CONTINUAÇÃO...
IMACULADA E FORTUNATO
13.
Os empregados estavam quase exaustos quando o delegado chegou.
Já vinha do canteiro, onde deixara dois auxiliares escavando o chão e recolhendo das hastes as partes do corpo de Fortunato. O reconhecimento do corpo havia sido feito por dois garimpeiros, conhecidos do morto e vizinhos de lavra, que por acaso estavam na pensão.
Sem muita delicadeza, ele foi logo dizendo:
— Onde está o ouro, dona Imaculada?
— Ela não tem possibilidade de responder a qualquer pergunta — defendeu Maria.
— Isso é pura encenação — observou a autoridade, ficando diante de Imaculada e aproximando-se muito de seu rosto.
— Vamos, diga-me! Onde está o ouro?! — sacudiu-a.
— Delegado, o senhor não percebe que ela recebeu um grande choque e ficou de miolo mole?! — insistiu Maria, encorajada pelos olhares de Anselmo.
Quando se preparava para expulsar todos da sala sob o argumento de que obstruíam os serviços de um homem da lei, uma grande gritaria no oitão da casa interrompeu-o. Saiu apressadamente para conferir a origem da algazarra e chegou na hora em que os auxiliares desenterravam os ossos de Fortunato.
Retornou para a sala com ar triunfal, afinal tinha agora provas materiais do crime — os ossos da vítima —, já que as partes do corpo, brotadas inusitadamente do centro das rosas, supunha ser uma história demasiado fantástica para se sustentar como acusação em qualquer tribunal.
Levou consigo um dos fêmures exumados, para mostrar a Imaculada e arrancar definitivamente sua confissão. Não surtiu efeito, ela continuou dizendo coisas sem nexo e frustrou-o quando identificou o osso como sendo um remo perdido havia muito tempo, agradecendo-o por tê-lo encontrado.
Depois de acondicionar a ossada em um caçuá, o delegado, e um dos auxiliares, decidiu vasculhar a casa em busca do ouro. Tivera a idéia forçado pelas circunstâncias, como último recurso, após sentir infrutíferos todos os seus esforços para arrancar da acusada o local do esconderijo do ouro. No quarto de Imaculada encontrou baús e canastras prontos para viagem. Convenceu-se de que tinha faro policial e desconfiava que a razão de mantê-los rigorosamente fechados era porque escondia o ouro, além do que a intempestiva viagem podia representar mais que isso, uma fuga.
Surpreendeu-se com o tiro certeiro que dera; dentro de um escrínio encontrou as pepitas de ouro. Um sorriso mordaz aflorou-lhe aos lábios e concluiu que às vezes o tiro sai errado e mesmo assim mata a melhor caça. Era o que acabava de acontecer: “Às vezes é preciso o concurso da sorte”, justificou-se.
Do alto da escada com as pepitas nas mãos, e o auxiliar atrás de si trazendo o ouro, o delegado, empavonado, falou bem alto para chamar a atenção:
— Aqui está a prova que eu precisava, e estava entre seus pertences, dona Imaculada. Como pode explicar isto?
Ela sequer girou a cabeça.
Maria, surpresa, caiu em prantos. O delegado se aproximou de dona Imaculada, manietou-a com algemas e conduziu-a junto com as provas para a delegacia de Monte Dourado.
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Leandro, maravilha de texto. Muito bem escrito. Vou baixar os demais, para ler e poder seguir o restante. Grande abraço!
Lobodomar · Guarapari, ES 12/10/2007 07:25
Então Leandro, tendo iniciado a leitura deste teu conto e já chegado ao capítulo este, de coicindente número 13, puxado ao tétrico, não por arenga gratuita, pergunto: onde estão 14 e 15, oh meu rapaz?
Até quando vamos esperar pela postagem? Urge que se os publique para o bem psíquico do povo teu leitor.
Veja-me aqui à espera sôfrego do deslinde de uma pérola (ou uma pepita de ouro?) de história que ao início apresentou-se uma, a meia tornou-se duas ou três e que, a dois capítulos do fim ainda pode ser mais que as dantes adivinhadas ou retornar a uma das vertentes.
Belo texto, excelente trama.
Sei vários finais - não os conto - e aguardo o teu desfecho, já aplaudindo.
Bravo!
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