Lá no fundo do Baú
Poeta Devany
Enxergando o que havia de imprestável dentro de si, lá no fundo do baú, o discípulo ajoelhou e chorou.
O choro é interrompido pela doce Voz de seu Mestre, que carinhosamente orientando-o, segreda em seus ouvidos:
- Você viu quanta poeira e também o tanto de coisas imprestáveis e inúteis você ainda conserva dentro de si? Como queres estar bem se, dentro de si, não está bem? Veja aquela caixa no canto esquerdo de seu coração. Abra-a e vamos ver o que nela contém.
Ao abrir a caixa, bem devagar e cuidadosamente, parecendo estar desarmando uma bomba relógio, descobriu que nela havia uma porção de massa de cor preta, gosmenta e com vida própria, relativamente pesada e assim etiquetada: Não preciso de ninguém e Não devo nada à ninguém.
A Luz de seu Mestre clareou em sua mente e percebeu que ali havia traços de orgulho. Obedecendo a orientação, com sua mão direita, trêmula, retirou a caixa de seu coração, sentido um grande alívio. Seu coração parecia ficar mais leve.
Sentiu-se envolvido por um tanto de Paz. A doce Paz que há tempos vinha buscando. A cena durou somente alguns segundos. Automaticamente e por atração, a caixa voltou para o lugar que estava e lá ficando, desta vez, como se estivesse colada, pois tentou várias vezes reavê-la, sem êxito.
É interrompido por seu Mestre que lhe sorri, pedindo que ele abra outra caixa, mais outra, mais outra e mais, mais...
A cada caixa que abria, decepções apareciam: Preguiça, Decepção com as pessoas, excesso de críticas e ausência de autocrítica, Sentimentos de pequenas (pequenas?) vinganças, Pressa infundada em obter alguns resultados imediatos, Insegurança, Intolerância com as pessoas e as situações e, dentre elas, uma grande caixa onde estavam colocadas diminutas situações: “Pequenos desacertos, Pequenas preocupações, Pequenos deslizes etc.” Esta parecia ser a caixa mais perigosa e, infelizmente, passou-lhe desapercebido. Havia também uma pequena caixa, bem diminuta, etiquetada com letras pequenas que dificultava a identificação: esperança em uma vida melhor. A caixinha, frágil, carecia de cuidados para pegá-la. Quando a trouxe para junto de si, ela parecia querer desfazer-se tanto era sua fragilidade, parecendo suaves pétalas de uma singela rosa.
Notando que ficara mais tempo com esta caixa que com as outras, deleitou-se naqueles momentos. Viu que estava frente a frente com sua Esperança. A doce Esperança, esperada e Sagrada Esperança.
Nesse momento passou rapidamente por sua mente, cenas de sua vida, ou vidas. Cenas tristes lhe fizeram chorar. Outras, o pensamento calar.
O discípulo é novamente interrompido pelo Mestre que parece beijar-lhe o coração. Sente-se agora envolvido em clima de Paz e ouve novamente seu Bendito Mestre que lhe traz orientação, Divina Orientação:
- A Verdadeira Caminhada de limpeza interna começa hoje.
Uma lágrima teima em rolar, vagarosamente, por sua face. Porém, já se vê estampado em seu rosto a marca da Esperança crescendo. Abre os olhos e vê que a vida segue seu curso normal.
Repete mentalmente a Sábia Orientação:
“- A Verdadeira Caminhada começa hoje”.- Estas palavras parecem ecoar por todo o seu interior. Sente sua Esperança crescida, vê-se acordando para a Vida...
(do livro Alguns Versos, Talvez Poesias... – Devany A. Silva)
Mestres surgem em nossas vidas qdo estamos prontos, preparados a colocarmos em prática seus ensinamentos e não apenas ouví-lo!
Falaste ao meu coração! Grazie, poeta!
Baci
estou lendo para a edião meu querido.Eu volto.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 6/9/2008 04:44Você é um verdadeiro mestre caro poeta sempre apresentado trabalhos reflexíveis , deixando seus leitores alem de admirados, pensativos com seus versos , digo que seus poemas não é só poesia é também ensinamento. Abraço....
delen · Cotia, SP 6/9/2008 06:30
e o poeta virou poema!!
e tudo muda pq tudo se comunica.
Parabéns!
Um beijo
CD
Devany,
lindo texto
nosso bauzinho deveria resumir-se em 3 coisas:
trabalho que trás dignidade,
amor que fortifica o espirito
e esperança , sem a qual não se vive.
bjssss
bjssssss
Poeta Devany · São Paulo (SP)
Lá no fundo do Baú
Tm Texto duivino que tem a ver com a própria concepcáo de formacáo do Humano.
Todos temos de saber disso e saber que tem de se livrasr do atrazo e da obscuridade.
Um texto Ideal.
Texto para a formacáo das poessoas como Humanas.
Tem de todo mundo ler com carinho sabendo que é algo muito especial.
Parabéns.
Abracáo Amigo.
Devany, meu caro,
seu texto é quase um mapa de como trilhar um caminho de um guerreiro de paz, esperança e afeto...
Muito bom de ler e de se refletir sobre suas caixas internas e de como estás no seu próprio caminho de vida!
Meus parabéns
abração
Belo texto. Belo exemplo. A vida flui
com sabedoria.
Abraços.
maravilhoso texto, parabéns, volto na fila de votação.
gleidston cesar · Goiatuba, GO 6/9/2008 21:17Devany, eu acabei de passar por uma limpeza dessas. Puxa, como foi difícil me livrar de algumas caixas, tão pesadas, tão grandes, tão escuras... Mas o coração fica leve, e com bastante espaço para as melhores caixinhas- q, vc sabia?, mudam de tamanho conforme lhes damos mais atenção... lindo, lindo, aguardo a votação.. bjkk
MonyBlu · São Paulo, SP 6/9/2008 23:59
E como é difícil abrir estas caixas, principalmente porque a maioria das pessoas não se dispõe a se olhar. Lindo texto!! Vou abrir mais minhas caixas, rsrsrsrsr.
Beijos, amore!
O peso que carregamos meu querido.
Selecionar as caixinhas,deixar a limpeza fazer o milagre.
Obrigada por tão belo texto.
Lindo texto Devany!!
Eis a caixa de Pandora...a esperança é a última que morre...
Cuidemos das nossas caixinhas...limpando e guardando somente o que é necessário à nossa caminhada.Reforma já!
Texto de muita sabedoria!
Parabéns,Devany!
um beijinho azulzenmístico...
Blue
Abrindo caixas que lentamente nos revelam coisas importantes sobre nós mesmos !
Um abraço !
Oi, Poeta Devany,
Parabéns pelo belo texto,
cheio de sabedoria e verdade.
Meu carinhoso abraço e meus votos.
Foí gratificante conhecer você e sua amada
em Sampa.
Grato, Wal. Senti-me bem nesse encontro que prezou pela qualidade. Todos no mesmo rítmo. Após ler meu livro, dê-me um feed back. Um beijão.
Poeta Devany · São Paulo, SP 8/9/2008 17:44Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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