Morávamos com nossos padrinhos e o filho deles, Felipe, numa pequena chácara num cinturão de mata vizinha à cidade de Belém. Acordei cedo e fui tomar café com minha irmã Cecília e com Felipe. Nós três éramos adolescentes e como tal bagunceiros e brincalhões. Mas neste dia eu estava um pouco retraída, pensativa sem motivo aparente. Enquanto Felipe ainda tomava o seu café, Cecília e eu pegamos nossos cadernos e livros e saímos para aula.
Íamos a pé por caminhos de terra batida no meio da mata de vegetação amazônica. Árvores altas, ervas, muitas trepadeiras, cipós descendo das árvores, flores silvestres que caíam pelo chão e nas águas dos igarapés onde, muitas vezes, nos banhávamos antes de voltar para casa. Felipe estudava no centro da cidade e nós duas com a população mais humilde, mas gostávamos de seguir aquele caminho todos os dias.
Nesta manhã, como eu estava sentindo-me ansiosa, mesmo sendo uma aluna aplicada, convenci facilmente Cecília a não ir à aula. Fomos nos banhar num igarapé. Deixamos os cadernos e os uniformes na margem e pulamos alegres naquela água fria e cristalina. A mata era muito fechada ao redor, um lugar de beleza inacreditável com cheiro de mato amassado. O sol iluminava, por entre as folhagens, exatamente o centro daquela água azul. Brincamos nadando atrás de peixinhos que iam para o fundo, podíamos ver a areia branca, mas não conseguíamos chegar até lá por causa da profundidade, a pressão da água nos empurrava pra cima. Chamei minha irmã e disse:
– Cecília, vamos pegar bastante ar e mergulhar o mais fundo que pudermos! – Eu queria tocar a areia no fundo do igarapé.
Cecília sorriu e concordou com a cabeça. Enchemos nossos pulmões de ar e mergulhamos até não poder mais. Parecíamos estar dentro de um imenso aquário. Então percebi que minha irmã estava ficando sem ar, ela começou a nadar na direção da superfície o mais rápido que conseguia. Eu também já estava bebendo água e sentia que ia me afogar. De repente, não vi mais nada, tudo ficou escuro como adormecer sem ter sonhos.
Acordamos na margem do igarapé. Pegamos nossas coisas, nos vestimos e não trocamos nenhuma palavra sobre o que aconteceu. Fiquei com medo de falar, mas acreditei que minha irmã foi mais forte que eu e, apesar de ser menor, ela me salvou. Voltamos em silêncio.
Quando chegamos em casa, coloquei os cadernos sobre a cama e vi que Felipe já estava dormindo. Imaginamos que nossos padrinhos, Dona Josefina e senhor Armando, também já estariam. Era noite. Olhei para minha irmã e sorri, ela me correspondeu e isso me deu um alívio imediatamente. Deitamos-nos mais tranqüilas.
Pela manhã seguiria a mesma rotina, levantar, tomar café e ir para aula. Mas alguma coisa estava diferente naquela manhã. Vestimo-nos e nos sentamos à mesa. Nossos padrinhos não estavam em casa e Felipe tinha um ar de preocupação. Perguntei o que estava havendo e ele não respondeu, sequer olhou para mim ou para Cecília.
Mesmo achando estranho o comportamento de Felipe, sentei à mesa. Ele nem tocou no café, pegou sua mochila e saiu. Eu peguei a chaleira servi minha irmã e depois me servi. Levantei para pegar o pão e minha irmã disse:
– Regina, olhe para sua cadeira! – Olhei e vi que estava com o assento molhado. Eu não estava molhada e não percebi se a cadeira estava molhada quando me sentei. Não tinha sentido nada. Achei estranho e ao voltar para a mesa, lá estavam mais pegadas molhadas pelo chão. Fiquei assustada e Cecília também. O que estava acontecendo?
(continuação download)
Vixe Maria, Adriana!!!!´
Esse seu conto é um enredamento bom demais!
Vai nos aguçando até estarmos afogados nessa beleza de narrativa, em suspense, emoção e agonia!
Sim, é muito bom!!!!
Parabéns!!
Gostei, Adriana. Apuradíssimo!
Escreva e escreva ainda mais...
Bjs.
Benny
Que delícia de texto Adriana,
Conto delicoso e bem "contado", bjus.
Nossa Adriana, chorei mas adorei.
Muito bem escrito e enredado.
Parabéns!
Adriana, adoro seu jeito de escrever. Confesso que até aprendo um pouco do gênero conto com você.
Tem volta, primavera.
Oi Adri,
gostei do teu conto, muito legal.
Mereces todas as flores que envias aqui no overmundo.
Um beijo, e flores para ti...
Dri, que conto mias lindo!!!!!!!!!!!
Estou encharcada de emoção! E claro, querendo ver o desveche, não o fim. Aguardo a continuação, terá, né? Não nos deixe com esse suspense. Mas isso é bom!
Adorei querida, pude viajar pelos igarapés das minhas tenras lembranças do interior do Maranhão... Amei!
Grande barço!
Rangel, Benny, Cintia, Lígia, Sérgio, Letícia e Branca
Valeu pelos comentários super-fofos! Escrever é sempre um desafio e é gratificante demais mexer com a emoção das pessoas por meio da literatura. Que legal!
Branca, o final do final fica por conta da imaginação, que tal? rss
beijos e flores sempre para cada um de vocês @>--
Adriana.
Teus textos são presentes para nossa alma. narrativa excente. Em tempo, Adriana: Os igarapés aqui do Pará são remansos encantados criados pelos feitiçeiros e jardineiros do tempo. Oásis para nossos cansaços.
Beijos
Noélio
Acabei de chegar...votei
Uau! bjus vai lá na MInha Casa...
http://www.overmundo.com.br/banco/casa-minha-1
Que bacana este teu conto menina, cheio de suspense e um desfecho maravilhoso. Meus suinceros aplausos e beijos amiga Adriana.
Carlos Magno.
Meus caros overamigos!
Fico muito feliz e entusiasmada com os comentários de vocês!
Flores a todos sempre @>--
Adriana Costa · Brasília (DF)
IGARAPÉ - conto
Um texto incrível.
Roteiro de um filme.
Teve momentos que me preocupei.
Tudo passou e houve entendimento e paz.
Parecia um conto com algo do outro mundo .
Tudo se serenou e voltou ao normal ate \ que ,
Inexplicavelmente apareceu água de forma misteriosa.
O texto acabou.
Ficou o Mistério.
Muito bem feito.
Gostei muito.
Parabéns
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