Acordou-me aos berros, expelindo facas e agulhas. Com os olhos vermelhos, brilhando em fúria. Tirando-me do mais profundo sono, levantando-me bruscamente, fazendo minha cabeça girar. Ouvia atordoado, tantos insultos, tantos machados voando em minha direção. Senti os olhos arderem, minha expressão desesperar-se, e então gritei de volta qualquer nome que me veio à mente, sendo rude ou cruel. Levantei a voz e me defendi, porém, ignorante, não sabia o que de fato me atingia. Com rouquidão de voz e de dor, ela me atira a notÃcia, a verdade, a ruÃna. Fiquei mudo, surdo e cego, paralisado de horror. Não a vi sair, me abandonar à solidão de minha imundice. Só notei meu coração, torturado pelo tempo, que pouco batia naquele momento.
Assim me arrastei até a cozinha, apoiando-me precariamente em qualquer móvel ou parede que via. Cambaleante adentrei no cômodo e vários objetos derrubei, até que finalmente me largasse na cadeira. Tudo girava, tudo ecoava, tudo zumbia na minha cabeça. Deixei que ela caÃsse sobre a tábua fria da mesa, com os braços caÃdos ao lado do corpo, a boca aberta para que por ela respirasse. Dessa forma dormi, com a mente vagando por infortúnios tais que faziam minhas lágrimas rolar ainda em sonho. Foi em um som estridente que invadiu os meus sonhos, que acordei assustado, levantei de repente, com o corpo dolorido, tonto e alarmado pelo barulho que ouvi. Virei minha cabeça procurando por algo e foi então que vi.
Me vi, do lado de fora da janela, batendo de porta em porta, sem que nenhuma a mim se abrisse. Carregava mala e vestia um chapéu, levava uma feição séria e seca – sofrida, visivelmente dolorida. O eu externo da minha porta se aproximava, e então notei que não mais podia me mover. Juntei ar para gritar, mas minha boca também não se mexia. A agonia agora me percorria, o eu estava em frente a minha porta, tocando minha campainha, e eu não podia me mover. Aquele eu olhava, de olhos vazios, mais uma porta que a ele não se abria. Queria lhe falar, mas não podia – agonia, agonia. Sem mais demora, com a mesma desolação que viera agora partia, seguiu a outra porta que ficava mais distante, onde eu não via.
Nesse instante meus pés se moveram e aos tropeços corri – aporta escancarei, o grito soltei. Eu me vi virar e as mãos estender. Atirei-me para fora da casa, ao pé da porta havia um abismo, antes que pudesse evitar, caÃ, berrei, morri.
Escrito por Larissa C.S. 18 Anos -> @PrisaoAgua_blog
muito interessante, um morbido passeio, afinal, cada um tem a sua morte a espreita.
Amantino · Itumbiara, GO 26/4/2012 18:07
nóó....perdi o fôlego!! Legal gostei muito. Obrigado pela indicação!
É um prazer ler tão belo texto, que enche de sol o meu inÃcio de sexta-feira. Abraços!
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 27/4/2012 01:09
Menina!!! Que Talento. O mais importante: Continue escrevendo.. Bem-vinda.
Poeta Devany · São Paulo, SP 27/4/2012 06:25
Oie!!! Demorei mas vim...
Adorei seu texto menina. Perfeito!!! Beijo no beijo.
Nossa! Que porrada! UAU. Muito bom.
Gostei muito. Veja se gosta dos meus http://www.overmundo.com.br/arquivo_usuario/celia-penteado
Sobre o sentimento de pertencer (Celia Penteado)
Conflito (como Celia P.)
Abraço
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