Fragmentos na Madrugada

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Dayvson Fabiano "Imorrível" · Recife, PE
27/7/2011 · 7 · 6
 

Ao som de “ Run to you”, na voz de Whitney Houston

: Psiu! Essa foi a mensagem que recebi, depois de ter passado o domingo todo no caos. Apenas ri ao ler. Quer dizer: fiquei encantado. Nunca um psiu fez tanta diferença em minha vida. Algumas horas depois, recebi outra mensagem: Psiu 2. Fiquei encantado 2 vezes. Logo em seguida o meu celular tocou:
- Oi, guri!
Nunca, nunca mesmo me chamaram assim. Meu nome? Não o tenho, pois podem me transformar em uma coisa que eu não quero. Dêem o nome que quiserem. Até porque, agora me chamo “guri”. Alguém me intitulou assim. Foi você:
- Você me transformou num menino.
- Isso não é bom?
- Acho que sim.
- ideia de alegria e sorrisos e molecagem e pureza.
Conversamos um pouco e perguntei:
- Quando enviarás o 3º psiu?
- Hoje após as 23:00h
Despedimo-nos e foi assim que desliguei o celular, na verdade foi você que assim o fez, eu continuei com o celular ao ouvido esperando um eco de sua voz. Será que você também quis escutar meus ecos? Não poderia deixar que você o fizesse, pois descobriria mais de mim.
...
...
Fiquei esperando e nada. Era mais ou menos meia noite. De repente chega uma mensagem no meu celular vindo de você: Cheguei em casa. Será que isso era o 3º psiu? O celular toca:
- Oi, guri.
Ouvir isso me deixava encantado. Eu já falei isso antes, porém gosto de ser redundante. Ser chamado de guri por alguém 10 anos mais jovem que eu rejuvenescia minha alma.
- Você realmente tem uma voz boa para trabalhar com telefonia. Eu disse.
- Nada disso. Haja paciência com os clientes. (Pausa) Adoro escutar sua voz.
- Por quê?
- Não sei explicar.
- Eu te explico. Tenho o dom de tocar na alma.
- Falas coisas que me aproximam mais de ti
- Faça-me alguma pergunta?
- prefiro te ouvir.
- falo muito.
- Prefiro assim. A não ser que me perguntes.
- Não tenho perguntas.
- então fale.
- Tudo bem, eu perguntarei. O que está lendo nesse momento?
- “O outro lado da meia noite”, de Sidney Sheldon.
- hum... eu...
- deixa te dizer algo.
- Pensei que você queria me ouvir. Tudo bem, diga.
- Quando eu for trabalhar sentarei e ficarei pensando em ti, guri. O meu trabalho fica num prédio em frente ao seu. E pensarei em nós dois. O que divide o meu prédio do teu é apenas um rio com águas verdes, talvez indicando esperança.
Eu fiquei pensando no que ouvira. Como você me surpreende. Fiquei olhando sua foto e a sua boca. Beijei-a, só podia ser assim, pelo menos por enquanto. E você nesse momento estava realmente falando ao meu ouvido, pelo celular, mas estava. Isso é fato. Perguntei se podia ler algo que por acaso havia anotado dia desses, apesar de não acreditar que o acaso exista. Eu disse isso a você. As coisas simplesmente acontecem. Só que fiquei com vergonha de começar a ler. Acho que na verdade não era vergonha, e sim, plasticidade. Falo no sentido de ser ouvido e depois ser jogado fora. Queria era ler olhando pra você, assim tipo me vendo em seus olhos. Aí você falou que eu não ficasse com vergonha. E li o texto do escritor Caio Fernando que dizia assim: “...e de tudo
indo embora e fugindo e se perdendo — e o amor sem acontecer, quando estou
assim todo maduro, e limpo, e pronto, e luminoso como uma maçã no galho,
pronta para ser colhida. Ninguém estende a mão para a maçã, pouco antes de
começar o processo de apodrecimento.” Ficamos em silêncio. Quase que as lágrimas desciam de mim: não quero apodrecer! Você falou-me de profundidade. Aí pensei: alguém tocará em meus vazios? Não. Ninguém consegue. É muito obscuro e abissal. Você olhou-me nos olhos, pelo menos foi assim que imaginei com o celular ao ouvido e disse-me: fiquei feliz pela leitura. Foi aí que você falou que era hora de dormir:
-Você concorda?
- Tudo bem, vamos!
Despedimo-nos, trocamos beijos e xaus. Desligamos-nos, pelo menos materialmente, pois espiritualmente continuávamos ligados... Ainda disse a você:
- Depois te colocarei um nome, já que me transformastes em algo que acreditavas ou acreditas que eu seja.
Mandei uma mensagem ao teu celular: Por enquanto, agora, meus vazios são flores. Obrigado!
Você respondeu-me:
- Psiu... bons sonhos.
E...

Dayvson Fabiano
Maio/2011

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Cau Santana
 

Olá!!!!!!!!!
Quanto tempo!
Adorei quando vi seu texto no banco.
Ameii o que vc escreveu!! mas me conta o que aconteceu depois, fiquei super curiosa.
Ou será que as reticências ficam por conta do leitor?
Guri (rsrsrs...) parabéns!

Cau Santana · Barreiras, BA 27/7/2011 13:19
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Greta Marcon
 

Barbaridade, Tchê!!! Fiquei tri emocionada com teu conto, Guri! A Guria do Psiu, só pode ser gaúcha... Lá no Sul, tanto faz, criança ou adultos, chamamos de Guri e Guria. Viveste momentos mágicos por conta de um psiu no celular... Ainda por cima ao som de "Ao som de “ Run to you”, na voz de Whitney Houston" [adoro!] Relacionamentos que começam assim, costumam ir longe... Se realmente essa história for verídica, vou ficar torcendo pra dar certo... Obrigada, Guri, por entrar para meu blog!
Beijos gaúchos!

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 30/7/2011 02:21
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ayruman
 

E o mundo se transformará para algo bem melhor e saudável quamdo todo Ser Humano descobrir e valorizar o seu lado menino, sua "Criança Interior".
Tenha una boa Semana!

ayruman · Cuiabá, MT 1/8/2011 14:54
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Doroni Hilgenberg
 

Muito bom seu texto,
esta história precisa continuar pois de um psiu pode vir um grande alento. bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 2/8/2011 13:15
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esspigao
 

Belo texto meu amigo,adoro fragmentos,momentos da vida que se eternizam.Poesia imediata.Urgente.o cotidino sendo lapidado por alguém de uma sensibilidade impar.Até mais meu caro.

esspigao · Poços de Caldas, MG 3/8/2011 16:43
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Cintia Thome
 

Muito bom teu poema. Grita o bom som das palavras!

ab ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 18/8/2011 15:38
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