Fortuna

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Renato Torres · Belém, PA
19/8/2009 · 19 · 20
 

Então, cubra de delicadeza esse corpo já deitado em palavra,
e com a lisura vagarosa do tempo, ouça o trote longínquo,
a moçada gritando aos bardos, aos bandos,
naquela clareira, em estrépitos de argúcia;
as fogueiras sempre foram feitas de gente,
e toda a gente sempre correu fora da luz.

por onde andares, levarás contigo a clava diáfana,
e por onde falares, deixarás comigo a tua armada, armadilha feita de sopro:
a concha de tuas mãos, o rescaldo da inércia, o vinho que envelhece subterrâneo.
e quando voltares, isso será o vazio, uma casa à espera do corpo,
da palavra, e de tudo o que se escondeu diante da terra.
será como a visita de um sonho, essa porta que se abrirá, silenciosa, na madrugada
e a mãe, sentada ao lado da cama do filho.

portanto, dobra desde já esse teu manto feito de escolhas,
e te aproxima da antiga morada -
é na distância que crestam luzes,
e o tempo se cobre de sombra e sol.
deixa as sobras aos que padecem sob tua mesa
enquanto comes, delicadamente, a fortuna dos dias de sorte.

a página branca

Sobre a obra

escrito a quatro mãos com Daiane Gasparetto, 4.ago.2009, msn, 13:45.

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informações

Autoria
Renato Torres
Daiane Gasparetto
Ficha técnica
Poesia Paraense
Poesia Brasileira
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Doroni Hilgenberg
 

Renato

Seu poema é uma construção tão rica de frases e palavras
que nos eleva e nos faz sentir que toda a fortuna consiste em ter um porto seguro, uma mãe, um amigo, o conforto da palavra, e esta terra repleta de luzes e sois, mas que não vaorizamos.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 29/8/2009 22:15
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celina vasques
 

Concordo plenamente com nossa querida poeta Doroni!
Fant´stico meu conterraneo!
Belissimo texto!
Rico e de muito talento!
Parabéns a voce poeta Renato Torres e Daianne Gaspareto!
Sucesso aos dois e meus aplausos!
beijos meus!

celina vasques · Manaus, AM 29/8/2009 23:25
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Cintia Thome
 

Caro Renato
Toda fogueira é feita de gente
fogueira das vaidades, luz mentirosa, o escuro que engana ser luz...
Há em sonhos voltar à morada...à grande Luz e aqui o escuro, as sombras...

Sempre com admiração. Você é um Poeta da gema do Pará, seu alto nível de compreensao nos diversos significados do homem e com certeza
o maior, de Deus. Sinto assim.
Poesia rara.




Abçs e saudade, visitarei seu blog, andei afastada dos sites...mas vou colocar em dia. ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 30/8/2009 00:35
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azuirfilho
 


Renato Torres · Belém (PA)

Fortuna

Verdadeira cumplicidade que é o sentido da vida.
Há um somar constante em tudo, como coisas a se completarem.
Bonito na forma de um romantismo, e de uma saudade, como se houvesse um tempo passando que não devesse ser perdido.

...portanto, dobra desde já esse teu manto feito de escolhas,
e te aproxima da antiga morada -
é na distância que crestam luzes,
e o tempo se cobre de sombra e sol...


Parabéns.
Abração Amigo.
Abração Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 30/8/2009 08:50
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um texto lindo amigo, parabéns.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 30/8/2009 12:15
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
danlima
 

caro amigo,
belo poema, carregado de simbolismos e de palavras fortes e mar5cantes... texto musical, ritmado, um poema maravilhoso.
abraços Danilo.

danlima · Brasília, DF 30/8/2009 13:53
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brigitte
 

Querido Poeta Renato!
Quanta saudade contida nos versos, quanta sabedoria revelada nas entrelinhas. Belíssimo!
Parabens

brigitte · Goiânia, GO 30/8/2009 15:22
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Cláudia Campello
 

Metaforas fortes, diafanas mas que me levam a "gastar" meus neuronios mais do que imaginas, rs
assim aprendendo sempre mais....acompanho seu pensar FORTUNAmente.

bjsss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 30/8/2009 18:20
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Emil
 

Profundo e belo.

Emil · Brasília, DF 30/8/2009 22:58
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raphaelreys
 

A missão do poeta é divagar!

raphaelreys · Montes Claros, MG 31/8/2009 08:06
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Renato Torres
 

doroni,

sim, esta a fortuna que quisera o poema tocar, mas outras ainda, embuçadas nos olhos e na sensibilidade de quem vir a lê-lo. importante o fato de "fortuna" ser um texto produzido por dois poetas, mais do que isso, dois amigos que se amam profundamente, e em ritmo de despedida: um deles parte para longe, o outro fica. daí ser inevitável que, ao que tem valor, seja dado o brilho merecido.

seja bem vinda a minha casa de palavra,

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 31/8/2009 12:20
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Renato Torres
 

celina,

fico felicíssimo que o texto tenha te agradado... e tenho certeza que daiane também ficará. sigamos juntos na procura da poesia.

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 31/8/2009 12:32
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Renato Torres
 

cíntia, querida,

é interessante deveras que tanto você quanto doroni (comentando na página branca) tenha se referido à fogueira das vaidades, coisa tão humana, reconhecendo-a no texto. de fato, ainda que possivelmente nem eu nem daiane tivéssemos pensado nesta idéia quando escrevemos, aplica-se perfeitamente. tesouro da poesia é poder estar sempre dialogando com sensibilidades outras, e por isso mesmo ser de todos os que precisarem dela.
és mesmo uma pessoa querida, e também rara, por estar tão acentuadamente atenta ao que vou acenando com palavras.

um beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 31/8/2009 12:38
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Renato Torres
 

azuir,

excelente percepção: um tempo que escorre, que não deve ser perdido. a vida é assim mesmo, né? uma areia que escorre, água furtada, vento volátil. mas complementar-se é realmente um ungüento redentor...

abraços, amigo!

r

Renato Torres · Belém, PA 31/8/2009 12:52
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Renato Torres
 

w. marques,

obrigado pela tua atenção, essa água rara nos dias de hoje.

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 31/8/2009 12:54
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Renato Torres
 

olá danilo,

eu e daiane somos poetas profundamente conectados com a música - ambos compomos, inclusive em parceria - daí a inevitabilidade das palavras soarem musicais. de todo modo, "fortuna" é um poema carregado mesmo da força mítica que faz da poesia o que ela é.

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 31/8/2009 12:58
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Adroaldo Bauer
 

as luzes que das auras iridescem
nos momentos mais áureos padecem
do escuro profundo donde rebrota
qual quem nasceu de mulher, cora
não se importa que padeça o corpo
apenas que a solidão a alma chora.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 31/8/2009 14:18
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Nydia Bonetti
 

um brilhante, renato. tua poesia é um brilhante.
abraços.

Nydia Bonetti · Piracaia, SP 31/8/2009 19:43
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alcanu
 

Quem foi que disse que viver seria um negócio fácil ?
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 31/8/2009 20:12
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Branca Pires
 

Olá Renato,
que lindo e de puro lirismo!
Bom te encontrar de novo (andei sumidinha daqui) we asddsim, tão lindo!
Beijos na alma poética!

Branca Pires · Aracaju, SE 2/9/2009 10:06
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