Homenagem ao João Eduardo, escrita à maneira do Juó Bananére
Io tava no chópingue co’a Mafalda. Tudas as veisi qui o negrelo passava per noi, la mia moglia sucurava a borsa forte di incontro aos peito. I adonde nóis ia lá stava o negrelo com qüeli dui ogli negri in gopa di nui. Io nun gustava di qüelo e arresorvi domandá a uno signore, di terno azulo, sempre parlando nuno telefone sin filo. Doveva éssere uno sicuranza. Io tchercava uno dgeto di acalmá a Mafada, mia moglia. Qüelo negrelo lá é uno suspeto. Ilo istá persegüendo noi. Io desidéro qui ilo cheja investigato, io falê ansin cum inleganza pro sicuranza, como si fossi uno filme amerigano.
U uomo mi ogliô da testa al piede i mi proguntô: Per acaso sapete vuoi qui il preconceto di colore é crímine inafiaçábile in qüesto paese?
Má qui é preconceto? Io non hó preconceto nessuno. Compro il pane na padaraia di uno portugueise isquifozo, sensa ricordare tuto qui il Salazaro há fato nei ani 40/50, dopo di lachare il Mussolini xupano u dedo; compro mei escarpe na logia do Isaco, sensa ricordare tudo qui la parentela dilo fizero c’o nostro Jesú Cristo, qui ilo non aceta come figlio di Dio, qüelo inhorante.
Il signore há chiamato qüelo citadino di negrelo i qüesto la nostra lege non amitte.
Guarda, le dico io, guarda bene una cosa. Il Dio in cui il Isaco non crede, há criato tute le cose del mondo. Há criato il sabiá larangiera, le rose, il papagalo. Si ilo há criato tute le cose come ilas sono, é perquê ilo quiria qui ilas fosse como sano. Bene? Si io dico qui um piriguito, qüelo papagalo anô, per ricordare uno timi di cálcio qui io adimirê molto in ani passati, ma qui oggi non mereci una spernáquia, é azulo, qui qui il signore, con tuto respeto, mi dice? Dice qui io sono patso. Il piriguito é verde, verde come la foglia de tute le árvole qui il traficante di monho dirúbano nela Amazônia i qui il governo findge qui non vede. Azulo é il mare, cuano l’áqua no stá poluta con tuta qüela fece qui il pópulo dispegia nei canali aquátice e i prefeti non facen niente.
Vá via, qui io non tengo tempo per conversa fiata, dice il signore fardato. Conversa fiata! Perquê fiata, si io me stô buscando li isplicá qui non sono criminale come il signore pensa qui io sono? Io falava dei colore de tute le cose criate da Jesú Cristo i qui il Isaco supone qui nascero di chocadera. Ma, io domando, qui há inventato la chocadera, qüela prima, madre de tute le madre? Fu Dio. Ilo é la chocadera qui cria, ilo medésimo, tute le chocadere.
Saímo du chópingue i entramo nel ônibo, sempre guardando si o negrelo non venia co noi. Cuano il ônibo já stava bê londgi, a Mafalda dá um bruto dun tapa nela testa. Bastiô! Era o Bastiô.
Io pensê qui o inchidente aveva laxato mia moglie patsa. Ila mixplicô: Nun ti ricorda da Dgenoveva, qüela negrona qui mi fazia la faxina, cuano io istava na guarantena? Il figlio dela era uno negrelo molto tímido, bambino cosi pícolo. I oqui sono i medésimi. Io me ricordo bene dei qüeli oqui. Per qüesto qui ilo non venia parlare co noi nel chópingue. Era di vergonza!
Vergonza! La mia vergonza ancora era piú grande qui qüela del negrelo. Ma, Dio, perquê tu non há fato tuta la genti de la medésima colore? Si il arco-íridis qui é il arco-íridis no tché la colore nera, perquê tu ai fato dgente de tali colore?
Mentratanto, Mafalda, co la sapienza delhi moglie vivite, m’augmentato la mia vergonza: Ma dove tu há visto la colore bianca nel arco-íridis, cecato? Vai escuitá o Rubinato, vai.
Juó Bananére era o pseudônimo de um escritor satírico nascido e criado na cidade de São Paulo.
Adoniran Barbosa, pouco tempo depois, levou para a música aquele mesmo modo de falar, até porque os pais do Joãozinho Rubinato, tanto quanto minha mãnhe, se deixaram de nascer na Venécia, belo.
Naquele tempo o modo de falar dos paulistanos tinha enorme influência da fala cantada dos imigrantes italianos, ao contrário do que acontece hoje, quando a fala dos paulistanos mais novos tem muito da fala dos nordestinos, aqueles que o Caetano chamou de “novos baianos”.
Nada a estranhar, pois São Paulo é a cidade brasileira onde há mais nordestinos do que em qualquer cidade do Nordeste.
Suannes....to chorando aqui...de rir e de chorar mesmo...pela homenagem grandiosa e super-bem-humorada...Adorei sempre, o Juó Bananére...pra lá de...e vc foi "unispedágulo", va benne ?
Vou vindo e relendo e re-comentando...senza precontcheto, ãh ?...rs
perche oce nu me vá achano che ta livre dio, va benne, bello...rsrs
e io dico..una cosa tche una cosa quano questa cosa nonénotra, ó capito ?...mamma mia , me fá lembrá dos mio tzio vecchio, maledeto...rsrsrs
abracio...io vorto, va benne ? se nó va benne , va via, patso...rsrs
baci, ciao...
un isbedágulo, meglio...rsrs
io vorto...io vô vortano...lacha stare que iso me vorto...rsrsrs
Beleza a prosa do Bananére. É a propria inspiração do Adoniram. Beleza essa influência dos italianos na terra da garôa! Um mundo a parte e uim ponto na nossa história! Parabéns pela lembrança de brasilidade!
raphaelreys · Montes Claros, MG 5/3/2009 03:41
" e io , bambilo do suli , tô perplexo c´questo talentoso texto"
... Vá lá que seja assim meu portu-liano ...
Tem até a Genoveva ..........
kkkkkkkkkkkkkkk
Hum texto interessantíssimo, eu diria, como sempre são os que vêm do Suannes. Um abraço e parabéns!
José Cycero · Aurora, CE 5/3/2009 10:01
Circus do Suannes · São Paulo (SP)
Il Arco-Íridis
Admirável texto com o personagem -Juó Bananére- qie merecia um espaço na televisão.
Ele dá conta de descrever a situacáo.
Parabéns.
Abração Amigo.
muito bem feito e gostoso de seu texto.
depois eu volto.
Esta fala italianada dos paulistanos era muito engraçada e simpática. Tenho uma prima que, durante sua carreira profissional foi comissária de bordo da VASP. Mradora da Moóca (é, bello) e neta de avós paternos e maternos italianos, só podia falar daquele jeito, né? Era conhecida na VASP pelo seu falar característico. Muitas vezes, era chamada pelo Comandante da aeronave: " Comissária .... queira dirigir-se à cabine de comando". Quando ela chegava à cabine o Comandante dizia imitando seu jeito de falar: " Olha, bella, nós tamo sobrevoando a Moóca". Era uma gargalhada só.
Muito legal, Suanes, você relembrar este falar e contar uma boa história com ela.
Ivette G M
Meu....cada vez que releio, descubro mais...e me divirto mais
va benne ?...l'amerigánã di kanssacit....ó cabítã ?...
mio nono, Giuseppe Canônico, deve di tá rolano di ridere la no chello, va benne , bello ?...rsrs
troppo buono !...io me esburratcho...rsrsrsrsrs
e siiii ! noi tutti stamo sobr'voano a Moóca, bello !...rsrsr
Ma che bello, Joe ha ritornato!!! dopo di quest`omaggio....rimanerá per sempre fra nói.Auguri. Lila Su
Lila Su · São Paulo, SP 5/3/2009 12:27
non leggere, non parlare.
Vorrei tradurre, italiani d interiore sonpalo.
si, si apprendere
Oi Adauto
também ri bastante.
A linguagem nordestina, o preconceito enraizado e o bruto engano, da ao seu texto um valor imenso.
Isto também é cultura.
bjs
Só o mesmo nossa pátria para ter tantas culturas
difrentes, é como diz a música, "isso aqui ô ô é um pouquinho
do Brasil", grande Suannes!
Circus de Suannes. Joe merece todas as homenagens.
Apesar do carioca non parlare la Mama Italiana ma qui tuto bonna gente. Achei um barato. Parabens pela ideia e a homenagem
Bjs com saudades do Joe Bazuca, Nirtes Carvalho
Voglia sappere o che io atcho do precontcheto ?
io te dico, va benne ?...
Primo io bisogno dire che mio nono cthegó d'Itália con mazzomenã vint'anni no Bratchile...
Quandã ilo hó vennito, me contavano ilo, ( quandã io éssere picollino, da vero ...), che no porto du Rio di Djanéro, os imigrante ansim che nem ilo, num tenia un solo banqüinio bra zentá, hó capito ?...Ilo ditche pra io che, tenia lá uns bario benne grande, cosi stesso di vino, di legno con una feta di metale stesso uno tchinto de amarrá as carça, va benne....
Daí, ilo me contó che os rico saiono per un lato do navile, che noi tcahamvo de barco, va benne...Tutti separatti, con suas ropa bellina, prefumati, una belezza !...
Ma, ilo che era poverino e piu tutto la dgente poverina anche, andavano tutto insieme, spremito che nem quelo pessino che ficano spremito anche nuna latinina di metale anche, hó cabito...
Daí os fratello rico iano de garruadge buchata a gavalo, tutto belli, tutti prefumato...E ilo, poverino, subivano nunas garrossa buchato con agueles burrinio, e tutto insieme, tutti spremiti anche...e andavano via...e viadjavano trenta, guarenta légua, sensa pane, senza aqua...
io te digo...voglia sappere che é preconceto ?...é questo, va benne ?...e va andate via cantare la musica do Rubinato, vade...rsrsrss
ciao bello guarda !..auguri e soldi molto !
Giovanne "Feza" ( come mi tchamavano mios zio tutto, quando io era picollino...rsrs)
E o Bixiga, hoje, hein, Joe & Adauto ?
nem uma sombrinha do que era...
Um beijo Ou dois !
Suannes: parabens pela homenagem, lembrando Adoniran e Bananere. Grande abraço, Grauninha
graça grauna · Recife, PE 7/3/2009 00:25
Tutti buona gente!
Big Joe! Bela homenagem!
ma che cazzo !...
va benne ?...
angora io voté...
suo farfalone !...rsrs
abraço, valeu a força, Adauto !
Mais que uma merecida homenagem, um grande resgate da literatura paulistana pré/pós 22. Além dos bem lembrados Juó Bananére e Adoniran Barbosa, faz parte do mesmo time, como nem homenageado nem homenageante devem desconhecer, nosso Alcântara Machado; que, embora morto prematuramente, deixou-nos entre outros os belíssimos contos de Bras Bixiga e Barrafunda, com seu impagável Gaetaninho, e toda uma trupe de encantadores personagens.
Esse foi um postado de valor indiscutível para todos nós.
Voto com muito gosto - parabéns!
Voltando
Grande homenagem ao Joe
Valeu!!!
bjs
Votando, com a determinação de um "bambino"
abraço
Grazie tanto per tutti amice che qui erano !
Auguri per tutti i "overfratelli" !
in speciale per amico del cuore Adauto, ecco gli ?...rsrsr
io sono veramente felice, da vero !
baci an'cuore , tutti quanti !
ciao, mia buonna gente !
Adoniran total rs ! Do que entendi, gostei muito ! Votadíssimo.
André Calazans · Rio de Janeiro, RJ 8/3/2009 14:24
O melhor do trabalho são os anexos. E ninguém fala nada deles!
O vídeo da esquina da S. João com Ipiranga é sensacional. E ninguém abriu o site para desfrutar dele.
o Suannes fala desse aqui :
http://www.br360.com.br/sp/flash/ipiresjoao.html
desfrutem, pois !
O Meu texto:COURO CRU a principio era escrito do modo que se fala la no interior.Se bem que em minas e em são paulo o sotaque é bem diferente.Um atriz disse que o meu texto era cheio de erros de português(será que portugues ainda usa chapeuzinho,ou acabou)? Enfim! Mudei o texto misturando tudo.
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 9/3/2009 11:41
Só vc messssssmo, rsrsrs
obrigada pelo o clima aqui.
bjssss;)
Circus do Suannes · São Paulo (SP
Il Arco-Íridis
Náo tem como náo elogiar muitas vezes e dizer Quye é Trabalho de Primeira.
Parabéns Amigo
Abracáo Amigo
RSRSRSRSRSRRRRR...
Delícia!
Lembrei do Vô Barghini.Ao pedido de bênção costumeira dos netos,respondia:- Binçoi (leia-se:Deus te abençoe...)
Bj......Selma
Boa lembrança, Suannes. Sempre que vou a um sebo
passo raiva de ver os livrinhos do Bananére ali escondidinhos
e niguém compra. E muitos deles ainda novinhos, edição caprichada, capinha plastificada,parece ponta de estoque, encalhe; dá vontade de comprar tudo. Bem lembrado.
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