Paulo Freire observa que a captação que todo ser humano faz dos dados objetivos da realidade “é naturalmente crítica, por isso, reflexiva e não reflexa, como seria na esfera dos contatos” (FREIRE, 1983, p. 40). Assim, enquanto sujeitos históricos, o homem e a mulher não são um reflexo do mundo, mas sempre uma reflexão sobre ele. Nossa imagem de mundo jamais é uma cópia da realidade, pois nossos propósitos direcionam nossa inteligência e encaminham o raciocínio procurando encaixá-lo a fins moldados a partir de decisões anteriores fundamentadas na livre escolha pessoal – ou seja, a partir de definições éticas e políticas. Enquanto sujeitos recriadores de sua própria cultura, produtores (e não meros reprodutores) de sua própria sociedade, não cabem aos homens e às mulheres refletir a realidade, mas refletir sobre ela, participando de sua permanente reelaboração, contribuindo na cotidiana reconstrução da verdade que, por ser humana, é um projeto inacabado e em constante reintepretação. Em outras palavras: a realidade é histórica.
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Evidentemente, estimular a passividade dos alunos é também um ato político. Não é de estranhar, argumenta Freire, que nesta visão bancária os seres humanos sejam vistos como seres da adaptação e do ajustamento. “Quanto mais se exercitem os educandos no arquivamento dos depósitos que lhes são feitos, tanto menos desenvolverão em si a consciência crítica de que resultaria a sua inserção no mundo como transformadores dele.” (p. 68). Ou seja, quanto mais se lhes imponha a passividade, tanto mais ingenuamente, em vez de transformar, tendem a adaptar-se ao mundo. Tornam-se espectadores e não recriadores de sua própria existência histórico-cultural. “Quanto mais adaptados para a concepção ‘bancária’, tanto mais ‘educados’, porque adequados ao mundo.” (p. 72).
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Ao analisar a resistência que os estudantes têm demonstrado contra os currículos oficiais, o educador Ira Shor, em diálogo com Freire, criticou aqueles que definem tal comportamento como “mediocridade” estudantil. A prática docente nos permite observar que o professor universitário costuma sempre associar o desinteresse dos alunos à falta de preparo intelectual deles próprios, quando não à ignorância generalizada da turma, ou mesmo à inaptidão da atual geração de estudantes como um todo. No entanto, para Shor, os alunos comportam-se dessa maneira quando percebem a tolice de jogar sob regras que, feitas por e para outras pessoas, não os beneficiam de maneira alguma – seja na carreira profissional, seja na própria vida enquanto projeto existencial.
Assim, Shor percebeu que os estudantes, desmotivados dentro da escola, podem ter muita motivação fora dela. Os jovens são capazes de encontrar amplo espaço longe das salas de aula para construir uma exuberante diversidade em sua cultura subjetiva. Além disso, observou que quando jovens “realmente querem” alguma coisa, “movem céus e terras para consegui-la”, empenhando-se com extrema inteligência e perspicácia: “Encontram carros mais baratos, e pechincham o seguro do carro, arranjam emprego de meio período durante o Natal, conseguem o aparelho de som mais barato, ou uma nova guitarra, ou o ingresso para um show, ou fazer ser rasurada uma nota baixa na universidade, ou ingressar em cursos fechados, ou passar num concurso para o serviço público.” (FREIRE; SHOR, 1986, p. 16). Portanto, aquela resistência em sala de aula não significa mediocridade intelectual, mas sim o que Shor chamou de “greve de desempenho”. Para ele, é a pedagogia oficial que está motivando os estudantes contra o trabalho intelectual.
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Para Freire, portanto, o professor deve ser capaz de vencer a arrogância e convocar os estudantes para a participação ativa das aulas, produzindo e adquirindo conhecimento com eles, permitindo que todos se tornem sujeitos de aprendizagem. Freire argumenta que a auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os professores que não têm humildade, ou a perdem, não podem aproximar-se dos alunos. Não podem ser seus companheiros no que ele chama de “pronúncia de mundo”. “Se alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os outros, é que lhe falta ainda muito o que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles.” (FREIRE, 1981, p. 95).
Estudo estabelece um diálogo entre a práxis pedagógica do educador Paulo Freire e as Diretrizes Curriculares do Ministério da Educação para a habilitação Jornalismo do curso de Comunicação Social. O objetivo é desenvolver um modelo de aplicação do método dialógico freireano para problematizar o ensino de Jornalismo, favorecendo um projeto político-pedagógico democrático e consciente do caráter ideológico do discurso de neutralidade. Nessa perspectiva, alunos são sujeitos de seu processo de aprendizagem desde a busca do conteúdo programático do curso. Evidencia-se o equívoco da “educação bancária” que, ao dicotomizar ensino e pesquisa, contraria o desenvolvimento do processo de aprendizagem. O estudo sugere a formação de um profissional radical, e não sectário; integrado, e não simplesmente adaptado ao seu tempo; um jornalista capaz de atuar como uma reflexão, e não como um mero reflexo da sociedade. Enfim, um trabalhador capaz de assumir sua responsabilidade na transformação
Abrindo sua votaçao e desejando sucesso,
Beijos
gostei muito.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 5/8/2008 19:59
Paulo Freire é um exelente educador. Bjs. Dê
Denise A Souza · Guaratinguetá, SP 5/8/2008 22:20
André,
belo texto
Como pedagoga e adepta de Paulo Freire, sei da importância das interações humanas, ambientais e politicas, no processo de conhecimento e aprendizagem dos alunos. São dois mundos distintos onde a integração transforma e faz acontecer.
bjsssss
André,
prazer em levar seu texto para o banco
bjssss
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