GÉRBERAS FELIZES
Caminhando com pesadas botas
Meus invernos
Primaveras parindo flores
Tapetes arco-íris, paleta de vivos matizes
Pisava meus idos anos floridos
Suspirei cansada de mim
Sentei ao banco do jardim
Com pétalas feridas dentro de mim
Rosa em sépia, com manchas de quem me tocou
Coitada de mim
Pobre de mim
Um cão farejava nervoso e perambulava
Entre gérberas felizes
Vermelhas de desejo
Cão de soslaio olhar para mim
Rosa sozinha...
Rosa velha, partida, rota
Espreitava-me cão com sua fome
Trocava só olhares com as gérberas felizes
Ciúme dentro de mim
Coitada de mim
Sôfrego cão engoliu as gérberas, a felicidade viva
Na impossibilidade das minhas pesadas botas
Chorei pelo pedaço de tapete de vida
Arrancado, desfiado, retalhado
Fiquei sem o chão das primaveras
Minhas gérberas felizes de outrora
Minhas companheiras tão vivas e felizes
Dor dentro de mim
Cão quase saciado recostou-se a mim
Coitada de mim
Pobre de mim
O cão esperava o brotar de meu sangue
Mas a felicidade já é morta, seca
Não escorre dentro de mim
Rosa com pesadas botas, a tristeza viva
Nem cão me quer assim...
Coitada de mim
Pobre de mim
Rosa
Cíntia Thomé
Rosas e gérberas...
ums felizes, outra "manchada pelos que passaram"...
Todos deixam um tanto de dor, todos que passam arrancam um pedaço, é assim.
Belíssimo poema. Vou lê-lo mais, em voz alta.
Depois volto.
beijos
Que se dizer do ovário das flores?
Perfeito, Flor!
Bjs.
Penso que essa poesia foi uma das melhores que li aqui no Over.
Vai de encontro com muitas vidas, tristes e desesperadas.
Ainda bem que as gérberas são lindas e a gente pode saboreá-las com os olhos.
Volto. Um abraço apertado.
Vim, li e gostei das suas 'Gérberas Felizes'. Voto carimbado. Grande abraço, Poetisa!
Lobodomar · Guarapari, ES 19/10/2007 09:19
Suas Gérberas Felizes estão muito tristes !!!!
Beijos..
Dolorido, porém belo.
Votado.
abço.
Eita!
Cintia, sempre recebo um convite seu com muita vontade de logo lerseus postados! Nem sempre é possível. Vivo numa correria meio louca...
Mas, tive que sentar ao seu lado e olhar para as minhas pesadas botas, parecidas com as suas.
Um convite: vamos sair descalços por aí?
Beijos.
Metáforas belas e o "colorido" do texto é perfeito.
Parabéns!
Cintia,
Ás vezes, nos deparamos com algumas imagens e poesia é isso também, que nos deixam em dificuldades para descrever o nosso sentimento diante da obra de arte, assim de primeira, porque sentimos um forte impacto pela beleza transmitida.
E é isso que senti quando li "Gérberas Felizes".
Grato por poder compartilhar belas imagens com você e com tanta gente de alma boa aqui no Overmundo.
Beijos,
Tocante, Cintia. Dor que aflora...ou floresce?
Pesadas botas... caminhando invernos. Cão faminto... Belíssimas imagens metafóricas. Magnifico poema!
Abraços
Nydia
Belo poema! Consegue trabsportar e transbordar. Abs!
Paulo Esdras · Brumado, BA 19/10/2007 11:59
Salve Cintia!
Como sempre, belo! Vc chegou num ponto que até receitas culinárias, viram poesias - como a poetisa de Goias.
saudações dos pantanais
Cíntia.
Belo. Mas que sabe esse farejador faminto de coisas belas não estava a te olhar como um cardápio de outras rosas, e que seria a melhor de suas sobremesas.
Beijos
Noélio
Lindo poema!
Adorei!
Abçs.
Cintia, belíssimas as gérberas, gosto demais dessas flores. O seu poema é flor rara e viceja em cada palavra e a cada metáfora primorosamente empregada.
Parabéns!
Oi Cintia querida, hj consegui finalmente um tempo pra ficar em casa, e tempo livre em casa é tempo de overmundo, tempo de recuperar o gosto que tenho com leituras que trazem meu lado humano - meio prejudicado com o ritmo desumano do trabalho - de volta. E suas Gérberas Felizes concorrem pra isso. Que pena eu tive da rosa infeliz. Em lembrança às tantas delas que existem por aí, fui trocar a água da jarra em que estão as doze que recebi de meus filhos no Dia do Mestre.
Água fresquinha e cristalina pra sua rosa é o que eu desejo querida.
Beijo da Ize
Adorei o teu lindo poema amiga Cíntia. Meus sinceros aplausos e Beijos.
Carlos Magno.
É o que se pode chamar de poema soberbo!.
extramamente instigante, um verdadeiro buscador da verdade,
um abraço, andre.
Belo poema, Cíntia!!! Votado, claro!
Lindas flores pra você @>--
Nenhuma tormenta, sacrifício ou sofrimento impedira que florescer e brilhar, a beleza, o amor e a poesia que vem de Cintia Thome.
Parabéns pelo seu belo trabalho
Ufa!!! Cintia.
Para que eu pense e suspire por mim e pelas gérberas felizes.
Bjs
Cíntia,..." GÉRBERAS FELIZES" é sentimento vivo.
Um coração em palavras. Belíssimo! Bjus
Cintia,
Como é possível acabar com a tristeza do mundo?
Uma la'grima e' o resumo de tudo isto! Parabens victorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 19/10/2007 22:27
"Sôfrego cão engoliu as gérberas, a felicidade viva"
Que a felicidade das gérberas contagiem o cão e a Rosa.
Que de dentro da Rosa surja, como os raios de luz, a felicidade perdida.
Cinthia, eu adoro gérberas, elas são mesmo alegres, coloridas e felizes. Mas, todos podemos comer gérberas e nos embeber de felicidade.
Um beijo carinhoso!
Cintia,
Um cansaço que reverbera limítrofe ao final das forças. Tornas a ação irracional do animal como um pequeno apocalipse, o estopim para os problemas mascados. A gérbera era você enquanto livre da tensão contínua que o mundo nos impõe sem que peçamos. E flor sumida, eram os seus encantos que rumaram para um destino mais torpe, como quase tudo o que nos cerca. Parabéns pela sensibilildade. Um abs.
Cintia,
Ler teus poemas é viajar no imaginário e sentir a emoção virbando... transbordando o coração...
que mais posso falar de ti, se não dizer-te: és minha poetisa metafórica preferida!!!
Amei e votei!!
grande beijo!!
corrigindo: onde Lê-se: virbando, leia-se: vibrando
Fiquei emocionada!!! rsrsrsr
obrigada, bjinho!!!
Nossa, Cintia,
este poema é maravilhoso! Estupendo.
... sem palavras...
Amei.
Muitos beijos para ti.
Você concretizou a minha tese: primeiro as imagens depois as palavras.Um cão faminto comendo rosas tem coisa mais sureal... e instigante dá para a gente refletir e tirar várias leituras não é mesmo.
Abraços cheios de saudades (verdade verdadeira)
Elizete
Oi, Cíntia! Estive alguns dias sem aparecer, mas, como não poderia deixar de ser, deixo-te meu voto e minha admiração.
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 24/10/2007 08:27
Muito lindo, Cíntia. Mas esse cão... fico pensando nesse cão com fome do belo, porque tudotudotudo tão sujo e feio?
Pobre da rosa.
Obrigada por me dar a oportunidade de ler algo tão belo. Talvez a rosa eu seja o cão hoje. Talvez.
parece surreal, Cíntia, um cão comendo flores, sem falar na rosa de botas, rs... ficou intenso, lindo.
Um cão comendo flores... de verdade? E a poesia se alimenta da angústia e da dor, não?
Gostaria de convidá-la a ler:
http://www.overmundo.com.br/banco/eu-sou-a-mulher-esqueleto
Abraço.
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