De altura tenho medo,
a não ser daquelas
a que o meu amor me leva.
Minhas sandálias são pequenas e leves.
Há nelas uma flor, vermelha.
Tenho medo, tenho medos,
da escuridão que me cerca
das ruas desertas, da saudade
e da solidão.
Tenho tantos medos
e penso em não tê-los mais.
Por isso, me desmancho
e me reconstruo
com um único objetivo:
ter o meu amor comigo
em serena quietude.
Se com ele falasse,
diria desse amor e da espera.
Diria da saudade que tenho
da sua voz e carinhos lentos
que ele faz.
Não sei falar de amor, não sei.
As palavras se embaralham, tantas.
De mim, sei falar menos ainda.
E do meu corpo, só gosto dos
intocáveis desejos que me animam.
Meu corpo não é. Eu sou.
Mas com ele brigo e brinco
sem profaná-lo
com feias palavras ou gestos.
Ele, meu corpo, não é.
No entanto, carrega-me
e sofre as minhas dores.
Meu corpo sofre a solidão
e chora nas madrugadas
em cama sem lado, vazia.
Ao centro, ao lado, eu,
apenas eu em banhos de
penumbra, de sonhos
e fantasias.
Todos os dias.
Sou eu e ele, o meu amor.
Ele lá, eu aqui,
envolvo-me
como ele me envolveria
toalha quente,
beijo quente
e suas mãos douradas.
O que me provoca e carrega
minha alma, nuvem leve,
olhos de criança feliz são
as palavras de amor que ele me envia
em correio alado, em asa de ave e
que transformam meu dia
em parque de diversões,
em loja de bichos de pelúcia,
meus brinquedos preferidos.
Os dias são longos e claros
e se me perco nas horas,
encontro-me em minhas palavras
porque nelas acredito, são minhas,
são eu mesma.
Acredito em mim, nas pessoas
felizes e amo todas elas.
E se tempestades enfrento,
gosto delas também
porque mostram meu frágil ser
impedindo-me de me lançar
a façanhas, abismos e caminhos impossíveis.
Minha única aventura é escrever,
e então, sim,
corro riscos, esportista
e ando em fios, equilibrista na vida.
Este é o meu prazer e minha companhia
Assim, brinco e choro,
esqueço os mórbidos medos,
o escuro, as cobras e lagartos
que a vida insiste em dispor
em minhas esquinas.
Disfarço e refaço meu caminho
escondo-me do medo nos livros
escondo-me dos jornais, transformo
cicatrizes em flores, tatuagem amarela
de antigas dores.
Sim, há dores pelo que não fiz,
pela saudade das ilhas que não me
contiveram, da terra-mãe
que me chama interminavelmente.
A saudade dos lugares onde nunca estive
transforma tudo em noite e sonho,
mesmo tendo os bolsos vazios,
vazios de poder.
Ah! se eu tivesse poder de primeiro-ministro
traria para este lado do mar
o meu amor que tão longe está
e nenhum dinheiro do mundo
me interessaria mais.
Seria rica, nababo de amor.
E descobriria em lâmpadas
o sabor dos beijos que
nunca provei, até morrer,
às 23h59 de um dia qualquer,
mas não sem antes, conceber
dele, o fruto do mais doce amor.
Estas são respostas a um jogo de perguntas que me foi apresentado, certa vez e que, infelizmente perdi.
As respostas são o meu retrato, ou o reflexo, mais verdadeiro porque me acompanha.
INQUÉRITO
Saramar · Goiânia (GO)
O Amor é que anima para suportar todas as lutas da vida.
Ter esse amor que é verdadeiramente vencer.
Parabéns pelo seu lindo trabalho cheios de lutas nos versos.
Gostei muito.
Tem todo mérito.
Abração Amigo
Querida Saramar,
Achei tudo perfeito. Os medos, as angústias da separação, a luta entre o "Eu" matéria e o "Eu" interior, sensações, emoções. Já inicia me enlevando:
"De altura tenho medo,
a não ser daquelas
a que o meu amor me leva.
Minhas sandálias são pequenas e leves.
Há nelas uma flor, vermelha.
Tenho medo, tenho medos,
da escuridão que me cerca
das ruas desertas, da saudade
e da solidão."
Maravilha.
Parabéns!
Beijos
terceiros versos
certeza serão cens mís milhões
e eu a ajeitar na cara os óculos de grau
grande poeta bela poesia
Certeza o outro, teu amor, do outro
lado do sonho terá lembranças dos
beijos que não deu. Mas, pena! não é
poeta!.Terá que contentar-se com só os
sonhos seus.
Volto e voto,
beijo,
Carlos Mota
Fruto concebido
esqueço os mórbidos medos
em minhas esquinas.
Adorei, saramar. Muito bonito!
Se acreditas nas pessoas felizes e em tu,
se tornas tambem uma pessoa feliz.
cxada vez melhor.
grande abraço,amiga.
Se acreditas nas pessoas felizes e em tu,
se tornas tambem uma pessoa feliz.
cada vez melhor.
grande abraço,amiga.
Por isso, me desmancho
e me reconstruo
com um único objetivo:
ter o meu amor comigo
em serena quietude.
Haveria outra maneira de viver
senão a eterna (des)reconstrução???
Belo poema
Meus votos com prazer!
bewijos no coração e alma de poeta!
lindo trabalho, votei porque gostei.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 24/7/2008 12:28
Saramar,
Seu texto tem um lirismo vasto e vigoroso.
Bjs,
Saramar · Goiânia (GO) · restam
INQUÉRITO
Carinhosamente aqui de olta no Trabalho da nossa Professora Saramar. Náo tem como náo elogiar e náo votar.
Parabéns pelo seu trabalho de um amor sem fim e, as suas lutas todo tempo.
Parabéns porque sempre sáo ensinamentosculturais e vivenciais.
Tem todo merecimento.
Abracáo Amigo
O perguntador destrambelhou o retentor e em torrentes, torneiras iluminadas de poesia jorrou. A hidra vazou, o registro espanou a rosca...
Teu corpo é que carrega tuas dores... bom, tenho uma receita, depois deixa-o num canto e sai a passear em nuvens, mãos dadas na madrugada como amada do amor, tua fortuna.
Belo, Saramar.
os medos suportamos...talvez até gostemos mais deles do que tentar sair do quarto escuro, não é?
Cintia Thome · São Paulo, SP 24/7/2008 23:05
Jogo verdadeiro...você ganhou no desbafo.
Lindo POEMA!
Um bj
com o VOTO CERTO.
Sílvia.BH.MG.Brasil
Fineza revisar:
Onde se Lê:
desbafo
Leia:
"desabafo"
Grata
Sílvia.
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