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Índios Mortos - Terenas da Região de Dourados - MS

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Rangel Castilho · Anastácio, MS
28/1/2007 · 75 · 18
 



penas vermelhas sobre as cabeças
meu povo caminha sem norte
olhos amarelos à própria sina
vida é buscar a morte

crianças na terra sem proteção
água barrenta no balde pra beber
fracas mães escondem as mãos
não sabem o que fazer

morrem meus irmãozinhos
penas vermelhas sobre suas cabeças

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Rangel Castilho - musico, poeta e pantaneiro.
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José
 

Índios mortos, como os rios mortos, como as árvores mortas, como os pássaros mortos, como os animais mortos, como os peixes mortos e eu estou vivo, como pode!??
Agradecido, José

José · Criciúma, SC 26/1/2007 07:41
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Sebastião Firmiano
 

Isso!!!
Esse tipo de poesia, é o que eu chamo de preservação ambiental
e das raças. Gosto muito.
Obrigado.

Sebastião Firmiano · São Paulo, SP 28/1/2007 00:47
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jjLeandro
 

Grande poeta de Anastácio. Como disse o Firmiano, ele que também tem uma poesia de denúncia, forte, você chama atenção para a preservação da vida dos donos dessa terra. Muito bela. Há momentos encantadores com os quais me identifico muito: "vida é buscar a morte". Belíssima construção. Além disso: "penas vermelhas sobre as cabeças", como se já estivessem estigmatizados pela morte.
abcs, amigo pantaneiro!

jjLeandro · Araguaína, TO 28/1/2007 02:53
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José
 

Gostaria de ler os versos dos coletivos jeitos fato, para não chorar o destino fatalista de um sistema sombrio que preserva a morte.
Agradecido, José

José · Criciúma, SC 28/1/2007 07:36
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José
 

Errei: onde escrevi "jeitos fato" é jeitos fado.
Grato, José

José · Criciúma, SC 28/1/2007 07:40
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Rangel Castilho
 

Salve, José!
É uma pena que tenhamos que cantar a morte, para alertar sobre a beleza da vida. É uma pena...

Rangel Castilho · Anastácio, MS 28/1/2007 12:46
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Rangel Castilho
 

Sebastião, às vezes fico pensando...
Que tipo de sociedade matou o rio Tietê, e se fosse hoje, não o mataríamos também em nome do progresso?
Aqui em meu estado estão matando o rio Taquari, ambientalistas tentam recuperá-lo, mas ele nunca será o mesmo.

Rangel Castilho · Anastácio, MS 28/1/2007 12:51
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Rangel Castilho
 

Na grande região de Dourados a situação dos índios é delicadíssima.
Há muitos suicídios, em todas as faixas etárias. E sua identidade vai se perdendo, porque suas terras estão cada vez menores.
A Funai pouco faz. Um absurdo.

Rangel Castilho · Anastácio, MS 28/1/2007 12:56
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Marcos André Carvalho Lins
 

belo poema!!! desconheço a realidade dessa região, mas assim como a cultura em geral, a diversidade de culturas em regiões afastadas dos grandes centros urbanos está ameaçada pelo desinteresse administrativo e político. pouca coisa dos nossos impostos é revertida em favor da preservação das nossas raízes, sejam elas do sul, do norte ou do nordeste. trata-se de uma preocupação recorrente, mas a máquina institucional está falida e desumanizada. praticamente funciona ao bel-prazer de uma minoria nobre, que esquece as lições de história e geografia, lembra apenas da matemática do lucro certo e fácil. é uma triste sina mesmo esta dos índios, outro dia vi, aqui no overmundo mesmo, um post de uma mulher que se apegou a uma criança índia chamada lili(salvo engano), de liberdade. quantas lilis são necessárias para o resgate da autonomia indígena e o respeito à diversidade de culturas?? pergunto-me: vivemos de fato uma democracia ou somos tolos iludidos, por etnias mestiças dominantes, que se apoderam do nosso ouro, dos nossos recursos e , principalmente, das nossas consciências. será que não pagamos dívidas externas em demasia, enquanto o nosso povo perece aos poucos devido a uma dívida interna crônica. um mínimo de gratidão e respeito aos verdadeiros anfitriões dessa grande festa chamada brasil seria muito bom e viria com séculos de atraso, mas seria muito bem-vinda.abraços, rangel.

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 28/1/2007 17:17
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arlindo fernandez
 

Castilho!
Meu camarada.
Bela poesia, devemos guarda-la como um fotograma de um filme. O tempo algoz vai incorporando as culturas. A fundição é a fogo e ferro. Então o tempo se utiliza das mãos dos imediatistas,ignorantes et por aí ... (mais rápido será)
Saudações

arlindo fernandez · Campo Grande, MS 28/1/2007 17:22
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Rangel Castilho
 

Abraços, Marcos!
O poço é mais profundo..
Quando alguma regional da Funai é dada a um Capitão ( chefe da tribo que não é mais chamado Cacique) o poder que ele assume lhe consome. Ele passa a usufruir das benesses do cargo. Sua personalidade indígena é muito fútil. Não sabe conviver com o dinheiro, poder, cargos políticos e acaba se perdendo. Acaba manipulado pelo primeiro que lhe ganha a confiança.
Sem falar nas seitas, religiões que instalam seus templos nas aldeias e fazem uma lavagem cerebral nos coitados.
O que precisávamos era de milhares de Villas Boas espalhados pelo Brasil. Mas o que importa é que nós nos importamos. E quando pudermos, se pudermos, vamos ajudar.

Rangel Castilho · Anastácio, MS 28/1/2007 17:34
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Rangel Castilho
 

Salve, Arlindo!!!
É meu amigo. Do jeito que está, essas palavras serão guardadas como um fotograma de filme, num arquivo morto qualquer.
Saudações pantaneiras, com um abraço apertado!

Rangel Castilho · Anastácio, MS 28/1/2007 17:38
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Marcos André Carvalho Lins
 

o resgate a que me referi acima é pela educação, quando todos os outros meios são ineficazes, a educação é uma bandeira que merece
ser explorada e levada a todos, independetemente de região ou etnia.se o poço é tão profundo assim, é porque os caciques não possuem discernimento , uma autonomia na construção de seus próprios referenciais iconográficos...as religiões apenas aprofundam essa ausência e tomam posse das consciências deixadas ao léu. o grande problema é que ocorre uma emulação dos paradigmas dominantes, que são postos como corretos e inquestionáveis..( não há muitas escolhas ou alternativas ). sem educação não há anti-corpos para esse tipo de doença e o organismo social tende a se viciar nos caminhos mais fáceis e menos éticos. a resposta dos caciques é previsível dentro de parâmetros tão culturalmente enraizados e maquiavélicos.abraços,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 28/1/2007 18:21
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Rangel Castilho
 

Para os brancos, é difícil entender o modo de vida dos índios. Eles precisam da terra porque são o que a terra lhes dá. Pouca terra significa ser inferior, sem liberdade, sem horizonte. Eles precisam do branco só para curar as doenças que o branco lhes repassou.

Rangel Castilho · Anastácio, MS 29/1/2007 13:05
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Robert Portoquá
 

Parabens, Rangel! Quando o sebastião (meu vizinho e amigo) me convidou para fazer parte deste site, me disse que só tinha fera por aqui; lendo seu poema passo a crer cada vez mais que ele tem razão. Nossa cultura pantaneira (que ainda vou conhecer de perto) ganha muita força em sua pena...
Estou chegando agora e me audaciei a postar um poema dentre tantas feras como vocês. Na inpolgação não corrigi alguns erros de gramática e pontuação... Se tiver oportunidade de uma olhada. opiniões como a sua, do Tião... me serão fundamentais!
Um abraço Robert Portoquá

Robert Portoquá · São Paulo, SP 30/1/2007 22:18
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Rangel Castilho
 

Salve, Robert Portoquá!!!!
Muito bom que voce está aqui!!!
E que vizinho voce tem!!!
Um mestre, poeta de primeira!!
Seja bem vindo!!

Rangel Castilho · Anastácio, MS 31/1/2007 01:11
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Luca Maribondo
 

Um verso a mais
Gosto do seu poema. E acrescento um verso:
penas brancas em nossos corações

Luca Maribondo · Campo Grande, MS 31/1/2007 10:01
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Rangel Castilho
 

É isso, Luca!
É isso!!!!

Rangel Castilho · Anastácio, MS 2/2/2007 16:10
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