Para muitos, vício e perda de tempo; para outros, a melhor forma de verdadeiramente fugir da seriedade da vida. E da morte. O jogo, atividade que envolve a aventura de apostar fichas, driblar o adversário e “estrategiar” sempre deixou os olhos do homo ludens brilhando. Desde o início de sua vida, o ser humano aprende a simular fingindo cuidar de uma casa, dirigir um caminhão de areia ou realizar uma viagem intergaláctica. A brincadeira nos move e todo o processo mental decorrente disso é estudo para a semiótica da cultura e para a psicologia.
O filósofo tcheco naturalizado brasileiro Vilém Flusser, em artigo para o Centro interdisciplinar de semiótica da cultura e da mídia (CISC), trata do universo do jogo, muito mais extenso do que imaginamos. O jogo, para ele, é um sistema com regras. Uma partida de tranca, portanto, só é um jogo, pois está definido que a carta que representa o “3” impedirá o jogador adversário de utilizar as cartas que estão sob a carta “3” na mesa para formar combinações, por exemplo. Junto com outras regras estabelecidas, dentre elas, a de que não é permitido observar as cartas que estão na mão do adversário, a “regra do três” forma a estrutura do jogo. As jogadas e combinações de cartas permitidas, então, formam a competência do jogo. E a totalidade de todas as partidas jogadas desde que se criou o baralho, é o universo da tranca. É extenso e distante, mas, surpreendemente, terá um fim.
Como o jogo da velha que já tem todas as probabilidades de vitória definidas e regras imutáveis, a tranca é considerada um jogo fechado. O jogo fechado, segundo Flusser, é caracterizado pela coincidência da competência com o universo do jogo, situação que provoca a finalização da partida. O jogo aberto, entretanto, é descrito no artigo do filósofo como “(...) que permite aumento ou diminuição de repertórios e modificações de estruturas.” Ou seja, as expressões artísticas, corporais ou até mesmo consideradas espirituais do ser humano, como a música e a dança, têm constantemente alterações na forma pela inserção de “ruídos”, que nada mais são do que a influência da cultura na qual o indivíduo vive. Flusser afirma que poetas são aumentadores do universo, e ao mesmo tempo simplificadores, visto que reduzem ao sentir o que o homem lúdico vivencia. O ruído torna-se elemento facilitador da compreensão, algo como “saber mais, para entender mais.”
Nesse sentido, o filósofo traça uma estrutura lógica para entender a fé, contraditória magia que pode se opor ou complementar a magia dos jogos; ter fé é fechar-se para a crença zero do jogo e tentar traduzir a realidade somente por um prisma. É quando o homem pede, urgentemente, para deixá-lo “brincar de ser feliz e pintar o seu nariz”, afinal, é isso que o diferencia.
Facilitação do texto científico "Jogos" de Vilém Flusser.
Se não fosse por você nunca iria me atentar para isso.
votado
Bem vinda ao over minha querida.
Publicado.Carinhosamente.
Perdão,na hora do votar deu pane aqui.
Agora sim,publicado.
Obrigada a todos pelos votos! é um assunto bem essencial de se conhecer e acredito que o texto no qual me apoiei explica exatamente o que é o jogo e o ser humano.
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