FUI PRA GALERA!
Ontem fui ao estádio Gauchão em Araguaína assistir o debute do time de futebol daqui, xará da cidade, na Copa do Brasil. O adversário era o Gama do Distrito Federal que mandou três boladas para o fundo das redes do Araguaína, que fez apenas o de honra. Com isso fomos eliminados logo de cara da competição e a torcida saiu de cara amarrada.
Mas vou falar de outra coisa. Da minha primeira experiência como torcedor em estádios tocantinenses (antes só em Goiânia). Desejando mais emoção, levei meu filho de 13 anos. Para ele então, também debutando, a coisa foi pra lá de boa.
O jogo e o resultado importaram pouco. O contagiante foi a galera. Chegamos e o estádio já estava cheio. Gente que não cabia mais. Encontramos um lugarzinho apertado no canto da arquibancada, próximo ao gol defendido pelo Gama no primeiro tempo. Uma chuvinha fina, quase um vapor, perdurou o primeiro tempo. Acho que para refrescar a cabeça dos torcedores, pois antes do intervalo já perdíamos por três a zero. Perdíamos o jogo, mas não a graça. Restou incomodar os supliciados de sempre: juiz, bandeiras (agora assistentes) e os jogadores do Gama, em especial o goleiro – pela presença constante junto a nós e porque vacilava em alguns lances.
Os adjetivos eram aqueles de sempre, nada recomendáveis quando há senhoras por perto. Mas as que estavam lá – e eram muitas – sabiam o que ouviriam. Não reclamaram. Algumas tinham línguas tão afiadas quanto as dos marmanjos.
Vacilei um pouco em entrar no ritmo da torcida. Talvez pelo filho ao lado. Em casa não abro a boca para falar palavrões e acreditei que seria um choque para ele descobrir uma faceta agressiva no próprio pai. Por isso, limitava-me a módicos: “juiz ladrão!, “juiz pilantra!”. Aqui ou acolá, num lance mais agudo: “bandeira filho da mãe!”, “goleiro frangueiro!” Não demorou muito, levei uma cotovelada nas costelas que me tirou o fôlego. Olhei para o lado e dei com a cara feia de um torcedor. Imaginei que era por conta dos três a zero. Mas nada disso. Ele gritou, zangado: “porra! Tu num torce pro Araguaína não? Tu é Gama?” Fiquei espantado e respondi: “claro que torço sim”. Ele contra-atacou: “pois num parece. Onde já se viu: ‘filho da mãe’, ‘frangueiro’ e ‘pilantra’. Chega disso, porra, o negócio aqui é pesado”. E levantou-se logo, gritando quando o juiz marcou impedimento do nosso ataque: “juiz viado, ‘fela’ da puta, ‘fi’ de rapariga”, e muitos outros nomes nada recomendáveis publicar, mas que sei que você está imaginando aí.
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cara, lembrei do futebol que raramente assisto com meus amigos/marmanjos.
Uma vivência a ser dividida. Gostei.
Camafunga · Pelotas, RS 20/2/2007 12:39
Leandro pelo jeito o Araguaína anda bambo das pernas. Sei bem o que é isso... meu Papão também virou freguês aqui no Pará. Mas adorei o relato...
Pedro Vianna · Belém, PA 20/2/2007 14:11
E bota bambo nisso! Perder para o Gama não me deixou gamado pelo time.
abcs
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