Flor de jambo
Há sempre um muro
De iniludíveis silêncios
Quando eu digo: Dói.
Há sempre uma face
Muda e contraída
Atrás do muro
Mesmo quando não digo:
Dói.
Há sempre uma frase
Quebrada e mínima
(Dói)
Onde não sei: o muro.
Há
O que dói
Essa fundura.
Há
O que dói – o muro
(A rachadura)
Escreve mais um...dois...três, quantos quiser. Vou ler todos.
Tacilda Aquino · Goiânia, GO 1/2/2007 16:48
Olá, Cida, apenas uma pergunta por que essa sua flor de jambo está amarela quando realidade ela é entre lilás e púrpura, cobrindo com um manto as calçadas com seus filetes que caem duas vezes ao ano nas proximidades de abril e novembro? Algum efeito de mudança de cor? A cor original é mais bela. de qualquer forma a sua poesia não deve nada à cor original do jambo.
abcs
.....
parabéns!!!muito bom , cida.
abs.
Leandro, a flor aí não teve nenhum efeito. O click capturou-a na forma exuberante que se fez. Se não me engano, o click do José Afonso é de fevereiro do ano passado. Não sei se existe muitas variações de jambo. Sei que tem um que chamam de jambocha e outro de jambota. Mas obrigada pelo comentário e a informação. Vou pesquisar sobre o jambo.
Cida Almeida · Goiânia, GO 2/2/2007 11:37Olá Moça Cida, vim te ler. Gosto de me pensar ciente do muro, mas certa de transpor a rachadura. Boas letras as tuas. Não pare não.
cris gonzalez · Rio de Janeiro, RJ 2/2/2007 11:46Grata a todos vocês: José, Leandro, Marcos André, Cris, Tacilda... O estímulo de vocês vale ouro.
Cida Almeida · Goiânia, GO 2/2/2007 11:51Sobre a flor de jambo: segundo uma amiga minha esta flor aí é a do jambo comum, é meio amarelada sim. E a outra, a lilás é a do jambocha.
Cida Almeida · Goiânia, GO 2/2/2007 14:52
Ah! fiquei curioso sobre a flor pq aqui na minha cidade há demais pés de jambo nas calçadas, inclusiuve na minha, e só conhecia a tonalidade lilás/púrpura da flor. Mas o formato dela, reconheci, é o mesmo nas duas variações.
Sobre a sua poesia, nenhuma dúvida, maravilhosa!
abcs
Num primeiro momento, Cida, a flor pareceu uma daquelas explosões de shows pirotécnicos. Seu poema tem um bom ritmo.
Antonio Rezende · Palmas, TO 4/2/2007 19:13
Bacana seu poema.
Acima da veracidade do jambo,
e aquém do exterior do muro,
fica a cor invisível da rachadura,
nossa sempre porta de entrada
ao outro lado dos signos,
nosso possível
ALÉM daqui.
Poema bonito no trato da língua.
Ritmo e imagens.
Tenso: belos.
Acho que você é poeta.
One Love!
Cida,
Que não doa tanto
já que a cara a tapa
se tem que dar um dia
Quem ri e não diz nada do teu poema
merece o muro, o murro
Quem elogia pode passar pela fenda.
Um abraço e parabéns.
Rezende, sei que o ritmo em poesia é quase tudo. Mas, conscientemente, tem aberto mão do ritmo em busca de outras sonoridades, prncipalmente da imagem. Tentando aproximar a escrita da pintura, uma pintura que se move com palavras.
Abraços.
Felipe, o seu comentário é um poema! Que bom que passou pela fenda!
Cida Almeida · Goiânia, GO 5/2/2007 15:19
Na verdade, Cida, um poema bate ou não bate, independente de ter ou não ter cadência, sonoridade, ritmo ou essa "pegada necessária" que (como você mesmo diz) é quase tudo. O que posso dizer é que teu poema bateu. E isso basta.
O "dizível e o indizível das imagens", a tentativa de "aproximar a escrita da pintura" ou qualquer outra definição que se dê à viagem de dar corpo e forma ao poema, tudo isso é uma outra gestação, paralela e inquietante. Também penso como você nesse sentido.
Beijo de responsa, terna criatura!
Jujuba, que bom que a poesia funciona como um bálsamo! Obrigada pela leitura.
Cida Almeida · Goiânia, GO 5/2/2007 16:16
Cida, uma leitura (minha) do seu poema:
Orgasmo
Doer ou não,
Vale a sensibilidade
no encontro.
Caso contrário,
Como você,
Eu fico pasmo.
E passando
Ou não a fenda,
Sei que é impossível
Atingir o orgasmo.
jjLeandro
......
O clímax é uma explosão; a flor de jambo sugere isso. Bem apropriada ao texto. Vc, como disse, para mim, casou de maneira brilhante as duas coisas.
abcs
Leandro, instigante e bonita leitura a sua. O importante é descobrir e ultrapassar a fenda, com muita sensibilidade para não se perder no espanto ou espasmo da vida. Depois lhe enviou algumas outras fotos da flor de jambo. Segundo uma amiga minha, uma flor tímida (a da espécie que você conhece), que se esconde e só a vemos mesmo quando esparra pelo chão com o seu tapete púrpura.
Obrigada pela troca de leitura.
Abraços.
Exatamente, Cida.
Vc tem razão sobre a flor. Ela se fixa rente aos galhos e não nas extremidades deles, ficando cobertos os seus cachos pela folhagem. Mas são de uma beleza surpreendente quando invadimos a sua privacidade para espiá-las. Depois é deliciar-se com o espetáculo de vê-las tecer aos pés da planta o tapete púrpura.
Surpreendi-me hoje andando na rua e vendo que elas anteciparam essa beleza, há já muitos pés esparramando seus filetes pelo chão. Será a loucura do aquecimento global, quando a primeira floração só é comum por volta de abril?
abcs
Aguardo as fotos!
Cida, vc é artífice da palavra, com um gosto apurado para encontrá-las e tecê-las. Gosto raro...
Passei, li, gostei, e votei!
Bj
Cada um sabe a dor e a delícia da ser, canta Caetano e Vc traz a fundura (gostei dessa palavra!) do viver paradoxal que mesmo murada se expressa.
Ainda não conhecia seus textos poemas, mas a poesia , essa sim, mesmo em prosa Vc tem a maestria poética. Parabéns!
Abraços
MC
Que bom, professora, que gostou do meu poetar. Brigadão.
Cida Almeida · Goiânia, GO 21/2/2007 12:30
lindo poema! parabéns!!!!
beijão
fran
Vou criar polêmica: na minha opinião, não há melhor poema para chegar nas mulheres do que aquele feito por uma mulher. E tenho dito. É uma onisciência que nenhum homem vai algum dia se aproximar, quiça chegar perto!
Sobre o seu comentário: valeu a cobrança, Cida, me senti instigada. Numa próxima convido meu leitor pra um arrojado cappuccino e pra você mando um convite especial.
Nanni, se aproximar eu não sei...
Mas gostar de todos os escritos de uma mulher sensível, isso eu gosto.
Vocês são o que mais gosto em ler.
Cida, eita mulher, já deixei meu grafite no teu muro
( não doeu nada.)
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