por João Henrique Vieira*
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A TV, nova e moderna, em pane. A chuva. A tarde.
Belém. Um cigarro. O pensamento. O medo e o infinito que nunca pode parar. Eu neste instante de chuva, tarde e espaço visto de alguma janela.
A sala. Meu pensamento fugindo pela janela. A fumaça do cigarro se esvaindo junto com o meu pensamento. O trêmulo grito das paredes depois de um trovão. Um gole.
Parou de escrever e tomou um gole. Pensou que a poesia não é feito conquistar as pessoas. Ela diz por si. É bem mais difícil. Vem quando bem entende no vão de algo próprio dela. Teve este pensamento e de súbito parou de escrever. Olhou as paredes brancas. Pareciam paginas. Estou preso entre quatro páginas, uma caneta e um bloco de anotações. Talvez a poesia não venha porque simplesmente meu pensamento fugiu pela janela. Me deixou.Isso bem parece uma ironia poética.
Alguém chegou. Dá pra ouvir o burburinho pelo corredor. Na sei quem é, mas bem que podia vir trazendo a poesia. De todo modo este pensamento pode também ser algo bastante tolo.
Olhou em volta. Bebeu mais um gole de vinho e observou.
Um colchão no canto da sala coberto com uma colcha vermelha. As paredes brancas. Uma TV desligada. Uma mesa de centro com umas garrafas, copos, cigarros, palitos de dente, fósforos e azeitonas – eu gosto de azeitonas – disco, papéis e outros pequenos objetos num canto da sala.
O silencio me olhava beber em silencio.
Tomei mais um gole. Acendi um cigarro. Saí. Fui para a rua a procura do que estava pensando quando meu pensamento me abandonou. Ao sair deixei a janela aberta. Meu pensamento podia voltar por onde veio.
Deixei a sala e o silencio conversando entre si, mas não deu pra ouvir o que falavam. Talvez estivessem cochichando algo do tipo:
- no que será que ele estava pensando?
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* Escritor & Produtor. Teresina, PI.
www.cronicasepoesias.blogspot.com
João Henrique Vieira*
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* escritor e produtor. teresina, pi.
as vezes ela nos deixa
só pra voltar cheia de saLdades....intensa,
inteira, violenta... ahhhhhhh a poesia
eu a bebo um pouco aqui...
e adoraria compartilha-la com suas azeitonas, poeta.
valeu mesmo....
bjsssssssss;
É verdade,
a poesia nos foge e vem quando bem entende mas o pensamento, é pior, nos faz de gato e sapato., isso quando não dá um branco total, principalmente quando o silencio se aproveita do vazio.
bjs
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