IMPRENSANDO O CANTOR/COMPOSITOR BRÁULIO DE CASTRO

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Abílio Neto · Abreu e Lima, PE
25/2/2014 · 4 · 6
 

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Abílio - Bráulio, quando Simonal lhe pediu para compor “Trinta Dinheiros”, ele já estava enterrado no cemitério dos mortos-vivos do Pasquim. Todos afirmaram que ele era dedo duro, delator, informante, colaborador do DOPS, essas coisas todas. Eu mesmo risquei o nome dele do meu caderno. Fizeram até um filme (não faz muito tempo) tentando recuperar o enorme desgaste da sua imagem como artista perante os seus fãs. Qual a sua opinião sobre essa encrenca, você que vivenciou essa situação?

Bráulio - Abílio, eu vim conhecer Wilson Simonal pessoalmente quando ele já estava no ostracismo, tentando voltar à mídia, mas infelizmente não conseguiu. O meu primeiro contato com ele foi na “Igrejinha”, casa de samba que havia no Bixiga. Daí nasceu uma amizade de mesa de bar e um dia numa dessas noitadas, ele me contou o golpe que levou de um amigo de confiança que deu origem àquela fama de ele ser dedo duro dos militares. Marcelo Duran, na época Assistente de Produção do Diretor da RCA, foi quem teve a ideia de fazermos um samba falando do seu drama. Passou a letra do refrão, eu fiz a melodia e os dois versos. O samba foi gravado num compacto simples, tendo no lado A “A VIDA É SÓ PRA CANTAR” e no lado B, o meu samba “TRINTA DINHEIROS”. Antes de conhecer Simonal, eu achava ele um cara posudo, antipático, mas depois mudei totalmente o meu meu conceito. Wilson Simonal além de um grande artista, era uma pessoa muito humana, alegre, cheia de brincadeira, mesmo estando numa maré meia braba. Eu acho que depois de fazer sucesso com a música “A VIDA É SÓ PRA CANTAR”, que foi mais uma forçação de barra da gravadora, ele vendo que jamais voltaria a ser o artista de antes, começou a beber muito e entrar em depressão. Foi lamentável o que fizeram com ele. Na época em que ele lançou meu samba, saiu uma nota nas “dicas do Pasquim”, dizendo mais ou menos o seguinte: “Ironia do destino, Wilson Simonal gravou um samba chamado TRINTA DINHEIROS”.

Sobre a obra

Entrevistar alguém que queira ser bonzinho para todo mundo e não exprima através de palavras tudo aquilo que guarda abafado no peito, para mim não há interesse algum. Esses artistas que fazem exercício do politicamente correto nas suas falas e demonstram desejo de não desgostarem os poderosos de plantão, ou até mesmo seus colegas de ofício, muitos que procedem como se fossem comentaristas do Facebook que colocam abaixo de fotos postadas quase sempre o falso “lindo” ou “linda”, por favor, fiquem longe de mim. Odeio quem fica em cima do muro, é equilibrista de centro e deseja fazer média com Deus e o Diabo. Gosto de depoimento de artista igualzinho ao generoso Bráulio de Castro que acabei de entrevistar. Generoso, mas de língua solta quando houve necessidade. O homem tem 50 anos de música e importantes histórias para contar!

Confiram a entrevista baixando o arquivo no formato PDF. No canto direito, no alto, existe a palavra “baixar”. Se não gostarem da entrevista, mandem-na pro espaç

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Autoria
Abílio Neto - pesquisador musical
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Abílio Neto
 

Quem desejar acompanhar a obra de Bráulio de Castro, eis uma pequena amostra:

Desafio, com Alcione (samba)

Rock do Jegue com Genival Lacerda (xote)

Se Liga, Iô Iô com Expedito Baracho (frevo-canção)

O Banjo do Narciso com o Coral Lírico Infantil do Bloco Eu Quero Mais (frevo de bloco)

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 27/2/2014 10:29
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Abílio Neto
 

O link do Rock do Jegue não funcionou. Vamos ver agora.

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 27/2/2014 14:17
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Abílio Neto
 

Também não funcionou o link de Se Liga, Ioiô. Vou colocar de novo.

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 27/2/2014 14:22
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Abílio Neto
 

Coloquei mais uma música de Bráulio de Castro no YouTube hoje: o frevo-canção OLINDA FERVENDO, com o cantor Maciel Melo.

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 1/3/2014 19:54
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Abílio Neto
 

Meus primeiros contatos com a música quando criança foram através das bandas musicais das cidades e das bandinhas de pífano ou pife, como se diz por aqui. Normalmente, essas bandinhas tinham um tarol, um surdo ou zabumba, pratos e dois pífanos. Mas havia os famosos ternos em que um cabra de fôlego bom sustentava a onda no pífano. Elas tocavam de um tudo, até frevo. Uma música de rara beleza que nos remete à cultura dessas bandinhas, é este frevo de Braúlio de Castro intitulado “Atrás do Terno de Benedito”, gravada com brilhantismo por Walmir Chagas, o famoso Véio Mangaba. Ela retrata um pedaço do Brasil do interior que a cidade grande desconhece e, infelizmente, uma cultura que grita por socorro.

http://youtu.be/TlAwibyAwgQ

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 15/3/2014 19:48
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Abílio Neto
 

Mais uma música de Bráulio de Castro em parceria com Noite Ilustrada: o lindo samba "Porta é pra bater", gravada pelo agora saudoso Jair Rodrigues, falecido neste 08 de maio de 2014. Jair foi grande amigo de Bráulio que o convidava inclusive para festas na sua casa. Fará muita falta o nosso querido "cachorrão"!

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 8/5/2014 21:56
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