HISTÓRIAS DA"KHARA SHÍNIA"

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"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA
14/3/2019 · 0 · 0
 

HISTÓRIAS DA "KHARA SHÍNIA"
A origem de muitos contos populares ninguém sabe ao certo; alguns têm séculos, retransmitidos de forma oral por várias gerações, que fazem mudanças e acréscimos em cada "causo", adaptando-o às características do próprio povo e às "limitações" ou regras de comportamento social e discurso religioso. A curiosa "lenda" da Chapéuzinho Vermelho -- segundo milenar obra que, por mãos do Destino, chegou até mim -- é uma das tantas que foram sofrendo alterações ao longo do Tempo, estando em nossos dias bastante diferente do "texto" original.
A famosa "Khara Shínia" viveu na China... favor não chamá-la de "japa" -- ou o inverso, tachar japonês de "china" -- pois alguns já morreram por causa disso. Naquela época só os homens podiam ser intelectuais, às mulheres restavam a cozinha e a bacia de roupa suja. "Khara Shínia", respeitada como escritor e poeta, vestia-se de homem... o que vem a "dar na mesma", os trajes eram bem parecidos ! Colava bigodões no rosto com seiva de pinheiro e nem precisava engrossar a voz, chinês fala tudo igual. Quanto ao nome, por lá têm mil e uma utilidades... são quase todos UNISSEX, nomeando ainda cavalos, gatos siameses e cães pequineses ou "chow-chow". Um imperador guerreiro tinha lindo alazão puro-sangue denominado "ZangZing-Zen"... não é que dezenas de crianças foram assim "batizadas" ! Na Terra não há raça mais bajuladora do que a humana !

Voltemos à lenda da "Chapelão Rosa"... era assim o título do conto original, camponeses usavam chapelões e vermelho era a cor da realeza, proibida para a população naquela época. Já não havia florestas -- nem na China, quanto mais na historinha -- pois a região era muito fria, por ser montanhosa e nevava em boa parte do ano. Árvores alimentavam lareiras e viravam carvão ! Quanto ao lobo, esse existiu realmente e "pegava" criancinhas -- só não fazia mingau ! -- segundo as fofocas sussurradas entre os aldeões amarelos. Seu nome era "Mister Wolf" e estaria pesquisando orquídeas raras nas montanhas que circundavam a famosa Muralha milenar. Para ir a fonte ou visitar a vovó, "Chapelão Rosinha" (com o tempo desbotou !) tinha que passar diante do casebre do inglês, cortinas sempre fechadas à curiosidade mórbida daquela gentalha caluniadora. Dizem que pegava crianças "pra fazer sabão"... o caro leitor tem idéia de como (ou com o quê) se fazia sabão há 1500 anos atrás ?! É melhor não saber ! Mas, vamos à estória:
*** *** ***

Sua mãe já a prevenira diversas vezes que "não desse bola" pro estrangeiro nem entrasse em sua casa. Mas ela era perita em KungFu (WuShu), a família inteira dominava a Arte e as armas do estilo mortal. Na ida para a casa da vovó viu numa fresta da cortina auqeles olhos grandes e "famintos", sabia bem o que êles desejavam. Ao voltar, bateu na porta do casebre todo de pedras, que se abriu em segundos, com o inglês "arrastando" um Mandarim mal aprendido e pior falado:
-- "O que querer esse mocinha" ?!. esfregando as mãozonas cabeludas de contentamento, unhas sujas precisando cortar, um pavor.
-- "Trabalhar pro senhor... cozinhar, lavar roupa" !
-- "Náin"... o que dizer seu mãe sobre isso" ?!
-- "Ela não sabe... nem vai saber, é um negócio entre nós 2, seu Lobo" !
-- "O que o menina pretender... me roubar" ?!
Levou 1 chute "nos documentos" e 2 tapas na cara, um de cada lado !
-- "Você me respeite, inglês estúpido... não sou dessas que você "compra" com qualquer porcaria ! E se ousar me tocar, acabo com a sua raça" !
Em pouco tempo a aldeia inteira ficou sabendo que a jovem "entrava e saía" da casa do "monstro", inclusive a mãe, que confiava na filha.
-- "Fique tranquila, mamãe... êle não fica na casa quando estou lá, faço a comida e as compras e o dinheiro que ganho nos ajuda muito" !
A língua do povo -- sempre pérfida -- divulgou que a menina "estava deitando" com o velho e aquilo era a desmoralização do povo chinês. Passaram a apedrejar a casa do "cientista" -- que foi embora pouco depois __ e a xingar a família dela, que voltou à miséria geral daquele bando de INVEJOSOS. Assim termina a estória de "KHARA SHÍNIA", conforme estava nos anais levados a um convento na Itália.
*** *** ***

E como a história chegou até nós tão diferente ? Bem, antes que Gutemberg inventasse o prelo, monges e freiras passavam os dias escrevendo livros, copiando-os, traduzindo e relançando do Latim e do Grego, entre outros idiomas. A jovem freira encarregada de reproduzir os manuscritos de "Khara Shínia" consultou horrorizada a Superiora sobre o conteúdo impróprio daquele conto:
--"Minha filha, MUDE tudo... crianças não podem ter acesso a essa "sujeira". Troque até o nome do Autor e bote 1 LOBO de verdade nesse enredo" !
-- "Mas, Madre, não havia lobos na China, pelo menos não naquela aldeia" !
-- "Quem disse QUE FOI NA CHINA" ?! Passe os fatos pra nossa região, aqui tem floresta e, quem sabe, lobos" !
-- "E o que comem esses lobos" ?!, insistiu a noviça.
-- "Tem razão... use um belo lobisomem, crianças adoram dragões e bruxas. E que êle coma a tal vovózinha da menina ! Aliás, troque esse chapelão horroroso pelas nossas toucas e use o vermelho, cor da coragem, da energia interior" !
Eis que, desta forma, "mutatis mutandi" -- mudando o que deve ser mudado -- o conto do chinês virou a simplória "História do Chapéuzinho Vermelho" (sem a touca, na verdade), onde uma menina passeia sozinha pela floresta, verdadeira insanidade e "confunde" um lobisomem cabeludo e dentuço com a pobre vovózinha.
"NATO" AZEVEDO (em 11/março 2019, 21 hs)

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"NATO" AZEVEDO

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