A imagem “Surf de Pobre” colaboração de Alex Costa Lopes, muito significativa por sinal, nos provoca a uma reflexão a respeito do estilo de vida da sociedade atual, das nossas aquisições sem-fim, dos valores que perseguimos e da conseqüente equação cujas incógnitas têm por variantes o ser, o ter e o parecer.
Qual a fórmula da felicidade, se nesta equação cabe a valoração de cada um, a faculdade de elevação à “n-ésima” potência à proporção da ambição e do sonho particular? Se a ordenação é de livre escolha e os resultados sujeitos a um intervalo de tempo (“Delta” t) e velocidade (“Delta” v) urgentes?
A mídia está aí, adentrando nossos lares, mentes e coração. Somos a sua outra face. O marketing se impõe, postulando a criação de um mundo, de vidas, de relacionamentos, de corpos perfeitos atrelados à aquisição do produto, serviço, homem, mulher, comportamento, “look”, grife... sugeridos como únicos capazes de satisfazer o nosso mais íntimo desejo.
Na sofisticação dos mecanismos de convencimento, nas manhas e artimanhas, nas estratégias premeditadamente elaboradas, a imagem é o elemento mágico, aliciador e sedutor que silenciosamente se instala como resposta à realização dos arquétipos mais sutis, cuja aprovação depende mais do olhar do outro do que pelo íntimo prazer e satisfação em sentir-se pleno.
Na análise combinatória das incógnitas: ser, ser para ter, ter, ter para ser, parecer ser, parecer ter... levadas ou não ao infinito, reside os dilemas da modernidade e impactam mais ou menos vidas, ditam convenções, num jogo de resultados imprevisíveis, gerando, muitas vezes, carências , frustrações, impotências, dívidas, dúvidas, compulsões àquele que se sente aquém na corrida desenfreada para alcançar o pacote da felicidade apresentado e se sente à margem porque não segue a onda, não usa, não canta, não veste, não bebe, não faz, não come, não lê, não ouve, não vê, não vai, não goza, não fala, não tem o que é “IN” naquele exato instante.
Neste fluxo incessante, muito se perde dos detalhes que dão um colorido especial à vida, seja o contemplar a natureza, o sentir cada grão de areia sobre os pés, o perceber a chuva, o amigo, o amor, o bom papo... E assim muitos caminham pirateando a própria vida.
Uau!!!
Bela análise da sociedade minha amiga Edna.
Foi exatamente o q pensei quando fiz a fotografia...
Percebeste bem o foco da imagem.
Obrigada, Alex
A sua imagem me impactou tanto que eu me transportei para lá e não consegui me conter em falar sobre a nossa sociedade de aparências. É claro que somos parte disto tudo, afinal, não podemos ser ETs. Mas a diferença reside onde colocamos as prioridades da vida.
Certa vez, vi uma reportagem na TV onde trouxeram alguns índios para visitar a praia de Copacabana. Alguns subiam no coqueiro, rolavam na areia, se lançavam na água diante do olhar da platéia, telespectadores, que com certeza, viam como se fosse uma atração, uma comédia, "programa de índio", como se fala pejorativamente. Na momento me perguntei quantos de nós gostaríamos de fazer o mesmo, de livres curtir o que tem ao redor, mas os protocolos sociais, o receio de se tornar ridículo, tolhem este desejo que cada um tem (mesmo adultos) de se fazer criança.
Mais uma vez, a sua imagem é o máximo! Deveria estar como outdoors pelas cidades.
Realmente Edna, viver em uma sociedade elitizada e que teme toda e qualquer forma de prazer não capitalista tem seu preço. E muito alto.
O processo de "desligamento" da nossa criança-interior levou alguns séculos, e hoje vemos como isso é frustante para nós. O grande mal de nosso século, a depressão, é resultado disto. O não saber quem somos, ou o que por que estamos aqui.
Hoje não somos pessoas, somos números, somos valores agregados. Da mesma forma, nossos prazeres também.
É um preço justo pelo conforto??
Infelizmente é o cobrado, e não vejo nenhum horizonte onde o preço estará mais viável.
nussa ... são tantas palavras que se chocam e se misturam .... acredito que apesar de toda uma discusão sobre qual o segmento reta de viver vejo que simples mensagens como esta de nosso amigo alex ... nos dão a cada dia uma nova esperança ... de que podemos chegar lá ... onde não sei, mas em algum lugar perfeto como o dele. .... parabéns edna e alex ...
Livia Vianna · Cuiabá, MT 21/4/2007 18:04
Alex, é isso aí. Perfeito! O legal de tudo é que quando percebemos o processo, poderemos ser números, consumidores, seja lá o que for nesta engrenagem, mas não perderemos jamais a capacidade de nos reabastecermos no lado simples e belo da vida, que está aí alheio à grande onda da modernidade.
Livia, obrigada.
As mesmas palavras que nos aprisionam podem nos libertar. Na foto, as crianças, com criatividade encontraram seu espaço. Com a mesma motivação, podemos fazer nosso próprio momento até mesmo entre construções de concreto e em meio à massa. É bom colocarmo-nos na pauta. Vlw
Edna, obrigado pelo convite. Pelos convites. À visita, por um lado, e ao sentir junto sobre o que dizes, como outro tom da mesma face. Do outro lado fica a pirataria vital, que abunda e se infiltra no âmago dos zumbis semi-humanos que vamos nos tornando.
Abração e vida real com prazer de verdade,
Felipe,
Obrigada pela visita. Adorei seu comentário. Você disse tudo. Por uns instantes parei e fiquei até meditando.
Precisamos mesmo de antídotos sob o risco de nos tornarmos zumbis semi-humanos, conforme você bem colocou.
Valeu mesmo!
Um abração
É Edna,
'O novo, vivo, ao velho morto conta as novidades'.
O difícil é se manter 'novo', criança.
Talvez esta seja mesmo a chave para um mundo melhor: Se fomos criança e continuamos vivos, criança somos e seremos para sempre. Ficar adulto seria mais ou menos como enlouquecer (no mau sentido, é claro).
Só as crianças, realmente, refletem. É no que acredito
Spirito Santo,
Agradeço o comentário.
Está nas nossas adultas mãos pegar a tinta e sair por aí dando um colorido especial aos fatos da vida.
Alex, a foto é tudo!!! Edna, sem palavras, impactante o texto, muito bem concluído com a frase "e assim muitos caminham pirateando a própria vida". Felipe, mais que apropriado o seu "zumbi semi-humanos". Estamos tds na vida louca vida... nosso tempo é curto e caro, e esquecemos de que ele é tb mui raro!!!
Ise Meirelles · Salvador, BA 24/4/2007 12:51
Isa, obrigada.
Todos, ao comentar, enriqueceram em muito o texto, como você destacou. A vida, por ser curta, temos que torná-la melhor e este é o maior desafio.
Este texto pretende analisar de uma forma mais profunda e detalhada a Fórmula da Felicidade (FF) e a sua relação com o aparato neurológico responsável pelas sensações. Abordaremos também, por meio de um exemplo, o aspecto prático de sua implementação ou seja, vamos mostrar, e tentar solucionar, alguns dos problemas de como poderíamos implementa-la de forma prática. Comecemos então com a definição da Felicidade que pode ser expressa através da seguinte fórmula:
Felicidade = Integral{Sentimento(t}} dt
http://www.genismo.com/metatexto37.htm
Veja tambem uma etica baseada na Felicidade:
http://www.genismo.com/metatexto44.htm
Jocax, agradeço a visita e comentário.
Perdoe-me a ignorância, mas fui ao Dr. Google ver o significado de genismo, embora a etimologia da palavra desse uma pista sutil. Ao escrever a presente colaboração, me empolguei ao ver a imagem do nosso amigo poeta Alex, publicada neste site, intitulada "Surf de Pobre", cujo link se encontra no texto.
Sempre gostei de matemática e de literatura e, na minha brincadeira com as palavras, de vez enquanto fundo ambos. A minha intenção foi destacar uma faceta da alegria plena também possível em meio `a simplicidade. Olhos consumistas, elitistas veriam a mesma cena, ou sentimento, com um olhar desaprovador. E quantas vezes nos tolhemos, enquanto adultos, pra não fazer feio.
Segundo a definição, genismo seria uma "filosofia ateísta, maximização da felicidade". Adoro filosofia, ciência... e sou cristã. Dentre as ‘n’ fontes de felicidade acrescento a postura diante dos cenários da vida. No mais, relaxo como em “Plástico Bolha: http://www.overmundo.com.br/banco/plastico-bolha-1. Olha que trabalho e muito!
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