ZÉ GOSMA EM: O RETORNO DO HOMEM MELECA!
Depois de escorrer pelo ralo, não podendo mais suportar o peso de seu próprio corpo em estado de liquefação, Zé Gosma (O Homem Meleca) soltou-se e misturou-se ao esgoto. A partir daquele momento Zé Gosma pensou que a vida para ele tinha literalmente escorrido pelas mãos e que nunca mais estaria entre os vivos, porém ao mesmo tempo apercebeu-se pensando; e morto não pensa.
- Estou vivo – tentou gritar. Não pode. Seu corpo já não existia, pelo menos neste formato que conhecemos. Ele agora era um aglomerado de gosma, mais ainda mantinha uma certa unidade corpórea.
- Estarei eu destinado a viver como parte deste esgoto, sem uma forma definida, a navegar eternamente pelos subterrâneos da capital?
Enquanto estes pensamentos lhe ocupavam a mente, seu “corpo” percebia diferentes sensações no que deslizava por entre os resíduos líquidos. Em determinado momento, ao atravessar uma área industrial, entrou em contato com produtos químicos os quais pode diferenciar pelo cheiro e consistência. De repente estranhas reações dominavam sua forma líquida e ele foi-se sentindo mais consistente e mais rijo, quanto mais tomava contato com os tais resíduos químicos, mais seu corpo recuperava a forma tradicional. A mutação que ora, ele sabia, atingira seu ponto máximo devolveu-lhe o corpo de homem e ele, através da primeira boca-de-lobo que encontrou, saiu finalmente dos subterrâneos.
Era noite e o local que Zé Gosma pode ver pela primeira vez depois de recomposto fisicamente, foi a Cracolândia.
Povoada por mendigos, viciados, moradores de rua, carroceiros e prostitutas, os únicos habitantes do lugar que pareciam perceber-lhe a presença gosmenta, eram os cachorros. Alguns lhe faziam festa abanando seus rabos e farejando-o por alguns passos, outros simplesmente seguiam-no com o olhar atento. Das pessoas que por ali se deixavam ficar um ou outro “maluco” oferecia-lhe uma “cachimbada”, algumas mulheres se benziam e praguejavam e carroceiros embriagados não se incomodavam com sua presença. De repente, numa esquina, um cafetão passou a espancar uma prostituta que não havia lhe entregue dinheiro suficiente. Ao ferir seu olhar com o brilho de um punhal refletido na fraca mais certeira luz artificial do poste público, Zé Gosma! Nordestino de nascimento, paulistano por necessidade, sentiu todo o seu sangue paraibano ferver, e imediatamente, avançou sobre o homem, dominando-o e tirando-lhe a arma. O Cafetão ao desvencilhar-se daquele corpo gosmento, olhou-o horrorizado e pôs-se em disparada. A moça agradecida, apesar de sentir um certo asco, pegou-lhe pela mão e o levou ao seu quartinho no cortiço para um banho. O contato com a água morna e limpa do chuveiro trazia-lhe um misto de prazer e angústia, pois sentia que sua gosma era interminável, quanto mais a água a lavava, mais gosma se acumulava em seu corpo. Após algum tempo debaixo do chuveiro, porém, passou a sentir novamente seu corpo de liquefazer...
Como o homem não saia do banho, após chamá-lo por várias vezes, a mulher abriu a porta do banheiro e espantou-se quando nada encontrou, a não ser o chuveiro aberto desperdiçando água quente. Desligou o registro e antes de fechar a porta atrás de si, pareceu-lhe ouvir, vindo do ralo do banheiro, uma voz baixa e distante num rouco e afônico “Muito obrigado”...
FIM.
Sequência do conto "O adeus do homem Meleca"
Adorei seu conto, Robert!
Zé Gosma parece um protótipo do homem moderno.
Parabéns pela narrativa! Votado.
Valeu Francisco.
Pena que não deverá ser publicado, pelo numero de votos até aqui...
Grato pela força.
Abçs.
Meus votos e me abraço ao homem meleca!
raphaelreys · Montes Claros, MG 14/2/2009 13:20um ótimo texto.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 14/2/2009 13:26
Grande Robert, esta obra gostosa de se ler tem que ser eternizada, enquanto tiver energia pra tocar a internet...
Abracos
Amigo ,
Aqui estou e já ta votado ,parabéns pelo postado . Abraços...
Robert,
Parabéns pelo belo texto!
Abraços
Olá Overmanos.
Fiquei muito feliz pela força que todos deram prontamente para a publicação do Retorno do Homem Meleca.
Wancisco; Rapha; W. Marques; Victor; Delen; Falcão. Forte abraço a todos.
Olha, muito eca, tá?!
Votei.
Que conto!
valeu!!!
bjs
Robert Portoquá · São Paulo (SP) ·
HISTÓRIAS IMAGINÁRIAS (ZÉ GOSMA) EM:O RETORNO DO HOMEM MELECA!
Um Texto Impressionante, um personagem incrível que vocé adicionou um sentimento bom salvando a moca do cafetáo.
Personagem que deverisa de ter uma chance de vida normal.
Por favor me informe se tiver a volta do Homem Meleca.
Parabéns acho que a boa vontade do Homem Meleca lhe dá merecimento dessa chance de viver uma vida melhor e alimentar o imaginário de esperanca da nossa gente brasileira que tanto é esmagada na vida.
Parabéns Ficou Muito Bom.
Abracáo amigo
Belo texto ao Homem Meleca
bárbaro teu texto, cheguei agora e está perfeito este conto
sem meleca e inhacas...Prabesn Robert
Muito bom, Portoquá !
abs
Fantástico amigo. Envolvente e dinâmico.
saúde. jbconrado.
que bacana rs... gostei bastante rs..
Higor Assis · São Paulo, SP 16/2/2009 13:24
Muito bom,Robert,criativo! Um retrato do homem moderno....gostei muito da idéia e como vc desenvolveu a história, nos envolvendo do começo a o fim...parabéns,querido!
bluebeijinhos
Blue
lindo, parabéns!
Roberto Pelegrino · Campo Grande, MS 18/2/2009 00:23
Robert.
Bom! Muito Bacana mesmo...
Abraços
Muito legal![
Atual, irreverente, cativante.
Um abraço
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