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GOMOS DO SILÊNCIO

1
ANIBAL BEÇA · Manaus, AM
20/9/2008 · 105 · 13
 

SEDUÇÃO

Aníbal Beça ©


Molhada na pele
A chuva é delícia
Para o plano pleno
Bem-vinda carícia
Assomando nervos
Pulsa a geografia
Num mapa de extremos

Com o vento da praia
Seu corpo gritava
Um berro de barro
De um som masculino
Feminino e claro
De fêmea que fala
Ao falo do macho.

Sem pressa o poder
Tomando de assalto
O frágil cavalo
Na cava convexa
O aroma ventava
Da concha ao gargalo
Que a brisa abrasava.

Pantera na grama
Se adama na cama
E o verso e a retranca
Ressuma-se em lume
E a língua se lança
Do cume ao perfume
Em sinuosa dança.

Pantera ou serpente
Serena sereia
Que faz do desejo
Magia e feitiço
E quem não se doma
No dardo artifício
De transe e sintoma?

Ó coxas ó púbis
Ó luas de nádegas
Ó boca de beijo
Avara palavra
Mas tudo começa
Na chave de pálpebras
No olhar que atravessa.

São sete os pecados
Saídos do corpo
Também sete letras
Formando a canção
Que o laço se estreita
No aperto de forca
Febre e sedução,




PROFANO

Aníbal Beça ©


Passa a noite com seu fio
e vai deslizante e célere
nesse meu olhar distante.

A lamparina refulge
a memória acesa em chama
ardendo acontecimentos.

Tento pendurar-me ao fio
da corda e ao calor das horas
mas o fogo não me é fuga.

Plumas do sonho me sabem
um ajoelhado insone
no evangelho dos notívagos.

Ajoelhado, jamais!
Disse-o ao seu ouvido um dia.
quando senhor me sabia.

Rodilhas dentadas dançam
nos segundos dos ponteiros:
a dissoluta engrenagem.

Chegada a hora do vinho
ela me lavou os pés
perdoei-a com a fala

Cabelos revoltos voam
na curvatura do dorso.
Não me soube mais divino.

Então a lavei com a língua
e a enxuguei com oliveiras.
Ouvi distante: ECCE HOMO!




GOMOS DO SILÊNCIO

Aníbal Beça ©



De tanto ouvir nada
tudo fica muito.
Fruta oferecida
ao meu paladar
se me entreabrindo
polpa de apetite.

Vem se mastigando
num castigo surdo
sussurro macio
de cioso som.

A fruta palavra
de fruto mascavo
repuxa viscoso
no tacho da boca
mel caramelado.

Nas paredes brancas
escarpas afiadas
os dentes sedentos
língua lambe-lambe
lambuzando a cara.

De comer no entanto
tudo fica pouco
já que somos muitos
de uma mesma boca
ciciando o que fica
na sobra dos dentes
os fiapos sitiados
na ponta da língua
prontos para o gesto
de broca palito.

Gagueja a sintaxe
britadeira grita
em solo de rocha.

Há que repetir
poundianamente
o tripé poema
os gregos de Tróia
cavalo de phanos
na sela do logos
dança a melopéia.

Aprendiz silente
é quando descasco
a casca da fruta
e sorvo seus gomos
o musgo da polpa
no vão do barulho:

Babel ó Babel!
Dá-me a confusão
as línguas de fogo
queimando meus sonhos.

Esse recorrente
ato da procura
é que me alivia
do novo especioso
ato da invenção.

No incêndio afogado
sei-me palimpsesto.

Musas dos irmãos
socorrei-me musas
e deitai comigo.

Nascerão do incesto
clones de mil faces
anjos de asas tortas
um decameron
frouxo e esparramado
de um miglior cantor
para um minor ffabro.

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Compulsão Diária
 

Mestre, todos são tão belos e bem feitos! Só posso admirar a construção, a excelência na escolha das palavras, na composição delas..imagens em profusão. grande estilo, Beça.
Aqui, aprendo o sagrado e o profano.
Muito obrigada!

Compulsão Diária · São Paulo, SP 18/9/2008 08:09
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Cintia Thome
 

Poeta, tudo se inicia no olho no olho....
Seus versos mil imagens, imagens da verdadeira beleza das coisas.Parabens Anibal!

Cintia Thome · São Paulo, SP 19/9/2008 10:25
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ANIBAL BEÇA
 

Compulsão e Cíntia,queridas sempre, obrigado pela visita e pela leitura.

Ternura e carinho

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 19/9/2008 11:22
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Compulsão Diária
 

Compulsão Diária · São Paulo, SP 19/9/2008 16:09
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Julio Rodrigues Correia
 

Anibal, poesia da melhor cêpa como se espera de um poeta imenso como você.Votado.

Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 19/9/2008 19:12
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Doroni Hilgenberg
 

Querido Anibal,

Parabéns pelos lindos versos
que construção!

Pantera ou serpente
Serena sereia
Que faz do desejo
Magia e feitiço
E quem não se doma
No dardo artifício
De transe e sintoma?

Perfeito!
bjssssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 20/9/2008 01:52
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

maravilha de poema é mesmo um lindo trabalho.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 20/9/2008 10:47
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Dito Venéreo
 

Aníbal,
Bom a beça.
Nessa coluna lírica a leitura se derrama pela gravidade e grava atrás dos olhos os sentidos ritmados nas palavras lapidadas que conversam entre si dentro de mim e das outras cabeças iluminadas pela luz eletrônica nas telas espalhada sua poesia supersônica.

saudações saudáveis

Dito Venéreo · São Paulo, SP 20/9/2008 12:02
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ANIBAL BEÇA
 

Julio, Doroni, Compulsão, W.Marques e Dito, colegas queridos, muito obrigado pelas impressões e pela leitura.

Abraço grande

ANIBAL BEÇA · Manaus, AM 20/9/2008 12:23
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Ecila Yleus
 

votei nessa maravilha amigo.

Ecila Yleus · Recife, PE 21/9/2008 21:27
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JACINTA MORAIS
 

AMIGO que forte seu poema!
SENSUAL
ARDENTE...
SEU CORPO GRITAVA
UM BRRRO DE BARRO
DE UM SONHO MASCULINO
FEMININO E CLARO
A FÊMEA QUE FALA
AO FALO DO MACHO...
UI!!!
Dá um estremecimento
Na alma!
parabéns grande mestre,
Abraço grande.

JACINTA MORAIS · Cascavel, PR 20/10/2008 17:27
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JACINTA MORAIS
 

obs.UM BERRO DE BARRO

JACINTA MORAIS · Cascavel, PR 20/10/2008 17:28
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Cláudia Campello
 

O B R I G A D A !

Ganhei meu dia te lendo.......magia de poesia...
lição de arte que fica, cá dentro, pulsando sonhos... querendo sair pelos dedos.
Vc, poeta, foi meu grande achado de hoje.

bjssssssssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 4/3/2009 16:23
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