Foto: Flickr/Creative Commons
Não fôsse o capturar de flores,
Que se abate sobre este casto poema:
Adoraria cingir o ar de branco pérola.
Como uma fotossíntese galada em pranto,
Cinjo-me de verde-pecado
- Desgalho-me raivoso -
Qual maçã traída em cacho que se presta
A gozar no grelo da palavra.
Oh! Palavra!
À revelia do fruto ferido no talo,
O grelo pôr-se-á a comer carne de sol
Até que se afie à sôfrega canção prostituta
Como se, assim, fosse flores inconscientes
A revelar-se ao paradeiro da fala.
Ai! Fôsse, ao menos, como os espumantes
De rios de galas
E de cálidos elixires humanos:
Caber-te-ia um crasso manjar remoído,
Sobretudo se abastecesse de esquizofrênicas pestanas
Sob a fúria do amanhecer.
Ah! Palavra...
Vejo-te mulher crescida
E ainda assim nem és poesia moída...
Sim. Ao fim da ceia,
Provarei de teu pusilânime mel:
Este permutado álcool que, em ato de compaixão
Purifica o charco da lavra,
Porque coabita dentro do germicida
E sob efeito de sussurros estereotipados
Não cabe dentro de si...
Ah!.... E é por não fugir da algema da palavra,
Que sou predestinado a ser rubra ferida:
Escaldante cascata de voz.
Pois se não houvesse o transe do orgasmo
Não haveria como descrever o prazer que sinto
E nem teria como aplicar castigo explícito a verve;
Muito menos igualar-me a um beija-flor de vidro e corte,
Um tanto desbordado de néctar vencido.
Ah! O que posso esperar
Deste rarefeito beijo que as tascas no poema
E que sufoca o cerne escarnecido?
Sei... Cinjo o ar de sombra e árvore,
Mas não o enxoto de mim.
Aguardo pacientemente
O refluir do vômito deste ar que me sufoca,
Deságuo minha sede neste poema,
Já que sou conjunção ativa buscando vidas
Podendo quem sabe até,
Fazer este poema remover ferrugens,
Contorcer miragens,
Entrelaçar-se aos meus dedos
Cansados de poetar o que nem sei se sei
Em que parte a vida pariu-se,
Ou a que dogma se enfiou
Para se caber e desflorar-se,
Já me desflorando
Em parte.
Benny Franklin
Caro Benny, resolvi deletar o Bob Dyla, rs
Porque o texto não é dedicado a você e sim talvez na época que escrevi, foi um delírio de tiete, pois todos nós de alguma maneira nos achavamos muito perto deles e talvez eu tenha escrito pensando na possibilidade de encontrá-lo e a sensação de importãncia...rs
Mas valeu...e volto para ler mais o poema e comentar com minhas simples palavritas.
beijos
OSHF.
Poderia ter comentarios dúbios por dedicar a voce...eu nunca iria pedir pra você não se aproximar, rs Postei apenas para ver como uma tiete é doidinha, rs
Cintia Thome · São Paulo, SP 27/9/2007 12:46
Salve, Benny!
Nossa, que profusão poética! E em verbos, 'MULHER crescida'!
Pura fertilidaade, os teus poemas se multiplicam, daria para fazer milhões em cada palavra, cada verso.
Salve o 'transe do orgasmo', assim imaginamos o prazer da consciência plena!
NAMASTÊ!
Voltarei para votar.
Palavras... brotam... crescem... e depois florescem... Na idade madura viram poesia... e se tornam eternas... Volto para votar, Benny! Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 27/9/2007 20:16
Benny.
Todos os deuses hão de perdoar a luxúria com que a tua espada rasga o verbo. Porque, ao poeta, a palavra é moça linda a pedir defloração...
Um belíssimo, ousado, inusitado poema.
Abraços, poeta!
Baduh
Benny, que coisa linda esse poema. Só vc para, tão sutilmente, doar à palavra o direito de se constituir como grelo. Dela, então, não advém simplesmente nascimentos, mas gritos e sussurros que se doam em escaldante cascata de voz. Só vc pra oferecer à palavra o direito de ser mulher em pleno vôo.
Amei
Bj
Vou voltar e reler meus textos, procurar bastante para ver se acho o que voce achou! Nao retribuo, porque nao posso! Como um discipulo pode elogiar um Mestre? victorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 28/9/2007 14:32
"desgalho-me raivoso" : belíssimo!
Votei.
Se puder, leia-me: http://mude.blogspot.com
Abraços, flores, estrelas..
Voltei para votar neste rico grão que, rompendo a terra, no mistério de uma antemanhã, grelou para ver o Sol e por ele ser beijado...
Bravíssimo!
Baduh
Benny,
Belíssimo!
Um aBRAÇO, Marluce
Voto!...victorvapf (Estou com "Guerra" na Edicao) Parabens.
victorvapf · Belo Horizonte, MG 29/9/2007 16:05
Cingir o ar, a árvore...
poetaço Benny e votado...
OSHF
benny, belíssimo...
abraço, poeta!!!!...
"Em que parte a vida pariu-se,
Ou a que dogma se enfiou
Para se caber e desflorar-se,
Já me desflorando
Em parte."
extraordinário!!!!!!
Parabéns, Benny.
abraços,
Grande poeta e amigo Benny,
sempre nos presentiando com os teus maravilhosos versos. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
putz Benny!
vai escrever bem assim lá no overmundo, menino! coisa linda...
ah ..nem preciso dizer mais nada, nossos colegas já registraram aqui.
que verve poética é essa? bravo!
abraços
Benny parceiro.
Nas tuas viagens sentimentais de grande poeta, levas uma grande vantagem sobre tantos, é que despertas o teu próprio interior e que só tu tão bem conheces.
Abraços
Noélio
Cá estou atrasadíssima! Difícil acompanhar a tua produção, poeta! Graças a Deus!
Flores sempre pelas tuas obras-primas! @>--
Sem palavras,Benny,para suas palavras intensas e provocantes...repleta de emoções e sensações....que transbordam na gente!!Lindo poema!Amei
Se puder,dê uma passadinha lá na minha página e veja meu poema tbém,tá?se gostar,vc vota,....
http://www.overmundo.com.br/banco/entre-morangos-e-mofo
.Grande bijo azul...
Rai
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