O infinito fica logo ali. Basta entrar pelo portal. Uma vez um amigo narrou um sonho. Disse que estava em uma galeria, numa gruta, e ia caminhando até dar em uma caverna com infinito pra todos os lados. Fiquei intrigado pensando na imagem, na sensação, na voragem.
O infinito fica no mundo dos sonhos. Ao abrir a porta, se cai no abismo. E a queda é vôo, não machuca. As lesões oníricas são de outra (des)ordem. O único risco é acordar querendo mais. A desorganização provocada pode servir como estímulo a aproveitar o sol matinal. Nada faz mal, a menos que o sonhador acredite que muda o mundo ao sonhar. Sonhos devem ser irresponsáveis. As asas são as mãos, e as mães devem ficar em outro lugar, não nas manhãs. A grande manha da vida é acordar ainda sonhando. A levitação nunca é vã quando se tem ainda um pão por fazer. Amassar a massa é uma tarefa dispersiva, embora exija concentração.
As asas ainda permanecem ao despertar. Nenhum relógio pode podar o passar do tempo impreciso. Essas secções que os ponteiros ou o display digital fazem são fruto da invenção humana. O tempo é só o tempo em si: sem fim. Nem início, nem linha intermediária no campo da imaginação. Tudo é extremo, tudo é pele, tudo é natural como a terra que come os olhos daqueles que se vão. Já as nuvens sobram como travesseiro de cabeças que sobem demais. Etéreas que só, em geral provocam torcicolo nos pescoços que sustentam as cabeças ascendidas.
Mais vale ter as sinapses acesas. E o acesso livre.
Continuação de capítulo VII A.D.E.U.S. de Zéduardo Callegari Paulino, respondendo a uma provocação amigável (um convite).
Olá, Felipe!!
Sincronismo interessante!! Será que o sonho termina ao acordar?? Bela prosa!!
Agradecido, José
Valeu, José. O sonho só termina quando a gente desanima.
Abraço.
Eu desconfio que o sonho termina no desanimo? Talvez ele começe...
Agradecido, José
Pode ser tudo uma questão de agravamento homeopático mesmo...
Felipe Obrer · Florianópolis, SC 18/2/2007 15:27
Só faltou a tag pro capítulo VIII... mas tá em tempo, edita vai!
Bia Marques · Campo Grande, MS 18/2/2007 20:37
Bia, fui além. Diz aí se aprova.
Abraço.
Certo... mas arrasar é o que fazem aqueles aviões que pulverizam agrotóxicos... (brincadeira.)
Abração.
...
(é que estou com o olhar no céuazulinfinito com o acesso livre e as sinapses interligadas ao branco das nuvens)
Tá bom, Zéduardo... conexão estabelecida.
Abração.
Excelente! Repito o comentário anterior: O seu jeito especial de exprimir é como uma força que nos suga para dentro do contexto e na repetição do mergulho, mais fundo nos leva.
Permita-nos mergulhar no 9, 10, ...
Abraços
Edna, é um romance interativo, tem um monte de gene escrevendo junto. Já viu os outros capítulos? Por que você não dá uma olhada e se te inspirar, escreve o nove "tu própria"?
Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 19/2/2007 20:29
Apoiado, Zé. Edna, o 9 é teu!
Abraços.
Desculpem-me a confusão. Sou ainda alienígena recém chegada ao Overmundo (Terra dos grandes), atraída pela poesia, pelos trabalhos fantásticos, tentando ser uma de vocês. Agradeço o convite ao 9º, porém ainda não me sinto à altura. Deleito-me na contemplação, e, de vez em quando, arrisco-me na brincadeira com as palavras.
Obrigada pelo incentivo
Abraços
Edna, rejeito a refugada. Acho que tem mais é que arriscar. Tenho certeza de que consegues fazer um bom texto.
Abração.
É isso ai, apoio Felipe.
Mostra sua verve, Dona Edna!
Meu Deus! Onde fui entrar! Eu nem imaginava que existisse romance interativo... Caí de pára-quedas no meio de feras, de gigantes da expressão. Não garanto não. Ainda estou tonta, tentando entender tudo isto.
Edna Queiroz · Rio de Janeiro, RJ 20/2/2007 16:44Meu comentário idem ao capítulo VII.
Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 20/2/2007 18:17
Reforço a idéia mais uma vez (e quantas forem necessárias): Edna, o capítulo 9 é teu. Partindo do infinito fica tudo mais fácil, o leque de possibilidades é amplo e irrestrito.
Abraços.
Obrigado, Marcos. Elogio teu é sempre bem-vindo.
Abraço.
Pra quem quiser ver de onde saiu isso tudo, abaixo coloco os links do fio da meada:
FábioFernandes
capítulo 1
Eduardo Ferreira
capítulo 2
Luciana Carla
capítulo 3
Fábio Fernandes
capítulo 4
Rangel Castilho
capítulo 5
Bia Marques
capítulo 6
Zéduardo Callegari
capítulo 7
Bom... é isso. A convidada pra fazer o 9 a Edna Queiroz.
Legal você colocar os links!
Valeu, Felipe.
Que bom que achou legal, Zéduardo. É que fui ler os capítulos anteriores e vi que o Rangel Castilho tinha tido essa iniciativa em uma das colaborações. Como idéia boa existe pra ser copiada (a estética do plágio, do Tom Zé), fiz o mesmo aqui.
Abraço.
"...sem fim. Nem início, nem linha intermediária no campo da imaginação."
A.D.E.U.S Capítulo VIII - Não poderia ter sido feito por melhores mãos!!!!
E que o A.D.E.U.S. nos conduza a novos encontros...
Muito bom!!!!!
Rangel, obrigadíssimo pelas palavras. Fico contente de verdade.
Abração.
E que os encontros aconteçam mesmo. Gosto da idéia de obras coletivas, já que no fim das contas estamos num ambiente colaborativo.
Eu estava procurando um esconderijo do Overmundo, mas pelo jeito estou com um chip implantado. Vocês já viram o time?
Felipe, partindo do infinito fica mais fácil, o problema é aterrissar na folha do papel.
Posso informar que fui fecundada e já começa a aparecer alguma coisa. Não se espantem com a cara da criança!
Abraços a todos.
Vc tinha razão. Tem tudo a ver. O tempo é meu grande desafio. Gosto de pensar sobre ele, e adoro todas as provocações sobre a possibilidade de que ele seja realmente único, e de que haja um ponto de intersecção entre suas "passagens". Interessante o modo como vc o imagina...
Abraço!
Com a missão de dar continuidade genética ao A.D.E.U.S, comunico o nascimento da criança - o 9. Preparem-se psicologicamente. Não se assustem! Podemos fazer cirurgias múltiplas.
http://www.overmundo.com.br/banco/sala_edicao.php?em_edicao=4673
Abraços a todos.
Edna, fico contentíssimo com a tua aceitação do desafio. A cara das crianças quando nascem em geral são um pouco enrugadas, mas com certeza quem pariu (e os padrinhos e madrinhas) vão enxergar além da superfície dérmica.
Acabei de ler o teu 9 e adorei!
Abração.
Roberta, fico contente com a identificação.
Abraço grande e obrigado por aparecer aqui.
"Em sonhos a vida passa,
ao céu o sonho nos conduz,
A dor é nuvem que esvoça
em dia sereno de luz". Trecho de uma canção do conto Cinderela.
A prosa faz o link com a canção. Tenho-o como referência pessoal. Formidável esse texto.
Brigitte, que bom! Fico orgulhoso com as tuas palavras.
Abração.
Já que gostou, se tiver tempo e vontade dá uma olhada em UniversÚtero
uma parceria entre o artista visual Osvaldo e eu.
Passei por lá a pouco. Está na "forma" algo com referência à imagem.
brigitte · Goiânia, GO 24/2/2007 22:07
Então, estamos conversados... Só pra constar: o texto veio primeiro, escrevi há alguns meses, e a imagem o genial Osvaldo bolou em pouco tempo, durante o período de edição, atendendo a um convite meu. Fiquei muito agradecido, deu outra vida ao texto, não acha?
Bom... abraço e boa noite.
Gente, algo me diz que o cap. II está a caminho...
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