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IMORTALIDADE_CAPÍTULO 2

Lauro Winck
1
LAURO WINCK · Rio Pardo, RS
10/7/2009 · 7 · 6
 

CAPÍTULO 2 - MUDAR O FUTURO?

Havia em uma área plana a entrada de uma antiga mina, onde eu via uma estrutura de metal parecida com gigantescas pernas de um inseto, com segmentos que se apoiavam de maneira totalmente desequilibrada, com apenas dois pés apoiados ao solo. A geringonça parecia estar flutuando em sua extensão maior. Sentei-me a sombra de umas amoreiras observando o estranho objeto. Repentinamente surgiu como em um passe de mágica uma figura feminina. Vestida com uma roupa escura que lhe cobria todo o corpo inclusive as mãos, parecendo mais algo colado ao corpo do que uma roupa propriamente dita. O rosto parecia descoberto, mas era estranho, não dizia nada, apenas me olhava. Um capacete, parecido com nossos capacetes para motoqueiros, diferenciava-se apenas por tampões sobre os ouvidos, como fones embutidos – olá! Arrisquei. Ela apenas apontou para um local ao chão, deu meia volta e desapareceu como se entrasse em algo invisível em meio a armação metálica. Aproximei-me e no local indicado havia uma placa, pouco maior do que a anterior. Era fina e parecia granulada, mas só isso. Não havia outro ideograma. Peguei o objeto e quando me afastava, um zumbido cresceu e a coisa alçou-se no ar desaparecendo em grande velocidade. O local estava também, queimado e muito quente. Pus a nova placa no bolso e voltei para a fazenda procurando entender o que havia acontecido. Chegando a casa, fui para o meu escritório. Peguei o objeto e uma lupa para examiná-lo melhor, mas, ao aproximá-lo da lâmpada aconteceu algo ainda mais estranho. Diante dos meus olhos surgiu um texto escrito em inglês, como se fossem minúsculas letras luminosas. O texto deixou-me ainda mais curioso. Dizia, “ Parem a experiência. Venho do futuro, do ano 2038, mas, não venho da Terra. Sua experiência gerou suicídio em massa múltiplas guerras, assassinatos em massa e uma catástrofe que abalou o planeta. Uma gigantesca explosão causou o vazamento de magma incandescente e o planeta será coberto de larva vulcânica. Uma civilização extra terrestre ajudou-nos a mudar para a terra 2. Um planeta descoberto ainda em 2008. Foram transportados apenas os sobreviventes. Os suicídios, guerras e assassinatos foram causados por revelações que deveriam ter permanecido em segredo. Esperamos que o cancelamento da experiência, possa reverter os acontecimentos. Por enquanto só me comunicarei com você desta forma.Volto dentro de 10 dias.” Fiquei um bom tempo, indagando de mim mesmo. Quem seria aquela estranha figura? De que segredo estaria falando? Porque utilizava métodos tão estranhos para se comunicar? Liguei para o Moura, mas, sua secretária informou que ele estava viajando para o laboratório do CERN em uma ilha remota no pacífico onde o projeto seria desenvolvido. O Rogério Moura era um homem muito cuidadoso e o projeto era de conhecimento apenas do nosso grupo e do diretor do CERN. Por questões obviamente de segurança a idéia de colocá-lo em um lugar remoto o exporia menos, pois o CERN tem um grupo muito grande de cientistas a seu serviço e isso poderia acabar causando algum vazamento de informações relevantes. Pedi à sua secretária que ligasse assim que fosse possível um contato. Agora a minha cabeça começava a martelar minha mente. Tentava vislumbrar, que tipo de conseqüência poderia gerar suicídios e assassinatos em massa? Que terrível segredo seria capaz de produzir tamanha autodestruição? Será que o colapso do planeta mencionado seria causado pela experiência? Dei-me conta de que talvez, não conseguisse contato com o Moura tão sedo. Obviamente o local era secreto e provavelmente incomunicável. Contei a Kelly, o que havia acontecido. – Falei pra você, alguma coisa me dizia que esta história de naves alienígenas tinha algo a ver com os acontecimentos que nos envolvem desde que você ou seu espírito invadiu o corpo do Marcio. È verdade, eu já me acostumara com a nova identidade a tal ponto que às vezes nem lembrava que ao morrer assumira a identidade de um homem bem mais jovem. Na verdade, desde que isso havia ocorrido, vi-me envolvido com outra dimensão e com universos paralelos. Fazia agora já quase um ano que as manifestações do universo paralelo haviam parado de ocorrer. – Kelly, não podemos ficar de braços cruzados. Precisamos fazer algo. Acho que vou para a Suíça, preciso falar com o diretor do CERN.- Claro! Respondeu Kelly. Precisamos parar essa idéia maluca. Desde o início, Kelly mostrava-se arredia ao que estávamos planejando. – Kelly, acaba de me ocorrer uma idéia nada agradável. – Que idéia? Dava-me um arrepio ao pensar sobre isso, mas, havia uma contradição naquele texto da placa. - Já sei no que você está pensando. Falou Kelly com os olhos arregalados. – Sim, se esta figura veio do futuro, significa que o projeto não foi cancelado. - A menos que ela tenha vindo do futuro paralelo. – Espere. Argumentei. – Mesmo que ela venha de um universo paralelo, significa que o projeto foi executado. Então se paramos agora, nós protegeremos o futuro em nosso universo.
- Sim, mas o futuro dela não será mudado. Puxa! Isso ta dando nó nos meus miolos. Kelly não conseguia esconder um ar de incredulidade. - Seja como for, nós agora temos uma verdadeira bomba nas mãos, com data para explodir. Preciso viajar ainda hoje.
Chegando à Suíça após uma estafante viagem, dirigi-me direto a sede do CERN. O diretor executivo havia mandado alguém me apanhar no aeroporto. Ele estava a minha espera em sua sala no coração do CERN. Era um homem simpático e cordial, mas, seu semblante anunciava que algo de mau estava por vir. – Sr. Marcio sente-se, por favor. Temo que as notícias que tenho para o senhor não sejam agradáveis. – Pois não? – Informações recentes da nossa base na Ilha informam que houve um ataque por um grupo para militar e apesar do rigoroso esquema de segurança, o local foi invadido e todos foram mortos. – O senhor está querendo me dizer que... – Exatamente, o Sr. Rogério Moura também foi morto e o que é pior, o projeto foi roubado juntamente com peças ultra secretas. Nosso diretor de operações acompanhado pelo presidente da instituição já esta a caminho. Mandei preparar um avião para nós. Presumo que o senhor queira acompanhar-me, como membro participante do projeto e naturalmente porque o Rogério era seu amigo. – Claro, tenho o maior interesse. Rumamos para o hangar do instituto e ao entrar, cresceu a minha frente um estranho tipo de aeronave que parecia uma grande aza delta, apenas com uma saliência central arredondada onde deveria ser a cabine. Uma escada escamoteável desceu suavemente e embarcamos. Por dentro, havia espaço para 4 pessoas confortavelmente sentadas, pois parte da cabine invadia as azas. Lembrei que não vira uma pista de decolagem. Apenas uma área pouco maior que os heliportos convencionais. Adivinhando minha aflição o piloto, um sujeito baixinho e atarracado comunicou. - Não se preocupe, a decolagem é vertical. Esta belezinha, chega a Mach 3 e voa acima de 15000 metros. Levaremos cerca de uma hora.
- Uma hora? Pensei. Esperava pelo menos umas 3 horas de vôo. A cabine do piloto era um festival de alta tecnologia e eu seria capaz de apostar que nenhum radar seria capaz de detectá-lo, fato confirmado mais tarde por Eugene Deschamps, o diretor executivo que me acompanhava. O vôo transcorreu sem incidentes e pouco mais de uma hora depois pousamos, verticalmente, claro em uma outra área semelhante a que vira no CERN. Ao desembarcarmos percebia-se que não fora nenhuma brincadeira. Havia corpos por todos os lados e muitos soldados da guarda Suíça, além é claro de uma força tarefa do próprio CERN. Fomos conduzidos à sala onde Moura estava morto ainda debruçado sobre a mesa onde trabalhava. – Houve algum sobrevivente? Perguntei. – Sim, informou o militar que deveria ser o chefe das operações no local. Uma moça, que servia o cafezinho. Mas está em coma e não sabemos ainda se sobreviverá. Eu sentia-me arrasado. Meu amigo estava morto e agora esta notícia, a do desaparecimento do projeto, me dava calafrios. – Quem você acha que fez isso? Perguntei ao Eugene.
– Olhe! Nós vivemos num mundo de muita violência, não saberia lhe dizer, já estamos investigando, mas, na atual conjuntura, candidatos não faltam. Uma pergunta de imediato veio-me a mente. - Como sabiam do projeto? Eugene franziu o cenho. – Sr. Marcio, o CERN tem sempre muitos projetos. Atualmente temos mais de 200 projetos só na área de tecnologia. Então, tem muita gente de olho, monitorando tudo o tempo todo. Na era da globalização e com o avanço tecnológico, fica muito fácil espionar sem ser notado. Não descartamos, terroristas, espiões governamentais e até especuladores sem escrúpulos. Não cheguei a falar com o presidente da instituição que andava de um lado para outro sempre acompanhado por acessôres e militares. O local era uma verdadeira fortaleza. Para entrar ali, alguém de dentro deveria ter facilitado o acesso, pois a porta principal era aberta somente depois de identificação por retina e reconhecimento digital de um cartão. Eugene não quis me informar quem participava do projeto além do Moura. Alegou assunto interno e não me pareceu disposto a colaborar. Tinha confiança em seu pessoal e obviamente eu era de fora, estava no projeto apenas por que levantei uma hipótese sobre a questão e tinha interesse em provar minha teoria. Resolvi sair dali e andar um pouco pela ilha. Não esperava encontrar nada, apenas esticar um pouco as pernas. Andei contornando a praia, e me chamou a atenção um farol abandonado. Procurei andar até lá. O local dava sinais de que há muito tempo não andara ninguém por ali. Havia uma escada de ferro em caracol que levava até o topo da torre. De uma das pequenas janelas, via-se nitidamente o heliporto ao longe. Já ia embora, quando uma embalagem vazia de salgadinhos chamou-me a atenção. Era embalado na Inglaterra o que não adiantava muito dado as dimensões do continente europeu. Mas, era uma pista. Alguém estivera ali, embora seu rastro tenha sido cuidadosamente apagado. Seria alguém encarregado de avisar sobre o movimento no heliporto, ou estaria ali para avisar da chegada do helicóptero do CERN que trouxe o Moura? Guardei a embalagem e pensei em falar ao Eugene, mas, mudei de idéia, ele iria simplesmente anexar às investigações e eu estava interessado em fazer minha própria investigação. Não havia tempo a perder.

CONTINUA

Sobre a obra

MUDAR O FUTURO SERIA POSSÍVEL?

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Autoria
Lauro Winck
Ficha técnica
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Bruno Resende Ramos
 

Sempre surpreendente. òtimo trabalho narrativo. Voltarei para ler de novo.
Vale uma releitura.
Bruno Resende Ramos
http://www.novacoletanea.blogspot.com

Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 10/7/2009 23:35
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azuirfilho
 

LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)
IMORTALIDADE_CAPÍTULO 2

Seus textos e Contos são verdadeiramente imortais pela trama atraente, pelas novidades nas ações e sobretudo pelo arrojo na criatividade e nas aventuras que sempre fascinam a nós leitores.
Ficamos orgulhosos porque é nosso irmão Poeta admirável.
Parabéns Sempre.
Trabalho de Merecimento
Abração Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 11/7/2009 11:17
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Doroni Hilgenberg
 

Lauro,
Que cerebro criativo...
Esta história de universos paralelos esta de arrepiar
mas talvez possa haver mudanças no futuro sim.
Mas decifrar esses universos que faz a trama.
bjs
b js

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 11/7/2009 15:59
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Doroni Hilgenberg
 

Lauro,
já havia votado ontem, quando então, minha NET saiu do ar
sem que eu pudesse comentar.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 11/7/2009 16:01
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menina_flor
 

Olá Lauro!
E o conto toma rumos emocionantes. Presente e futuro de maos dadas. Um atrelado ao outro mas paralelamente.
Mudar o futuro? Será possível sem consequencias graves?
Voce tem uma imaginação enorme e atiça nossa curiosidade.
E estamos aqui na expectativa...

Bjos
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 12/7/2009 20:35
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Greta Marcon
 

Na expectativa, esperando o próximo capitulo... vc tem uma
facilidade incrivel para escrever. Eu creio nesse universo paralelo.
Votado
Beijos

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 13/7/2009 01:59
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