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Grafitado por dentro

José Afonso Viana
1
Cida Almeida · Goiânia, GO
4/2/2007 · 188 · 27
 

Flor de jambo



Há sempre um muro

De iniludíveis silêncios

Quando eu digo: Dói.



Há sempre uma face

Muda e contraída

Atrás do muro

Mesmo quando não digo:

Dói.



Há sempre uma frase

Quebrada e mínima

(Dói)

Onde não sei: o muro.





O que dói

Essa fundura.





O que dói – o muro



(A rachadura)

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informações

Autoria
Cida Almeida
Ficha técnica
Poema
outubro de 2006
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José
 

Imagem e poesia, belíssima!!!!
Agradecido, José

José · Criciúma, SC 1/2/2007 16:41
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Tacilda Aquino
 

Escreve mais um...dois...três, quantos quiser. Vou ler todos.

Tacilda Aquino · Goiânia, GO 1/2/2007 16:48
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jjLeandro
 

Olá, Cida, apenas uma pergunta por que essa sua flor de jambo está amarela quando realidade ela é entre lilás e púrpura, cobrindo com um manto as calçadas com seus filetes que caem duas vezes ao ano nas proximidades de abril e novembro? Algum efeito de mudança de cor? A cor original é mais bela. de qualquer forma a sua poesia não deve nada à cor original do jambo.

abcs
.....

jjLeandro · Araguaína, TO 1/2/2007 17:36
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Marcos André Carvalho Lins
 

parabéns!!!muito bom , cida.
abs.

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 1/2/2007 22:11
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Cida Almeida
 

Leandro, a flor aí não teve nenhum efeito. O click capturou-a na forma exuberante que se fez. Se não me engano, o click do José Afonso é de fevereiro do ano passado. Não sei se existe muitas variações de jambo. Sei que tem um que chamam de jambocha e outro de jambota. Mas obrigada pelo comentário e a informação. Vou pesquisar sobre o jambo.

Cida Almeida · Goiânia, GO 2/2/2007 11:37
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cris gonzalez
 

Olá Moça Cida, vim te ler. Gosto de me pensar ciente do muro, mas certa de transpor a rachadura. Boas letras as tuas. Não pare não.

cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 2/2/2007 11:46
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Cida Almeida
 

Grata a todos vocês: José, Leandro, Marcos André, Cris, Tacilda... O estímulo de vocês vale ouro.

Cida Almeida · Goiânia, GO 2/2/2007 11:51
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Cida Almeida
 

Sobre a flor de jambo: segundo uma amiga minha esta flor aí é a do jambo comum, é meio amarelada sim. E a outra, a lilás é a do jambocha.

Cida Almeida · Goiânia, GO 2/2/2007 14:52
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jjLeandro
 

Ah! fiquei curioso sobre a flor pq aqui na minha cidade há demais pés de jambo nas calçadas, inclusiuve na minha, e só conhecia a tonalidade lilás/púrpura da flor. Mas o formato dela, reconheci, é o mesmo nas duas variações.
Sobre a sua poesia, nenhuma dúvida, maravilhosa!

abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 2/2/2007 15:14
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Haragano
 

Lindo poema, Cida!

Haragano · Brasília, DF 4/2/2007 11:40
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Antonio Rezende
 

Num primeiro momento, Cida, a flor pareceu uma daquelas explosões de shows pirotécnicos. Seu poema tem um bom ritmo.

Antonio Rezende · Palmas, TO 4/2/2007 19:13
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Nelson Maca
 

Bacana seu poema.
Acima da veracidade do jambo,
e aquém do exterior do muro,
fica a cor invisível da rachadura,
nossa sempre porta de entrada
ao outro lado dos signos,
nosso possível
ALÉM daqui.

Poema bonito no trato da língua.
Ritmo e imagens.
Tenso: belos.

Acho que você é poeta.

One Love!

Nelson Maca · Salvador, BA 4/2/2007 23:27
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Felipe Obrer
 

Cida,

Que não doa tanto
já que a cara a tapa
se tem que dar um dia

Quem ri e não diz nada do teu poema
merece o muro, o murro

Quem elogia pode passar pela fenda.

Um abraço e parabéns.

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 5/2/2007 01:18
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jujuba
 

Belo poema e bela foto! - alivia a dor!

jujuba · Santo André, SP 5/2/2007 01:48
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Cida Almeida
 

Rezende, sei que o ritmo em poesia é quase tudo. Mas, conscientemente, tem aberto mão do ritmo em busca de outras sonoridades, prncipalmente da imagem. Tentando aproximar a escrita da pintura, uma pintura que se move com palavras.
Abraços.

Cida Almeida · Goiânia, GO 5/2/2007 15:17
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Cida Almeida
 

Felipe, o seu comentário é um poema! Que bom que passou pela fenda!

Cida Almeida · Goiânia, GO 5/2/2007 15:19
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Antonio Rezende
 

Na verdade, Cida, um poema bate ou não bate, independente de ter ou não ter cadência, sonoridade, ritmo ou essa "pegada necessária" que (como você mesmo diz) é quase tudo. O que posso dizer é que teu poema bateu. E isso basta.

O "dizível e o indizível das imagens", a tentativa de "aproximar a escrita da pintura" ou qualquer outra definição que se dê à viagem de dar corpo e forma ao poema, tudo isso é uma outra gestação, paralela e inquietante. Também penso como você nesse sentido.

Beijo de responsa, terna criatura!

Antonio Rezende · Palmas, TO 5/2/2007 16:04
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Cida Almeida
 

Jujuba, que bom que a poesia funciona como um bálsamo! Obrigada pela leitura.

Cida Almeida · Goiânia, GO 5/2/2007 16:16
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jjLeandro
 

Cida, uma leitura (minha) do seu poema:

Orgasmo

Doer ou não,
Vale a sensibilidade
no encontro.
Caso contrário,
Como você,
Eu fico pasmo.
E passando
Ou não a fenda,
Sei que é impossível
Atingir o orgasmo.

jjLeandro
......
O clímax é uma explosão; a flor de jambo sugere isso. Bem apropriada ao texto. Vc, como disse, para mim, casou de maneira brilhante as duas coisas.

abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 5/2/2007 16:55
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Cida Almeida
 

Leandro, instigante e bonita leitura a sua. O importante é descobrir e ultrapassar a fenda, com muita sensibilidade para não se perder no espanto ou espasmo da vida. Depois lhe enviou algumas outras fotos da flor de jambo. Segundo uma amiga minha, uma flor tímida (a da espécie que você conhece), que se esconde e só a vemos mesmo quando esparra pelo chão com o seu tapete púrpura.
Obrigada pela troca de leitura.
Abraços.

Cida Almeida · Goiânia, GO 5/2/2007 17:16
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jjLeandro
 

Exatamente, Cida.

Vc tem razão sobre a flor. Ela se fixa rente aos galhos e não nas extremidades deles, ficando cobertos os seus cachos pela folhagem. Mas são de uma beleza surpreendente quando invadimos a sua privacidade para espiá-las. Depois é deliciar-se com o espetáculo de vê-las tecer aos pés da planta o tapete púrpura.
Surpreendi-me hoje andando na rua e vendo que elas anteciparam essa beleza, há já muitos pés esparramando seus filetes pelo chão. Será a loucura do aquecimento global, quando a primeira floração só é comum por volta de abril?

abcs

Aguardo as fotos!

jjLeandro · Araguaína, TO 5/2/2007 18:01
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Roberta Tum
 

Cida, vc é artífice da palavra, com um gosto apurado para encontrá-las e tecê-las. Gosto raro...
Passei, li, gostei, e votei!
Bj

Roberta Tum · Palmas, TO 15/2/2007 18:11
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Mª do Carmo
 

Cada um sabe a dor e a delícia da ser, canta Caetano e Vc traz a fundura (gostei dessa palavra!) do viver paradoxal que mesmo murada se expressa.
Ainda não conhecia seus textos poemas, mas a poesia , essa sim, mesmo em prosa Vc tem a maestria poética. Parabéns!
Abraços
MC

Mª do Carmo · Goiânia, GO 16/2/2007 19:58
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Cida Almeida
 

Que bom, professora, que gostou do meu poetar. Brigadão.

Cida Almeida · Goiânia, GO 21/2/2007 12:30
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Francinne Amarante
 

lindo poema! parabéns!!!!
beijão
fran

Francinne Amarante · Brasília, DF 23/2/2007 00:44
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Nanni
 

Vou criar polêmica: na minha opinião, não há melhor poema para chegar nas mulheres do que aquele feito por uma mulher. E tenho dito. É uma onisciência que nenhum homem vai algum dia se aproximar, quiça chegar perto!

Sobre o seu comentário: valeu a cobrança, Cida, me senti instigada. Numa próxima convido meu leitor pra um arrojado cappuccino e pra você mando um convite especial.

Nanni · Florianópolis, SC 12/3/2007 23:38
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Humberto Firmo
 

Nanni, se aproximar eu não sei...
Mas gostar de todos os escritos de uma mulher sensível, isso eu gosto.
Vocês são o que mais gosto em ler.

Cida, eita mulher, já deixei meu grafite no teu muro
( não doeu nada.)

Humberto Firmo · Brasília, DF 24/7/2007 12:56
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