Escavucada,
esburacada a nem mais terra, já uma dura lama da alma,
assoreado leito dos rios do sangue mareado pela Lua dos outros,
aluados, alados seres terrestres
que passeiam por fora (órbitas em
expostas fraturas)
como se fora por dentro.
Novo sol todo dia o mesmo de sempre
sol,
ouro etéreo filtrado pela gramática
que teimo em querer dizer com as mesmas palavras
novo brilho...
Ouro dos tolos essa poesia?
reserva de valor das pedras em meu peito
ou aluviosidades dessa carne transbordante
de signos?
Não sei...
brinco de ourivesaria de palavras,
impregnando-as de sem-sentidos
norteando a língua em idiossincrasias
alheias ao entendimento,
lastreadas pelo denso,
roto e intenso (e sem engenharia)
sentimento.
Foto de Sidclay Calaça Dias, no site Flickr.
Voce nos traz brilhantes e pérolas André. Abraços, bom tema.
Cintia Thome · São Paulo, SP 18/11/2008 20:48
É tão importante impregnar as palavras de "sem-sentidos"... Com as palavras, definimos a existência do outro - pessoa, objeto - neste mundo. Com elas, afastamos o medo do desconhecido, sentimo-nos seguros. Mas às vezes a segurança é tanta, é tanto o saber sobre a palavra, que é preciso afastarmo-nos de seus significados, de suas verdades estabelecidas, para ganharmos nova liberdade... Por vezes precisamos da não palavra.
Grande André.
Que neologismo é esse! Idiossincrasialuviosidensidades!
Engenheiro de sentimentos!
de tanto brincar
trinca
trinca
brincante!
abraços,
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