calores.
Se assim for sento na beira da calçada e fico apreciando. Esperando a minha vez.
Mas se tudo terminar em cinza e frio?
Meu amigo acredito que o mundo já venha terminando pouco a pouco a gente é que não percebe.

Belo poema.
Parabéns
Beijos
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 30/5/2009 00:12
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Lili_Beth*
 

Vo(l)to ao re_começo do FIM,
lugar (DO MUNDO)
onde a (des)humanidade
aplacada será equalizada,
mas continuará prevalecendo
às escolhas, as encolhas
...
A cada leitura
um novo encontro
...
+Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 30/5/2009 01:24
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Claudia Almeida
 

Olho na cara do povo
E pergunto:
— "O que há de novo?"

Olho pra do cara do mundo
E pergunto:
_"Cade...@!?"

Claudia Almeida · Niterói, RJ 30/5/2009 01:38
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Cláudia Campello
 

nao sei!
... só sei que ha sol que gela a alma... e vice e versa!

gostei i é só!

bjsssssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 30/5/2009 02:03
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Falcão S.R
 

Wander,

As onze-horas, lembrou-me dos jardins que minha saudosa mãe cultivava com tanto amor e carinho.


Abraços

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 30/5/2009 06:14
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

muito interessante.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 30/5/2009 14:23
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azuirfilho
 


W@nder · Rio de Janeiro (RJ)
Fim do mundo
Com todo carinho de volta pra mais uma leitura e uma exaltação ao Amigo Poeta e a seu Trabalho que já respeitamos e elegemos para a consagração que merece por talento.
Parabéns.
Abração Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 30/5/2009 19:24
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Branca Pires
 

DE volta ao votos!

Branca Pires · Aracaju, SE 30/5/2009 23:36
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W@nder
 

Agradeço a todos pela participação com seus comentários e pontos de vista tão ricos e engrandecedores.
Abraços.

W@nder · Rio de Janeiro, RJ 1/6/2009 16:42
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