penas vermelhas sobre as cabeças
meu povo caminha sem norte
olhos amarelos à própria sina
vida é buscar a morte
crianças na terra sem proteção
água barrenta no balde pra beber
fracas mães escondem as mãos
não sabem o que fazer
morrem meus irmãozinhos
penas vermelhas sobre suas cabeças
Índios mortos, como os rios mortos, como as árvores mortas, como os pássaros mortos, como os animais mortos, como os peixes mortos e eu estou vivo, como pode!??
Agradecido, José
Isso!!!
Esse tipo de poesia, é o que eu chamo de preservação ambiental
e das raças. Gosto muito.
Obrigado.
Grande poeta de Anastácio. Como disse o Firmiano, ele que também tem uma poesia de denúncia, forte, você chama atenção para a preservação da vida dos donos dessa terra. Muito bela. Há momentos encantadores com os quais me identifico muito: "vida é buscar a morte". Belíssima construção. Além disso: "penas vermelhas sobre as cabeças", como se já estivessem estigmatizados pela morte.
abcs, amigo pantaneiro!
Gostaria de ler os versos dos coletivos jeitos fato, para não chorar o destino fatalista de um sistema sombrio que preserva a morte.
Agradecido, José
Errei: onde escrevi "jeitos fato" é jeitos fado.
Grato, José
Salve, José!
É uma pena que tenhamos que cantar a morte, para alertar sobre a beleza da vida. É uma pena...
Sebastião, às vezes fico pensando...
Que tipo de sociedade matou o rio Tietê, e se fosse hoje, não o mataríamos também em nome do progresso?
Aqui em meu estado estão matando o rio Taquari, ambientalistas tentam recuperá-lo, mas ele nunca será o mesmo.
Na grande região de Dourados a situação dos índios é delicadíssima.
Há muitos suicídios, em todas as faixas etárias. E sua identidade vai se perdendo, porque suas terras estão cada vez menores.
A Funai pouco faz. Um absurdo.
belo poema!!! desconheço a realidade dessa região, mas assim como a cultura em geral, a diversidade de culturas em regiões afastadas dos grandes centros urbanos está ameaçada pelo desinteresse administrativo e político. pouca coisa dos nossos impostos é revertida em favor da preservação das nossas raízes, sejam elas do sul, do norte ou do nordeste. trata-se de uma preocupação recorrente, mas a máquina institucional está falida e desumanizada. praticamente funciona ao bel-prazer de uma minoria nobre, que esquece as lições de história e geografia, lembra apenas da matemática do lucro certo e fácil. é uma triste sina mesmo esta dos índios, outro dia vi, aqui no overmundo mesmo, um post de uma mulher que se apegou a uma criança índia chamada lili(salvo engano), de liberdade. quantas lilis são necessárias para o resgate da autonomia indígena e o respeito à diversidade de culturas?? pergunto-me: vivemos de fato uma democracia ou somos tolos iludidos, por etnias mestiças dominantes, que se apoderam do nosso ouro, dos nossos recursos e , principalmente, das nossas consciências. será que não pagamos dívidas externas em demasia, enquanto o nosso povo perece aos poucos devido a uma dívida interna crônica. um mínimo de gratidão e respeito aos verdadeiros anfitriões dessa grande festa chamada brasil seria muito bom e viria com séculos de atraso, mas seria muito bem-vinda.abraços, rangel.
Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 28/1/2007 17:17
Castilho!
Meu camarada.
Bela poesia, devemos guarda-la como um fotograma de um filme. O tempo algoz vai incorporando as culturas. A fundição é a fogo e ferro. Então o tempo se utiliza das mãos dos imediatistas,ignorantes et por aí ... (mais rápido será)
Saudações
Abraços, Marcos!
O poço é mais profundo..
Quando alguma regional da Funai é dada a um Capitão ( chefe da tribo que não é mais chamado Cacique) o poder que ele assume lhe consome. Ele passa a usufruir das benesses do cargo. Sua personalidade indígena é muito fútil. Não sabe conviver com o dinheiro, poder, cargos políticos e acaba se perdendo. Acaba manipulado pelo primeiro que lhe ganha a confiança.
Sem falar nas seitas, religiões que instalam seus templos nas aldeias e fazem uma lavagem cerebral nos coitados.
O que precisávamos era de milhares de Villas Boas espalhados pelo Brasil. Mas o que importa é que nós nos importamos. E quando pudermos, se pudermos, vamos ajudar.
Salve, Arlindo!!!
É meu amigo. Do jeito que está, essas palavras serão guardadas como um fotograma de filme, num arquivo morto qualquer.
Saudações pantaneiras, com um abraço apertado!
o resgate a que me referi acima é pela educação, quando todos os outros meios são ineficazes, a educação é uma bandeira que merece
ser explorada e levada a todos, independetemente de região ou etnia.se o poço é tão profundo assim, é porque os caciques não possuem discernimento , uma autonomia na construção de seus próprios referenciais iconográficos...as religiões apenas aprofundam essa ausência e tomam posse das consciências deixadas ao léu. o grande problema é que ocorre uma emulação dos paradigmas dominantes, que são postos como corretos e inquestionáveis..( não há muitas escolhas ou alternativas ). sem educação não há anti-corpos para esse tipo de doença e o organismo social tende a se viciar nos caminhos mais fáceis e menos éticos. a resposta dos caciques é previsível dentro de parâmetros tão culturalmente enraizados e maquiavélicos.abraços,
Para os brancos, é difícil entender o modo de vida dos índios. Eles precisam da terra porque são o que a terra lhes dá. Pouca terra significa ser inferior, sem liberdade, sem horizonte. Eles precisam do branco só para curar as doenças que o branco lhes repassou.
Parabens, Rangel! Quando o sebastião (meu vizinho e amigo) me convidou para fazer parte deste site, me disse que só tinha fera por aqui; lendo seu poema passo a crer cada vez mais que ele tem razão. Nossa cultura pantaneira (que ainda vou conhecer de perto) ganha muita força em sua pena...
Estou chegando agora e me audaciei a postar um poema dentre tantas feras como vocês. Na inpolgação não corrigi alguns erros de gramática e pontuação... Se tiver oportunidade de uma olhada. opiniões como a sua, do Tião... me serão fundamentais!
Um abraço Robert Portoquá
Salve, Robert Portoquá!!!!
Muito bom que voce está aqui!!!
E que vizinho voce tem!!!
Um mestre, poeta de primeira!!
Seja bem vindo!!
Um verso a mais
Gosto do seu poema. E acrescento um verso:
penas brancas em nossos corações
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