Foto: Flickr-Creative Commons
1 - Sob derradeiro sereno,
Inalterada é a parte que me resta.
Pois que a lua desvirginara-se ao vento
Antes mesmo de o dia acontecer.
De sua dor
Surgiu a ausência das coisas:
Orgasmo carnal
Sacrificado virgem
Que nem plenitude e desejo
Roubado da flor alforriada
? Multifacetada parte desta estação que a comeu inteiriça ?,
Porque assim multipenetrada dar-se-á a bomba
Como o perfume do ralo
Deu-se ao vazio.
2 ? Ai... Teria o orvalho
(Enquanto cadeado)
Estancado a hemorragia
Do destino?
Ou a símile da palavra,
A gradação da penugem,
A complexidade da vagina,
A multiplicidade do colapso,
O “Ó” do Benjaminzeiro
Dever-se-iam morrer
Pelo âmago de cada floração?
Seria o poema
A estética do olhar,
A intensidade do beijo,
As mangas pêcas de Belém,
Os cadáveres purificando-se
Sob a fomedez
De cada mutação?
Ou seria a analogia da lagarta,
A desfaçatez do suicida,
A mutável sinonímia
Do assassinato?
3 - Segundo a bíblia interpretada,
Os reveses da vida
São tênues e desesperadores...
Daí a fluorescência do ódio
Espelhar-se ao âmbito
De cada excitação.
É de mais-valia
Cortejar um pensamento sonâmbulo
Do que sentir o vapor
Das línguas do silêncio.
Oh! Esperança!
Por onde andam os teus lacônicos sorrisos
Que lágrimas tantas vitimaram?
Lembrai sempre:
Se o pecado houvesse sido perdoado,
Esperança alguma haveria morrido.
Ser-nos-ia, por fim,
Parto de cada antevéspera.
Embora sendo como liturgia estática,
Este canto é a primogênita vela
Que se acende ao mormaço.
4 - Frente à extrema luz,
Hirta seja a outra parte que me sobrar.
Sonsa, a chuva engravidara-se do mormaço,
Antes de a enxurrada desmerecer-se.
Prima do meretrício o é,
De cujo pólen engravidado,
Vênus se deu a guerra
Assim como a prostituta solidão
Deu-se ao talo do córner.
Ai... Seria o entusiasmo o criador,
A métrica do estrume,
O cardume de idéias
A se masturbar ante a alienação da poesia?
Ou seria a viatura de guerra,
O poeta porque imerecido,
A chaminé povoando segredos,
A idolatria
De cada compaixão?
Ou seria a mídia dos soberbos,
A sacristia dos blasfemos,
A espada dos ditadores,
O pênis
De cada sacrifício?
Ou seria a magnanimidade dos pavores,
A pusilanimidade da terra,
A veia porque enfartada,
O céu coberto de orgasmo?
5 - Segundo a literatura comentada,
Os erros ortográficos são incapazes e pueris.
Daí a consangüinidade do poeta
Espelhar-se na poesia
De cada pensamento marginal.
É mais venturoso
Mastigar o tabaco da vergonha
Do que provar o ódio
Das palavras proscritas.
Oh! Amanhã de mim!
Por onde o teu irônico futuro andará
Cujo retorno há de se fincar em meu canto?
Oh! Tempo!
Ouso advertir:
Se a angina fosse logo extirpada de nós,
Homem qualquer fraquejaria inerte.
Ser-nos-ia, por fim,
O canto de cada esperança...
Pois que apesar do cansaço arenoso,
Este grito que chega
É a inalterada parte
Do instante.
Por Benny Franklin
Poeta,
o que tu espelhas em tua poesia são perfeitas imagens de angústias e inquietações com o sopro do lirismo.
Reverências!
Beijos & Flores@>---
Caro Benny!!!
Cada vez mais poderosa e forte (com poderes de enraizamentos cerebrais!) tua poesia!!!
Até agora tem sido prazeroso ler e reler suas poesias, caro poeta!!!
GRANDE abraço!!!
A.
Muito bom! Forte, impressionante! Parabéns!
Marvin Kennedy · Lauro de Freitas, BA 13/9/2007 10:55
Ei Benny, que estoque...maravilhoso como sempre...
Vou ler, reler, esmiuçar todinho
mas de primeiro gostei:
É mais venturoso
Mastigar o tabaco da vergonha
Do que provar o ódio
Das palavras proscritas.
Ah! Se fossem meus!
bj
Benny,
sempre enigmático e desafiante. E que belo final:
Pois que apesar do cansaço arenoso,
Este grito que chega
É a inalterada parte
Do instante.
Gostei muito também do trecho que a Cintia destacou.
Beijos!
Votado. Que foto louca, Benny.
Show.
Decifra-me ou te devoro... São mais ou menos assim, os poemas do Benny! Com esta imagem então... "Seria o poema a estética do olhar? " ou não? Vtdo... Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 14/9/2007 13:08
As angústias humanas condensadas pelo poeta: "Oh! Amanhã de mim!
Por onde o teu irônico futuro andará
Cujo retorno há de se fincar em meu canto?
Oh! Tempo!"
abcs, poeta
Benny:
A Cíntia e a Letícia falaram por mim.
Um abraço.
Em tempo:
Há uma coisa que eu ainda não havia dito: da beleza das imagens com que vc ilustra seus poemas.
Benny, vou votar um tanto "arrependido", já vai sair da fila de votação, outros, tantos não o lerão de imediato. andre.
Mas eu, pouco letrado, estou buscando dentre as definições
de tantos doutos - uma para essa grandiosidade de sentimento, de apelos, um abraço, andre.
Tudo tão perfeito !!! Parabéns !!! Beijos...
marilia carboni · Londrina, PR 14/9/2007 20:32
Votado, viu?
As vezes me perco nets over"mundão" rs
bjus.
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