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IMACULADA E FORTUNATO 12 - Conto

1
jjLeandro · Araguaína, TO
29/9/2007 · 98 · 6
 




CONTINUAÇÃO...

IMACULADA E FORTUNATO

12.


Ele percebeu minha crescente inquietação e mudou subitamente de atitude.
Eu que pensava já ter visto tudo naquela noite mais uma vez fui surpreendido. Com a mesma sutileza de um ator que passa do drama à comédia sem deixar no rosto ou na voz traço do estado anterior, e os aplausos da platéia são o reconhecimento do grau de dificuldade da cena, ele se transformou. Seu desempenho só não mais me impressionou porque já desconfiava que tudo fosse teatro. Quanto à mulher, não tinha diagnóstico definido se também era protagonista ou refém da infernal história.
— Bem, já que essa mula continua empacada, eu mesmo vou dizer o que Imaculada viu antes de desmaiar — asseverou antipático.
Embora ele tivesse sido mal-educado ao se referir à mulher, ela expirou de uma só vez o ar dos pulmões, aliviada porque a tortura chegava ao fim.
— Mas nada de arredar o pé daqui — condicionou —, você vai ouvir tudo.
A mulher se livrou de contar o que também ela sabia e era-lhe doloroso, por motivos que eu desconhecia. Mas era apenas um paliativo, uma vitória insignificante, pois a decisão de prendê-la ao pé da mesa acatada sem contestação, teria, por certo, grandes reflexos sobre ela. A contração dos músculos do rosto traduziu o desapontamento com a decisão que lhe fora imposta.

Quando Imaculada viu a prova do crime dependurada nas hastes das formosas roseiras teve a absoluta certeza que a fuga programada era impossível.
Das formosas híbridas perpétuas, que todos na pensão admiravam, brotaram pedaços do corpo do garimpeiro assassinado e sepultado clandestinamente sob o roseiral. O peso das partes do corpo, brotadas das grandes corolas, vergava para o chão as delicadas hastes das roseiras. Impressionava a perfeição dos pedaços do cadáver e pareciam ter sido colocados ali naquele instante. A cabeça, que havia sido enterrada inteira, estava presa pelos cabelos; os olhos, com uma expressividade de olhos de gente viva, pareciam acusar Imaculada. Pelas outras hastes distribuíam-se pés, coxas, partes mutiladas do tronco, mãos e os braços. Os presentes tiveram dificuldade em assimilar a realidade horripilante, a despeito de serem gente forjada nas cruezas dos garimpos e pouco sensíveis pelo quão presente se fazia o insólito em suas vidas. Imaculada não suportou a um só tempo a magnitude da cena e a revelação do crime. Desmaiou.
A voz unânime dos presentes dizia: “É o garimpeiro Fortunato”. Imediatamente alguém se prontificou a ir avisar os irmãos dele no riacho Dourado. Outro se abalou sem demora atrás do delegado. A censura geral só não se tornou um peso insuportável para Imaculada porque ela desmaiou e ao recobrar os sentidos já era outra pessoa. Fingia não perceber a gravidade da situação ou, de fato, não percebia.

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informações

Autoria
jjLeandro
Ficha técnica
Este conto tem 15 páginas e irei publicá-las aqui, uma a uma, como antigamente nos jornais se publicavam os capítulos de um livro. Darei tempo para que digiram, por isso não publicarei todo dia, mas o tempo não será muito espaçado.
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Cintia Thome
 

Querido, mais um capítulo muito rico...Votado.
Bom fim de semana!
abçs.

Cintia Thome · São Paulo, SP 29/9/2007 09:28
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baduh
 

Votadíssimo!

baduh · Rio de Janeiro, RJ 29/9/2007 13:48
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Andre Pessego
 

Muito bom, e acada vez mais vai se firmando aquele interior, sendo sangrado pelo urbanismo, assim foi no meu lugar,
um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 29/9/2007 14:15
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Felipe Henrique
 

votadíssimo, um bom fim de semana... fui.

Felipe Henrique · Mesquita, RJ 29/9/2007 21:50
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j.alves
 

Um abraço meu caro,

j.alves · São Paulo, SP 29/9/2007 22:32
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