Abriu os braços... Jogou-se.
Os andares do prédio iam passando rapidamente e seus pensamentos também. Como num filme clichê, sua vida passava inteira a frente de seus olhos.
Todas as lembranças.
Todos os momentos vividos.
Todos os acertos. E os erros.
Fechou os olhos e tentou agarrar-se às boas lembranças.
Eram tantas.
Por mais que existissem maus momentos, esses se transformavam em flashes. As boas lembranças não. Essas se transformavam em um gosto bom de infância. Transformavam-se em um gosto doce. Em sua vista passavam gostos que ele nem se lembrava mais:
... o cheiro da mãe... uma dança que nunca houve... a vitória de uma corrida de obstáculos... o primeiro beijo... a textura da mão do primeiro amor... uma carta escrita à mão... um olhar deixado pra trás numa esquina qualquer... o sol entrando pela janela e aquecendo as pernas entrelaçadas numa manhã de inverno... o abraço no amigo depois de anos de saudades... o abraço no reveillon... o sorriso do recém nascido... o beijo na nuca... o poema escrito para alguém...
O baque surdo do impacto contra o chão cortou a linha de pensamento.
Uma sensação de formigamento tomou conta do corpo.
Não sentia nada. Ou quase nada.
Sentia sim, na boca, um gosto amargo.
Não era de sangue.
Não era da morte.
Não era de raiva.
Não era de ódio.
Não era de pena.
Era apenas um gosto amargo.
Um gosto amargo de perda.
Ausência.
Saltei junto e senti tudo. Obrigada, Max. vc descreveu o que minha curiosidade quase (!!1) fez com que eu experimentasse , tanta era a vontade de saber. Valeu! rsrs.não tive coragem nem para pensar. Seu texto, sempre primoroso, desta vez superou!!! Aionda com frio, arrepio e admiração!
Magnífico!
Max,
rapá vamos parar de fazer os outros saltarem?
Já matei alguns personagens e você também, daqui a pouco vão atrás da gente....rs
Brincadeira, concordo com a CD e pulei junto, a descrição dos pensamentos e gostos deve ser assim mesmo... O final ficou especial, ao meu ver, nada além dos fatos, cru e nu, tão somente.
Parabéns, sempre bom lhe ler!
abração
Cris e CD...
Eu é quem agradeço a presença constante de voces por aqui... sempre com palavras gentis e inteligentes para me dizer!
Muitos obrigados!
Abraços e beijos (cada um para o seu cada um!)
Max!
Você falou de mim por acaso?
Só que o salto é viver , prá cima
Mesmo que apertem o botão ' descendo'....
Fabuloso, rico em palavras, discorre leve....ab
Quem já não teve devaneios sobre o momento que precede O Pulo, ou mesmo sobre a queda livre? Magistral texto.
Robert Portoquá · São Paulo, SP 12/10/2008 10:29Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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