As horas caminham lentas pelas paredes. Arrastam-se pelo chão. Horas vivas infecciosas. Infectaram-me com a noção do tempo: segundo a segundo.
O relógio digital sobre a mesa. Relógio analógico no pulso. Marca as horas o computador. Marca o tempo o relógio da Praça do Ferreira.
Penso em me livrar deles, mas como? Minha mãe liga para mim às 9 horas da manhã, meu irmão às 11 e meia, e uma sucessão de amigos com hora marcada me impõe a dependência de um instrumento medidor de tempo. Dou um basta nos “amigos-tic-tac”?
Esqueço o relógio em casa propositalmente, inclusive o celular. Caminho, caminho. As horas passam, não passam... Pergunto as horas a um passante sem relógio: agora somos dois escravos do tempo perdidos no próprio tempo à procura de alguém com um relógio!
Enfim, as horas: são 15:47. Volto para casa e pelo caminho tenho alucinações temporárias com imagens de ponteiros, números – relógios.
Estou sempre esperando... faltam 5 minutos, faltam 3 minutos, 1 minuto, 30 segundos, 1 segundo... está na hora e nada acontece.
Como diz meu velho e bom amigo Haroldo Tenório em uma de suas composições "o velho e sábio tempo só não aprendeu a esperar..."
Abraços Adriana.
Sander
Adriana,
mais um texto que traz a marca indelével da sua privilegiada verve. Como sempre, envolvente, belo e perfeito.
Adorei!
Olá Adriana, bem vinda à proposta. Vc acho, foi a única a aderir, por enquanto. Então merecidos parabéns!
Linda a tua prosa poética. Insistente "tempo" cronometrado pelos relógios, nas velocidade da horas.
E vc tem muita razão, pois mesmo esquecendo o relógio em casa, ou mesmo dele querendo nos livrar, ñ tem jeito. Buscamos a hora, o tempo em qualquer lugar.
Parabéns, voltarei.
Bjos
Tudo pode acontecer sim...Um minuto do nada já acontece e aconteceu...
Adriana, Palavras ricas e bem traçadas
Bj.
Ok! Adriana.
Agora, uma contista de mão cheia!
Este de agora, é de prima.
Parabéns!
Bjs.
Adriana,
eu também me sinto "tic-tac", dependendo e precisando tanto do tempo.
Gostei muito do teu texto.
Abçs floridos pra vc!
Betha.
Adriana, gostei muito do seu texto e confesso que não atendi ao convite que me fez a Branca.
E o culpado é o "Tempo". Rsrsrsrs!
Bjs
Muito bom, Adriana. Brilhante.
Abçs.
Nydia
Gostei adriana. Vc definiu muito bem o TEMPO PRA VC, ou seja, o bendito relógio te lembrando o TEMPO todo que existe o TEMPO.
Perfeito!
Parabéns! Voltarei!
Bjo
Agradeço aos caros overamigos pelos comentários.
Eu gostaria apenas de fazer uma observação que vale para todos os outros contos que tenho postado aqui: os contos são ficcionais. Peço que não confundam autor com personagem, mesmo quando escrevo em 1ª pessoa. Meu trabalho com os contos é bem diferente do trabalho com a poesia, embora a poesia muitas vezes também pinte com cores mais fortes ou mais leves a realidade.
Por exemplo, eu não tenho absolutamente na a ver com este texto das Horas Vivas, nem sequer uso relógio de pulso e tem 2 semanas que fui assaltada e me levaram o celular e até agora não me desesperei para comprar outro... Neste texto não defino a minha visão do tempo, apenas coloco em observação o comportamento obsessivo de um personagem, sem interferir ou fazer juízo de valor sobre o mesmo.
Fico feliz que tenham gostado do texto! Beijos e flores a todos @>--
Primavera, li somente três vezes. Gostei demais, morenice.
bjo.
Bonito texto, Adriana. Volto depois para reler e votar.
Bjs
Adriana Costa Amiga Poetisa
Texto admirável pelo que inspira, ilustra e Educa.
Maior alegria, encontrar le e votar.
Parabéns pela obra e pela sensibilidade.
Abracáo
oi.. gostei do "Tempo", da urgência e a velocidade que imprime a quem o ler, assim como texto é o tempo, o dia, o minuto, o segundo, o decimo do segundo quem tem que ser vivido... rs. Admirando. Abraços
analuizadapenha · Natal, RN 12/11/2007 14:32
Infelizmente essa questão do tempo se tornou uma impostação quase necessária desses "tempos" conturbados de globalização, chuva de informações e necessidade de ser útil a sociedade. Adorei a reflexão.
felizmente por aqui ainda não atingimos tempos tão "neurantes" de escravidão temporária. infelizmente isso tbm é temporário. rsrss
pelo menos temos a vantagem genética e cultural da tranquilidade. Digamos que o caboclo segue o Tao por natureza. Bjus ta votada!
Eu adoro os teus contos. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.
Adriana, nao tem importancia confundir o autor com o personagem...e' porque voce descreveu a cena tao bem que confunde! Parabens por ter provocado a confusao! Votado
victorvapf · Belo Horizonte, MG 14/11/2007 08:15
Agradeço a todos os votos, os elogios, o carinho!
Fico muito feliz com o reconhecimento de vocês!
Beijos e flores perfumadas para cada um de vocês @>--
Adriana, what time is it? rs
Muito bom. Costumo pensar que tudo é ficção, mesmo quando os autores se revelam em seus escritos.
É bom quando saimos de nós e fazemos papeis bem adversos. A cabeça do leitor quer sempre nos associar ao texto.
Diria ao FP que o poeta, muito mais que um fingidor, ele é um criador.
Parabéns, por HORA
Obrigada, Frazão!
O próprio Pessoa disse que a "literatura é uma confissão de que a vida não basta", então criamos vidas literárias!
Flores @>--
Adriana,
Horas Vivas um conto bem interesante.
O autor e o personagem não têm nada um com o outro.
Um é o criador o outro a criatura.
Assim é o estilo.
Li, gostei e voto.
Beijos,
Regina
Guto, Regina e Victor
obrigada de coração
beijos @>--
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