Inspetor Sopa e o último copo

Pedro Rangel Almeida
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Christina Lima · Rio de Janeiro, RJ
16/8/2019 · 0 · 0
 

O BAIRRO | O sol ardia com intensidade no céu, chamuscando a população do Rio de Janeiro como um tiro à queima-roupa. Ali no bairro da Lapa, um distrito associado à boemia carioca, mas que, durante o dia, funcionava como um bairro familiar qualquer, as pessoas faziam o que podiam para tentar espantar o calor. Os ventiladores giravam com toda a força nos estabelecimentos comerciais; os homens se aglomeravam nas calçadas em torno de garrafas de cerveja gelada; as crianças pululavam eletrizadas e se lambuzavam com picolés. O novo samba-enredo da Portela emanava de trás de um balcão do bar da esquina e ecoava nos ouvidos do Sopa, fazendo que ele tamborilasse, quase involuntariamente, na pasta de plástico corrugado que carregava. A cada ano tinha a impressão de que não sobreviveria ao verão. Não cansava de resmungar todos os clichês associados ao calor que conhecia.

Em geral, habitado por famílias de baixa renda e por solteiros ou divorciados, que não podem se dar ao luxo de arcar com os custos de acomodações mais confortáveis, a Lapa é reduto de músicos, escritores, poetas, prostitutas e travestis, uma mistura que, ao longo da história do mundo, atraiu para bairros semelhantes personalidades inconformadas, um pouco gauches na vida. Foi das entranhas desses aglomerados, quase sempre sujos e decadentes, que nasceram muitos dos grandes nomes da literatura, do cinema, do teatro, da música. É o que se viu em Montmartre, em Paris; no East Village, em Nova Iorque; e é assim na Lapa, no Rio de Janeiro.

A arquitetura colonial da região, atualmente tombada pelo Patrimônio Histórico, é demarcada pelo Aqueduto da Carioca, conhecido como Arcos da Lapa. O aqueduto foi construído em 1723 para levar a água do rio Carioca, em Santa Teresa, para o morro de Santo Antônio, numa tentativa de sanar os problemas de escassez de água da época. Perpendicularmente aos arcos, surge a avenida Mem de Sá e, paralela a esta, tem-se a rua Riachuelo. Era exatamente no número 44 da rua Riachuelo, num antigo casarão art nouveau, adaptado para servir de edifício, bem acima de um bar de sinuca, que morava o inspetor Adauto Veloso Leão.

Sobre a obra

Lapa, Catete, Glória, Flamengo, Madureira, Centro. Os bairros do Rio de Janeiro são o cenário por onde transita o intuitivo e sagaz inspetor de polícia Adauto Veloso Leão, o Sopa. Entre inspiradores acarajés, bolinhos de bacalhau e podrões, o detetive encaixa mentalmente as peças do quebra-cabeças dos casos que o desafiam na 9ª DP. Em 'Inspetor Sopa e o Último Copo', primeiro romance policial de uma série de ficção da autora Andréa Gaspar, envolva-se com o peculiar processo de investigação de Sopa. Ele conta com o colega e amigo Trombeta, na busca de pistas para solucionar, simultaneamente, o homicídio de uma misteriosa portuguesa e o desaparecimento da filha de um poderoso bicheiro, diretor de uma escola de samba carioca.

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informações

Autoria
Andréa Gaspar
Ficha técnica
Copyright © 2019 by Andréa Gaspar Gestão editorial Editora Raiz Rosane N. Pessanha Supervisão literária Ivan Fernandes Preparação Sabrina Primo Revisão Luana Balthazar Projeto gráfico Editora Raiz Capa Pedro Rangel Almeida

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