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INALTERADA PARTE DO INSTANTE

Brunolas/Flickr/Creative Commons
1
Benny Franklin · Belém, PA
14/9/2007 · 103 · 14
 

Foto: Flickr-Creative Commons

1 - Sob derradeiro sereno,
Inalterada é a parte que me resta.
Pois que a lua desvirginara-se ao vento
Antes mesmo de o dia acontecer.
De sua dor
Surgiu a ausência das coisas:
Orgasmo carnal
Sacrificado virgem
Que nem plenitude e desejo
Roubado da flor alforriada
? Multifacetada parte desta estação que a comeu inteiriça ?,
Porque assim multipenetrada dar-se-á a bomba
Como o perfume do ralo
Deu-se ao vazio.

2 ? Ai... Teria o orvalho
(Enquanto cadeado)
Estancado a hemorragia
Do destino?
Ou a símile da palavra,
A gradação da penugem,
A complexidade da vagina,
A multiplicidade do colapso,
O “Ó” do Benjaminzeiro
Dever-se-iam morrer
Pelo âmago de cada floração?
Seria o poema
A estética do olhar,
A intensidade do beijo,
As mangas pêcas de Belém,
Os cadáveres purificando-se
Sob a fomedez
De cada mutação?
Ou seria a analogia da lagarta,
A desfaçatez do suicida,
A mutável sinonímia
Do assassinato?

3 - Segundo a bíblia interpretada,
Os reveses da vida
São tênues e desesperadores...
Daí a fluorescência do ódio
Espelhar-se ao âmbito
De cada excitação.
É de mais-valia
Cortejar um pensamento sonâmbulo
Do que sentir o vapor
Das línguas do silêncio.
Oh! Esperança!
Por onde andam os teus lacônicos sorrisos
Que lágrimas tantas vitimaram?
Lembrai sempre:
Se o pecado houvesse sido perdoado,
Esperança alguma haveria morrido.
Ser-nos-ia, por fim,
Parto de cada antevéspera.
Embora sendo como liturgia estática,
Este canto é a primogênita vela
Que se acende ao mormaço.

4 - Frente à extrema luz,
Hirta seja a outra parte que me sobrar.
Sonsa, a chuva engravidara-se do mormaço,
Antes de a enxurrada desmerecer-se.
Prima do meretrício o é,
De cujo pólen engravidado,
Vênus se deu a guerra
Assim como a prostituta solidão
Deu-se ao talo do córner.
Ai... Seria o entusiasmo o criador,
A métrica do estrume,
O cardume de idéias
A se masturbar ante a alienação da poesia?
Ou seria a viatura de guerra,
O poeta porque imerecido,
A chaminé povoando segredos,
A idolatria
De cada compaixão?
Ou seria a mídia dos soberbos,
A sacristia dos blasfemos,
A espada dos ditadores,
O pênis
De cada sacrifício?
Ou seria a magnanimidade dos pavores,
A pusilanimidade da terra,
A veia porque enfartada,
O céu coberto de orgasmo?

5 - Segundo a literatura comentada,
Os erros ortográficos são incapazes e pueris.
Daí a consangüinidade do poeta
Espelhar-se na poesia
De cada pensamento marginal.
É mais venturoso
Mastigar o tabaco da vergonha
Do que provar o ódio
Das palavras proscritas.
Oh! Amanhã de mim!
Por onde o teu irônico futuro andará
Cujo retorno há de se fincar em meu canto?
Oh! Tempo!
Ouso advertir:
Se a angina fosse logo extirpada de nós,
Homem qualquer fraquejaria inerte.
Ser-nos-ia, por fim,
O canto de cada esperança...
Pois que apesar do cansaço arenoso,
Este grito que chega
É a inalterada parte
Do instante.

Por Benny Franklin

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Autoria
Benny Franklin
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Adriana Costa
 

Poeta,
o que tu espelhas em tua poesia são perfeitas imagens de angústias e inquietações com o sopro do lirismo.
Reverências!
Beijos & Flores@>---

Adriana Costa · Brasília, DF 12/9/2007 16:05
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André Teixeira
 

Caro Benny!!!

Cada vez mais poderosa e forte (com poderes de enraizamentos cerebrais!) tua poesia!!!

Até agora tem sido prazeroso ler e reler suas poesias, caro poeta!!!

GRANDE abraço!!!

A.

André Teixeira · Aracaju, SE 12/9/2007 16:13
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Marvin Kennedy
 

Muito bom! Forte, impressionante! Parabéns!

Marvin Kennedy · Lauro de Freitas, BA 13/9/2007 10:55
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Cintia Thome
 

Ei Benny, que estoque...maravilhoso como sempre...
Vou ler, reler, esmiuçar todinho
mas de primeiro gostei:
É mais venturoso
Mastigar o tabaco da vergonha
Do que provar o ódio
Das palavras proscritas.
Ah! Se fossem meus!
bj

Cintia Thome · São Paulo, SP 13/9/2007 17:56
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Letícia L. Möller
 

Benny,
sempre enigmático e desafiante. E que belo final:

Pois que apesar do cansaço arenoso,
Este grito que chega
É a inalterada parte
Do instante.

Gostei muito também do trecho que a Cintia destacou.
Beijos!

Letícia L. Möller · Porto Alegre, RS 14/9/2007 11:48
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Sérgio Franck
 

Votado. Que foto louca, Benny.

Show.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 14/9/2007 12:40
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Nydia Bonetti
 

Decifra-me ou te devoro... São mais ou menos assim, os poemas do Benny! Com esta imagem então... "Seria o poema a estética do olhar? " ou não? Vtdo... Abçs...

Nydia Bonetti · Campinas, SP 14/9/2007 13:08
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jjLeandro
 

As angústias humanas condensadas pelo poeta: "Oh! Amanhã de mim!
Por onde o teu irônico futuro andará
Cujo retorno há de se fincar em meu canto?
Oh! Tempo!"

abcs, poeta

jjLeandro · Araguaína, TO 14/9/2007 15:07
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Levi Orlando
 

Benny:
A Cíntia e a Letícia falaram por mim.
Um abraço.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 14/9/2007 18:34
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Levi Orlando
 

Em tempo:
Há uma coisa que eu ainda não havia dito: da beleza das imagens com que vc ilustra seus poemas.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 14/9/2007 18:37
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Andre Pessego
 

Benny, vou votar um tanto "arrependido", já vai sair da fila de votação, outros, tantos não o lerão de imediato. andre.
Mas eu, pouco letrado, estou buscando dentre as definições
de tantos doutos - uma para essa grandiosidade de sentimento, de apelos, um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 14/9/2007 19:10
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Marcos André Carvalho Lins
 

brilhante!!!!
abraços,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 14/9/2007 19:21
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marilia carboni
 

Tudo tão perfeito !!! Parabéns !!! Beijos...

marilia carboni · Londrina, PR 14/9/2007 20:32
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Cintia Thome
 

Votado, viu?
As vezes me perco nets over"mundão" rs
bjus.

Cintia Thome · São Paulo, SP 16/9/2007 00:29
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